Atlas da Mentira · checagem verificável

Estatais tiveram R$ 18 bilhões de superávit ou lucro sob Bolsonaro e R$ 36 bilhões de prejuízo sob Lula

É falso que as estatais federais acumulassem R$ 36 bilhões de prejuízo sob Lula até a sabatina de 16 de outubro de 2026. No resultado primário fiscal comparável, o déficit acumulado de janeiro de 2023 a agosto de 2026 era próximo de R$ 19 bilhões. O superávit de cerca de R$ 17,46 bilhões durante Bolsonaro aproxima-se dos R$ 18 bilhões citados, mas 'resultado primário' não é lucro contábil.

Somando os déficits federais de R$ 0,656 bi (2023), R$ 6,73 bi (2024), R$ 5,13 bi (2025) e R$ 6,518 bi (jan–ago/2026), obtêm-se aproximadamente R$ 19,034 bilhões. A diferença entre o superávit de R$ 17,46 bilhões do período anterior e esse déficit chega a R$ 36,494 bilhões, cifra que se parece com a de Flávio, porém expressa comparação entre dois saldos, não perda só no governo Lula.

Qualificações importantes

Superávit e déficit primários são medidas fiscais de caixa; não são equivalentes a lucro e prejuízo contábil. Aportes recebidos e investimentos custeados com recursos já disponíveis afetam o saldo sem necessariamente refletir a rentabilidade das empresas.

A comparação principal usa estatais federais incluídas na NFSP, com exclusão de Petrobras e Eletrobras. O UOL Confere também apresentou série das três esferas com valores diferentes; não se devem somar séries com universo distinto.

Agosto era o último mês fiscal disponível na data da entrevista; cifras publicadas para primeiro semestre de 2026 tinham corte anterior. Os valores anuais são aproximados e sujeitos a revisões, o que não explica a diferença de quase R$ 17 bilhões para a alegação de déficit de R$ 36 bilhões.

A frase foi conferida em reproduções jornalísticas contemporâneas do UOL Confere e da Agência Estado. O vídeo original da sabatina não foi ouvido diretamente.

O que foi checado

Na sabatina de 16 de outubro de 2026, Flávio Bolsonaro afirmou que as estatais tiveram R$ 18 bilhões de superávit ou lucro sob Jair Bolsonaro e já acumulavam R$ 36 bilhões de prejuízo sob Lula.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Flávio Bolsonaro · Atribuição verificada
Função na época
senador e candidato à Presidência
Data da declaração
16/10/2026
Contexto
Sabatina da TV Globo, em discussão sobre gastos públicos e contas das estatais.

Como a proposição foi normalizada: Preserva a alternância entre superávit e lucro e a palavra prejuízo. Não escolhe silenciosamente resultado primário ou lucro contábil, universo de empresas ou mês final do acumulado.

Limite de atribuição: Fala reproduzida em duas reportagens contemporâneas; gravação original não ouvida.

Com o presidente Bolsonaro, as estatais deram R$ 18 bilhões de superávit ou de lucro. Com o Lula, já são R$ 36 bilhões de prejuízo dessas estatais.

Contexto original

O que Flávio Bolsonaro disse

Na sabatina de 16 de outubro, Flávio contrapôs um suposto superávit ou lucro de R$ 18 bilhões nas estatais durante Bolsonaro a R$ 36 bilhões de prejuízo sob Lula. Na mesma intervenção, afirmou haver diferença superior a R$ 50 bilhões. Logo, atribuiu os R$ 36 bilhões ao déficit do governo Lula, e não apenas à distância entre saldos positivos e negativos de mandatos sucessivos.

Explicação

O que mostram as séries fiscais comparáveis

No recorte de estatais federais não dependentes, a auditoria do TCU citada em reportagem de julho e as estatísticas do Banco Central mostram saldo positivo de aproximadamente R$ 17,46 bilhões no governo Bolsonaro (2019–2022), próximo aos R$ 18 bilhões enunciados. Essa é uma medida fiscal, não de lucro empresarial.

O mesmo universo federal registrou déficits primários aproximados de R$ 656 milhões em 2023, R$ 6,73 bilhões em 2024 e R$ 5,13 bilhões em 2025. Os oito resultados mensais de 2026 disponíveis até a entrevista, no serviço SGS 4646 do Banco Central, somam outros R$ 6,518 bilhões de déficit, também registrados na cobertura de setembro. A soma de janeiro de 2023 a agosto de 2026 é de cerca de R$ 19,034 bilhões, distante dos R$ 36 bilhões atribuídos ao governo Lula.

Somar registros oficiais mensais do SGS 4646 de janeiro a agosto de 2026.

