Atlas da Mentira · checagem verificável

Gestão Zema vendeu mais de 100 empresas em Minas Gerais

A fala de Romeu Zema é enganosa porque usa “empresas” sem distinguir a venda de companhias estatais da alienação de participações societárias em empresas investidas.

A Cemig documentou uma ampla redução de sua carteira de participações, de 191 empresas investidas em janeiro de 2019 para 114 em fevereiro de 2023, e Zema já havia descrito essas operações como vendas de “participações acionárias”. Esse universo inclui participações minoritárias e empreendimentos compartilhados; não corresponde a mais de 100 empresas diretamente controladas pelo Estado de Minas Gerais.

Qualificações importantes

Há base real para a afirmação de que o governo Zema conduziu um programa amplo de desinvestimentos. A Cemig registrou 191 empresas investidas em janeiro de 2019 e 114 em fevereiro de 2023, além de listar alienações concluídas como Light, Renova, Santo Antônio Energia, Ativas e Axxiom.

“Empresa investida” ou “participação societária” não é sinônimo de empresa estatal diretamente controlada pelo governo. A própria estrutura de governança de Minas distingue as companhias sob controle direto do Estado de participações mantidas por essas companhias em outras sociedades.

Em entrevista anterior, Zema descreveu a mesma política como venda de “participações acionárias” e citou Light, Renova, Belo Monte, Santo Antônio, Helibras e Companhia Brasileira de Lítio antes de dizer que poderia apresentar uma relação de mais de 100 empresas em que o Estado tinha participação.

  • Entrevista da Semana | Pré-candidato ao Planalto Participações acionárias: Zema diz que vendeu participações acionárias e cita Light, Renova, Belo Monte, Santo Antônio, Helibras e Companhia Brasileira de Lítio; afirma haver relação de mais de 100 empresas em que o Estado tinha participação.

Esta apuração não reconstruiu, empresa por empresa, uma lista auditável de mais de 100 alienações concluídas até 17 de junho de 2026. A apresentação da Cemig comprova a dimensão da carteira e várias vendas, mas o número “55” indicado para “2023+” é uma estrutura projetada após desinvestimentos adicionais, não uma fotografia do total já concluído em fevereiro de 2023.

O que foi checado

O governo Romeu Zema vendeu mais de 100 empresas em Minas Gerais.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Romeu Zema · Atribuição verificada
Função na época
ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência
Data da declaração
17/06/2026
Contexto
Declarações ao programa Correio Debate, da rádio Correio 98FM, reproduzidas pelo PB Aqui.

No meu governo, eu vendi mais de 100 empresas

Contexto original

O que Zema disse

Em 17 de junho de 2026, ao defender uma agenda de privatizações em entrevista ao Correio Debate, Romeu Zema afirmou: “No meu governo, eu vendi mais de 100 empresas”. O enunciado não fez, naquele trecho, a distinção entre privatizar uma empresa controlada pelo Estado e vender uma participação societária mantida por uma estatal em outra companhia.

Explicação

A principal base da contagem é uma carteira de participações

Documentos da Cemig mostram a escala do programa de desinvestimentos. Em apresentação de resultados, a companhia descreveu a “simplificação da estrutura societária” e informou que o número de empresas investidas em sua carteira caiu de 191 em janeiro de 2019 para 114 em fevereiro de 2023. No mesmo material, a Cemig listou como alienações concluídas participações em Light, Renova, Santo Antônio Energia, Ativas e Axxiom.

A mesma apresentação indicava 55 empresas investidas em uma coluna identificada como “2023+”, associada a novas alienações e simplificação futura. Esse número não deve ser lido como prova de que todas as vendas necessárias para chegar a 55 já estavam concluídas naquele momento.

Explicação

Participação societária não equivale a vender uma estatal

A Secretaria de Fazenda de Minas Gerais mantém uma categoria específica para as empresas controladas diretamente pelo Estado e lista um conjunto muito menor de companhias, como BDMG, Codemge, Cemig, Copasa, Prodemge e outras. Já a carteira societária da Cemig inclui dezenas de empresas nas quais a estatal detém participações, inclusive minoritárias ou compartilhadas. Por isso, somar alienações dessas participações e descrevê-las simplesmente como “mais de 100 empresas vendidas” cria uma impressão mais ampla do que os documentos societários demonstram.

