Atlas da Mentira · checagem verificável

Atos mais graves do 8 de Janeiro não foram tentativa de golpe porque não houve tiros nem derramamento de sangue

Falso.

O art. 359-M do Código Penal exige a tentativa de depor o governo legitimamente constituído por meio de violência ou grave ameaça; não exige arma de fogo, tiros, sangramento ou morte. Nos casos mais graves do 8 de Janeiro, o STF reconheceu violência e grave ameaça, inclusive ruptura violenta de barreiras e policiais gravemente feridos, e já havia condenação definitiva por golpe de Estado desde 2023.

Qualificações importantes

Zema acerta ao pressupor que não basta discordância política, protesto ou mero vandalismo para configurar o art. 359-M: o tipo penal exige violência ou grave ameaça e finalidade de depor o governo legitimamente constituído. O erro é tratar tiros ou derramamento de sangue como requisitos dessa violência.

A condenação por golpe não alcança automaticamente toda pessoa presente em Brasília em 8 de janeiro. A responsabilidade penal é individualizada; esta checagem trata dos atos mais graves e dos casos em que o STF reconheceu os elementos do crime.

A conclusão não depende de provar que houve disparos de arma de fogo. Mesmo que se aceite a premissa de que não houve tiros, a lei admite violência ou grave ameaça por outros meios, e o STF registrou ruptura violenta de barreiras e ferimentos graves em policiais.

O que foi checado

Os atos mais graves de 8 de Janeiro de 2023 não configuraram uma tentativa de golpe de Estado porque não houve tiros nem derramamento de sangue.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Romeu Zema · Atribuição verificada
Função na época
candidato à Presidência
Data da declaração
19/08/2026
Contexto
Sabatina promovida pelo SBT e SBT News.

Como a proposição foi normalizada: A formulação resume a inferência atribuída a Romeu Zema pelo próprio SBT News: ele classificou o 8 de Janeiro como vandalismo, perguntou se houve tiros ou derramamento de sangue e afirmou que nunca teria havido tentativa de golpe semelhante. A checagem se limita aos atos mais graves e não atribui o crime a toda pessoa que esteve em Brasília naquele dia.

Teve tiro? Não teve tiro. Teve derramamento de sangue? Não vi.

Contexto original

O que Zema disse

Na sabatina do SBT e do SBT News de 19 de agosto de 2026, Romeu Zema classificou o 8 de Janeiro como vandalismo e depredação. O SBT registrou que, para o candidato, a ausência de tiros e de derramamento de sangue descaracterizaria uma tentativa de golpe.

Teve tiro? Não teve tiro. Teve derramamento de sangue? Não vi.

Explicação

A lei não exige tiro nem morte

O crime de golpe de Estado está no art. 359-M do Código Penal. O núcleo do tipo é tentar depor o governo legitimamente constituído por meio de violência ou grave ameaça. O dispositivo não exige arma de fogo, disparo, lesão com sangramento ou morte. Portanto, a ausência de tiros, por si só, não descaracteriza o crime.

Explicação

O STF reconheceu violência e condenou por golpe

Ao analisar a materialidade dos crimes ligados à trama que culminou em 8 de janeiro, o STF registrou que houve violência e grave ameaça. O tribunal destacou que manifestantes romperam violentamente barreiras da Polícia Militar e que policiais foram gravemente feridos. Esses fatos são incompatíveis com a ideia de que apenas tiros ou derramamento de sangue poderiam preencher o requisito de violência.

A classificação jurídica também não era apenas uma acusação pendente quando Zema falou. Em dezembro de 2023, o STF registrou o trânsito em julgado da condenação de Matheus Lima de Carvalho Lázaro, participante da invasão do Congresso, por golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e outros crimes. A decisão é um exemplo definitivo de que condutas do 8 de Janeiro foram juridicamente reconhecidas como golpe mesmo sem o requisito inventado de tiros ou sangue.

Contexto e limites

O que a conclusão não significa

Isso não significa que toda pessoa que esteve nos atos tenha cometido golpe de Estado. O enquadramento depende da conduta e das provas de cada caso. A defesa mais forte da fala de Zema é que a lei realmente exige violência ou grave ameaça, além da finalidade de depor o governo. Mas, nos casos mais graves, o STF reconheceu justamente esses elementos; o Código Penal não transforma tiros ou sangue em condição adicional.

Fontes

  1. Zema ao SBT: não teve tiro no 8/1, então não tentaram golpe Entrevista

    SBT News · 19/08/2026

    Alegação original

    Contribuição: Estabelece a formulação, o contexto e a inferência atribuída a Romeu Zema.

    • Fala sobre 8 de Janeiro: SBT registra a fala “Teve tiro? Não teve tiro. Teve derramamento de sangue? Não vi” e resume que Zema usou essa ausência para descaracterizar tentativa de golpe.

    Limites: A reportagem preserva o trecho e a interpretação editorial do próprio SBT, mas esta checagem não inspecionou uma transcrição integral da sabatina para além do material publicado pelo veículo.

    Disponível

    Abrir fonte

  2. Código Penal — art. 359-M, Golpe de Estado Documento

    Senado Federal

    Evidência

    Contribuição: Define os elementos legais do crime de golpe de Estado e mostra que tiros, sangue ou morte não são requisitos do tipo.

    • Art. 359-M: Tentar depor, por meio de violência ou grave ameaça, o governo legitimamente constituído.

    Limites: O texto legal define o tipo penal; a responsabilização de pessoas concretas depende da prova e do julgamento de cada caso.

    Disponível

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  3. STF determina cumprimento da primeira pena definitiva por atos do 8 de janeiro Documento

    Supremo Tribunal Federal · 15/12/2023

    Evidência

    Contribuição: Demonstra que, antes da fala de 2026, já havia condenação definitiva de participante dos ataques por golpe de Estado.

    • Condenação: STF registra trânsito em julgado da AP 1183 e condenação por golpe de Estado, abolição violenta, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

    Limites: A decisão diz respeito a um réu específico e não autoriza imputar automaticamente os mesmos crimes a todos os presentes no 8 de Janeiro.

    Disponível

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  4. STF recebe denúncia contra Núcleo 1 por tentativa de golpe de Estado Documento

    Supremo Tribunal Federal · 26/03/2025

    Evidência

    Contribuição: Mostra quais fatos de violência e grave ameaça o STF considerou relevantes para a materialidade dos crimes que culminaram no 8 de Janeiro.

    • Materialidade: STF relata violência e grave ameaça, ruptura violenta das barreiras da Polícia Militar e policiais gravemente feridos; registra que essa materialidade já havia sido reconhecida em centenas de denúncias sobre os mesmos crimes.

    Limites: A notícia trata do recebimento de denúncia contra o Núcleo 1, etapa em que a autoria individual ainda seria julgada no mérito; a passagem citada sobre violência e grave ameaça é usada aqui para caracterizar os meios empregados, não para antecipar culpa desses réus.

    Disponível

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Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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