EntradaValorCobertura
Janeiro 3330.11 R$ milhões, NFSP · Brasil, estatais federais
Fevereiro 828.51 R$ milhões, NFSP · Brasil, estatais federais
Março 247.87 R$ milhões, NFSP · Brasil, estatais federais
Abril 1530.57 R$ milhões, NFSP · Brasil, estatais federais
Maio 26.59 R$ milhões, NFSP · Brasil, estatais federais
Junho 1837.19 R$ milhões, NFSP · Brasil, estatais federais
Julho 476.39 R$ milhões, NFSP · Brasil, estatais federais
Agosto -1759.30 R$ milhões, NFSP · Brasil, estatais federais

Operação: 3330.11 + 828.51 + 247.87 + 1530.57 + 26.59 + 1837.19 + 476.39 - 1759.30

Resultado: 6517.93 R$ milhões de déficit — Saldo positivo de necessidade de financiamento de R$ 6.517,93 milhões, isto é, déficit fiscal de R$ 6,51793 bilhões.

Comparabilidade: Mesma série oficial e unidade, oito meses consecutivos, em valores nominais.

Limitações: Sinais da necessidade de financiamento são inversos aos de saldos positivos de superávit; cálculo não mede lucro contábil.

Estimar o saldo das estatais federais entre 2023 e agosto de 2026.

EntradaValorCobertura
2023 -0.656 R$ bilhões, saldo fiscal · Brasil, estatais federais
2024 -6.73 R$ bilhões, saldo fiscal · Brasil, estatais federais
2025 -5.13 R$ bilhões, saldo fiscal · Brasil, estatais federais
Jan–ago 2026 -6.518 R$ bilhões, saldo fiscal · Brasil, estatais federais

Operação: -0.656 - 6.73 - 5.13 - 6.518

Resultado: -19.034 R$ bilhões — Déficit fiscal acumulado aproximado de R$ 19,034 bilhões.

Comparabilidade: Saldos federais, nominais, períodos não sobrepostos, valores anuais arredondados.

Limitações: Séries podem ser revisadas; valor aproximado e não lucro contábil.

A defesa numérica mais forte da fala é uma possível confusão entre 'déficit de Lula' e 'mudança entre governos': o superávit anterior de R$ 17,46 bilhões, comparado ao déficit posterior de R$ 19,034 bilhões, produz distância de cerca de R$ 36,494 bilhões. Mas essa distância não é prejuízo exclusivo do governo Lula. Ao apresentar R$ 36 bilhões como prejuízo e ainda somá-lo aos R$ 18 bilhões anteriores, a fala produz um retrato quantitativo incorreto.

Distinguir a diferença entre saldos do déficit acumulado sob Lula.

EntradaValorCobertura
Superávit 2019–2022 17.46 R$ bilhões
Saldo 2023–ago/2026 -19.034 R$ bilhões

Operação: 17.46 - (-19.034)

Resultado: 36.494 R$ bilhões de diferença entre saldos — Distância de cerca de R$ 36,5 bilhões entre os dois períodos, não déficit isolado do governo Lula.

Comparabilidade: Saldos do mesmo universo fiscal em períodos distintos, em valores nominais.

Limitações: Não somar a distância entre saldos novamente ao superávit inicial.

Contexto e limites

Lucro empresarial e resultado primário não são a mesma coisa

Pelas regras do Banco Central, o resultado primário das estatais integra uma estatística de necessidades de financiamento, pelo critério de caixa, com exclusão de Petrobras e Eletrobras. Bráulio Borges, do FGV IBRE, explica que aportes de capital podem melhorar esse indicador e o emprego desses recursos em investimentos pode piorá-lo. O dado não substitui demonstrações financeiras sobre lucro contábil.

A cobertura do UOL também cita outro conjunto de estatais, que inclui companhias federais, estaduais e municipais, resultando em cifras diferentes. Essa alternativa precisa ser avaliada em seu universo próprio: não é válido escolher o superávit federal de R$ 18 bilhões de uma série e somá-lo a déficits da série mais ampla. A magnitude reportada pelo UOL para Lula até junho também é menor que R$ 36 bilhões.

A checagem preservou o momento da declaração: agosto de 2026 era o mês fiscal mais recente publicado, pois o resultado de setembro estava agendado para 30 de outubro. A apuração usou os dados disponíveis antes da entrevista, sem atribuir ao candidato intenção comprovada de enganar e sem considerar o saldo primário como diagnóstico completo da saúde financeira das empresas.

Método

Como foram feitas as contas

Foram somados os oito registros mensais de 2026 da série SGS 4646 em milhões de reais: janeiro 3.330,11; fevereiro 828,51; março 247,87; abril 1.530,57; maio 26,59; junho 1.837,19; julho 476,39; agosto −1.759,30. O resultado é necessidade de financiamento de R$ 6.517,93 milhões, isto é, déficit de R$ 6,518 bilhões. Depois foram somados os saldos federais anuais de 2023–2025 e comparados ao superávit de 2019–2022. Os valores anuais foram publicados com arredondamento, o que limita as casas decimais do total.

Fontes

  1. Na Globo, Flávio erra sobre 'Dark Horse' e ao citar documentário de Lula Documento

    UOL Confere · 16/10/2026

    Alegação original

    Contribuição: Origem da reprodução jornalística contemporânea da declaração.