Explicação

O próprio Zema já havia usado uma formulação mais precisa

Em entrevista publicada em 2025, Zema disse que seu governo vendeu “participações acionárias” e citou Light, Renova, Belo Monte, Santo Antônio, Helibras e Companhia Brasileira de Lítio. Em seguida, afirmou que poderia apresentar uma lista de mais de 100 empresas “onde o Estado tinha uma participação que não dependia de autorização legislativa”. Essa explicação anterior deixa claro que, no universo contado por ele, estavam incluídas participações societárias, e não apenas privatizações de empresas estatais inteiras.

  • Entrevista da Semana | Pré-candidato ao Planalto Participações acionárias: Zema diz que vendeu participações acionárias e cita Light, Renova, Belo Monte, Santo Antônio, Helibras e Companhia Brasileira de Lítio; afirma haver relação de mais de 100 empresas em que o Estado tinha participação.

Contexto e limites

O que a evidência permite concluir

A evidência sustenta que o governo Zema promoveu um programa amplo de desinvestimentos e vendeu numerosas participações societárias. Ela não sustenta, sem qualificação, a impressão de que Minas Gerais tinha mais de 100 empresas estatais que foram integralmente vendidas durante seu governo. Como esta apuração não validou uma a uma todas as alienações usadas na contagem política superior a 100, o ponto decisivo é a natureza do que foi contado: participações e investidas, e não mais de 100 companhias diretamente controladas pelo Estado.

Fontes

  1. Pré-candidato a presidente, Zema defende privatizações da maioria das estatais do Governo: “quero privatizar tudo” Documento

    PB Aqui · 17/06/2026

    Alegação original, Contexto

    Contribuição: Preserva a formulação pública da alegação no contexto de defesa de privatizações.

    • Declaração de Zema: Trecho em que Zema afirma: “No meu governo, eu vendi mais de 100 empresas”.

    Limites: É uma reportagem que reproduz a fala; não apresenta a lista das mais de 100 operações mencionadas por Zema.

    Disponível

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  2. Cemig — apresentação de resultados do 1º trimestre de 2023 Documento

    Cemig · 09/05/2023

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Demonstra que o universo usado no programa de desinvestimentos da Cemig é de empresas investidas e participações societárias, e documenta vendas efetivamente concluídas.

    • Divestment, simplification of stockholding structure: Página da apresentação sobre participações societárias: 191 empresas investidas em janeiro de 2019, 114 em fevereiro de 2023 e indicação de 55 para “2023+”.
    • Completed disposals: A mesma página lista alienações concluídas em Light, Renova, Santo Antônio Energia, Ativas e Axxiom.

    Limites: A apresentação é da própria Cemig, companhia controlada pelo Estado de Minas Gerais.; A indicação de 55 empresas para “2023+” é prospectiva no material e não comprova que todas as alienações necessárias para chegar a esse número já estivessem concluídas.

    Disponível

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  3. Empresas Controladas Diretamente pelo Estado de Minas Gerais Documento

    Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Mostra a categoria institucional de empresas diretamente controladas pelo Estado e permite distingui-la da carteira de empresas investidas por estatais como a Cemig.

    • Empresas controladas diretamente: O portal separa e lista as empresas sob controle direto do Estado, incluindo BDMG, Codemge, Cohab, Copasa, Prodemge, Cemig, Emater, Epamig, EMC, MGI, MGS e Metrominas.

    Limites: A página é um portal institucional sujeito a atualizações e não deve ser tratada como fotografia histórica exata de cada dia do período de 2019 a 2026.

    Disponível

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  4. Entrevista da Semana | Pré-candidato ao Planalto Documento

    RDM Online · 29/08/2025

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Registra uma formulação anterior do próprio Zema que explicita que a contagem de mais de 100 se refere a participações societárias em empresas.

    • Participações acionárias: Zema diz que vendeu participações acionárias e cita Light, Renova, Belo Monte, Santo Antônio, Helibras e Companhia Brasileira de Lítio; afirma haver relação de mais de 100 empresas em que o Estado tinha participação.

    Limites: É uma entrevista jornalística e não substitui documentação societária para comprovar individualmente cada alienação da contagem superior a 100.

    Disponível

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Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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