    • Resultados das estatais: Fala com R$ 18 bilhões de superávit ou lucro no governo Bolsonaro e R$ 36 bilhões de prejuízo no governo Lula.

    Limites: URL original não abriu na consulta; seu texto foi inspecionado em republicação BOL.

    Disponibilidade parcial — A página original não abriu, mas reprodução do texto está acessível no BOL.

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  2. Na Globo, Flávio erra sobre 'Dark Horse' e ao citar documentário de Lula Documento

    UOL Confere, republicado no BOL · 16/10/2026

    Alegação original, Evidência, Contexto

    Contribuição: Fonte acessível do texto original, atribuída ao UOL, e contraponto com série agregada.

    • Declaração transcrita: Com Bolsonaro as estatais deram R$ 18 bilhões de superávit ou lucro; com Lula R$ 36 bilhões de prejuízo.
    • Contexto da checagem das estatais: Séries das três esferas até o primeiro semestre de 2026, com valores não comparáveis aos do recorte exclusivamente federal.

    Limites: O UOL empregou números de universo mais amplo do que a série federal adotada no cálculo principal.; Não substitui gravação da sabatina.

    Disponível

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  3. Flávio diz que não vai desvincular reajuste do mínimo e nem alterar pisos de saúde e educação Documento

    Agência Estado (via UOL) · 16/10/2026

    Alegação original, Contexto

    Contribuição: Segunda cobertura registra frase e sua interpretação como diferença entre saldos.

    • Resposta sobre gasto e estatais: Cita R$ 18 bilhões de lucro, R$ 36 bilhões de prejuízo e afirma haver mais de R$ 50 bilhões de diferença.

    Limites: Reportagem textual contemporânea; gravação não foi reproduzida.

    Disponível

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  4. SGS 4646: resultado primário mensal das estatais federais Base de dados

    Banco Central do Brasil

    Evidência

    Contribuição: Dados oficiais mensais permitem reproduzir saldo de janeiro–agosto/2026.

    • Observações de janeiro a agosto de 2026: R$ milhões: jan 3330.11, fev 828.51, mar 247.87, abr 1530.57, mai 26.59, jun 1837.19, jul 476.39, ago -1759.30; total 6517.93 de necessidade de financiamento (déficit).

    Limites: Sinal positivo de necessidade de financiamento corresponde a déficit; sinal negativo, a superávit.; O resultado é fiscal, não lucro contábil.

    Disponível

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  5. Metadados do SGS 4646 — NFSP empresas estatais federais Base de dados

    Banco Central do Brasil

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Estabelece universo, definição e restrições da métrica fiscal.

    • Conceito: Resultado primário pelo critério de caixa e metodologia abaixo da linha; não mede lucro contábil.
    • Abrangência: Estatais federais, com exclusão de Petrobras e Eletrobras, conforme histórico da NFSP.

    Limites: Não apresenta lucros contábeis de cada empresa.

    Disponível

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  6. Estatais acumulam mais de R$ 18 bi em déficit no governo Lula, aponta TCU Documento

    Revista Oeste · 22/07/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Apresenta série histórica federal atribuída ao TCU e ao Banco Central, conferida com outras reportagens.

    • Comparação entre governos: Relata, com base em auditoria do TCU e estatísticas BC, superávit federal 2019–2022 de R$ 17,46 bi; déficits federais 2023 R$ 0,656 bi, 2024 R$ 6,73 bi e 2025 R$ 5,13 bi.

    Limites: Fonte secundária; documento primário do TCU não foi obtido.; Valores anuais com arredondamento.

    Disponível

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  7. Estatais federais têm superávit de R$ 1,759 bi, o primeiro do ano e o maior em agosto da série Documento

    Agência Estado, via BOL · 30/09/2026

    Evidência

    Contribuição: Confirma resultados e data dos dados do Banco Central.

    • Acumulado federal de 2026: Estatais federais tiveram déficit de R$ 6,518 bilhões de janeiro a agosto de 2026; em agosto houve superávit de R$ 1,759 bilhão.

    Limites: Fonte jornalística baseada em dados oficiais.

    Disponível

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  8. Prosseguindo o debate com Alexandre Manoel Documento

    FGV IBRE — Bráulio Borges · 07/08/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Explica limitações econômicas e contábeis de tratar resultado fiscal como lucro.

    • Inversões financeiras e aportes: Aportes podem gerar superávit primário; quando caixa é gasto em investimentos, pressiona indicador. Valores corrigidos pelo IPCA até junho/2026 não são comparáveis diretamente aos nominais.

    Limites: Interpretação assinada por economista, não demonstração contábil das empresas.; Valores reais e nominais não devem ser misturados.

    Disponível

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  9. Calendário de divulgação estatística: fiscais Documento

    Banco Central do Brasil

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Estabelece que agosto era o último mês fiscal divulgado em 16/10/2026.

    • Calendário de 2026: Estatísticas fiscais de agosto divulgadas 30/09; base de setembro de 2026 prevista para 30/10.

    Limites: O calendário não é fonte de saldos fiscais.

    Disponível

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