Atlas da Mentira · checagem verificável

Selic caiu para perto de 6% quando Michel Temer assumiu a Presidência

Enganoso.

A Selic caiu fortemente durante o governo Michel Temer e chegou a 6,5% em março de 2018, patamar próximo de 6%. Mas, quando Temer assumiu interinamente em maio de 2016 e definitivamente em agosto daquele ano, a taxa estava em 14,25%. O ciclo de cortes começou apenas em outubro de 2016. A taxa de 6,0% só foi alcançada em julho de 2019, já no governo Jair Bolsonaro.

Qualificações importantes

Se “quando Michel Temer assumiu” for entendido de modo amplo como “durante o governo Temer”, a fala tem um núcleo correto: a Selic caiu de 14,25% para 6,5% no período e permaneceu nesse patamar até o fim de 2018.

Temer começou a exercer interinamente a Presidência em 12 de maio de 2016 e tomou posse definitiva em 31 de agosto. A distinção entre essas datas não altera a conclusão: a meta Selic era 14,25% nos dois momentos.

O menor patamar do governo Temer foi 6,5%, que pode ser descrito informalmente como “em termos de 6%”. A meta de 6,0% só entrou em vigor em agosto de 2019, após decisão do Copom de 31 de julho daquele ano.

O que foi checado

A taxa Selic caiu para patamar próximo de 6% quando Michel Temer assumiu a Presidência.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Ronaldo Caiado · Atribuição verificada
Função na época
candidato à Presidência
Data da declaração
23/08/2026
Contexto
Primeiro debate presidencial de 2026, promovido pela Band.

Como a proposição foi normalizada: A formulação preserva uma ambiguidade material da fala. “Quando Michel Temer assumiu” pode ser entendido como no momento da posse ou, de forma mais favorável, durante seu governo. A checagem testa as duas leituras: a Selic era de 14,25% quando Temer assumiu e chegou a 6,5% quase dois anos depois, ainda em seu mandato.

vou fazer com que a taxa de juros caia a patamares como já caíram, em termos de 6%, quando Michel Temer assumiu o governo

Contexto original

O que Caiado disse

No debate presidencial da Band em 23 de agosto de 2026, Ronaldo Caiado defendeu contenção de despesas e juros mais baixos. Como referência, citou o período de Michel Temer.

vou fazer com que a taxa de juros caia a patamares como já caíram, em termos de 6%, quando Michel Temer assumiu o governo

Explicação

Quando Temer assumiu, a Selic estava em 14,25%

Michel Temer assumiu interinamente a Presidência em 12 de maio de 2016 e foi empossado definitivamente em 31 de agosto. O histórico do Banco Central mostra que a meta Selic estava em 14,25% ao ano desde julho de 2015 e continuava em 14,25% nas reuniões de abril, junho, julho e agosto de 2016. O primeiro corte do período ocorreu em 19 de outubro de 2016, para 14,0%.

Explicação

A taxa chegou a 6,5% quase dois anos depois

O ciclo de cortes prosseguiu ao longo de 2017 e 2018. Em 21 de março de 2018, o Copom reduziu a meta Selic de 6,75% para 6,50%. Esse patamar foi mantido até o fim do governo Temer, em dezembro de 2018. A redução, portanto, ocorreu durante seu mandato, mas não no momento em que ele assumiu.

A meta só chegou exatamente a 6,0% depois: o Copom decidiu esse nível em 31 de julho de 2019, com vigência a partir de 1º de agosto, já no governo seguinte.

Contexto e limites

A frase mistura uma trajetória correta com um marco temporal errado

A interpretação mais favorável a Caiado é ler “quando Temer assumiu” como uma referência genérica ao governo Temer. Nessa leitura, a comparação tem base: a Selic realmente caiu de 14,25% para 6,5% durante o mandato. O problema é que a construção também transmite a ideia de que o patamar próximo de 6% acompanhou a chegada de Temer ao poder, quando ele só foi atingido em março de 2018. Por isso, a formulação é enganosa, e não simplesmente falsa.

Fontes

  1. Band faz 1º debate presidencial: veja como ele foi por aspas dos candidatos Entrevista

    Band · 24/08/2026

    Alegação original

    Contribuição: Preserva a formulação completa e o contexto econômico da declaração no veículo que transmitiu o debate.

    • Economia — Ronaldo Caiado: A Band reproduz a fala sobre a taxa de juros cair “em termos de 6%” quando Michel Temer assumiu o governo.

    Limites: A página reúne trechos selecionados do debate, não uma transcrição integral.

    Disponível

    Abrir fonte

  2. Taxas de juros básicas — Histórico Base de dados

    Banco Central do Brasil

    Evidência

    Contribuição: Fornece a série oficial que permite separar a taxa vigente na posse de Temer do menor patamar atingido durante seu governo e do momento em que a meta chegou exatamente a 6,0%.

    • Reuniões de 2016: A meta Selic permaneceu em 14,25% nas reuniões de 27/4, 8/6, 20/7 e 31/8/2016; em 19/10/2016 foi reduzida para 14,00%.
    • Reuniões de 2017 e 2018: A Selic caiu para 7,00% em 6/12/2017, 6,75% em 7/2/2018 e 6,50% em 21/3/2018, permanecendo em 6,50% até dezembro de 2018.
    • Reunião de 31/7/2019: Em 31/7/2019 o Copom reduziu a meta Selic de 6,50% para 6,00%, com vigência a partir de 1º/8/2019.

    Limites: A série mostra a meta fixada pelo Copom; não atribui causalmente a trajetória da Selic a um presidente da República.

    Disponível

    Abrir fonte

  3. Copom reduz taxa Selic para 6,50% ao ano — 213ª reunião Documento

    Banco Central do Brasil · 21/03/2018

    Evidência

    Contribuição: Confirma a data e o valor em que a Selic atingiu 6,50% durante o governo Temer.

    • Decisão de março de 2018: Em 21/3/2018 o Copom decidiu reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 6,50% ao ano.

    Disponível

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  4. A trajetória política do novo presidente Documento

    Senado Federal · 31/08/2016

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Estabelece as datas relevantes para interpretar a expressão “quando Michel Temer assumiu”.

    • Assunção interina: Michel Temer assumiu interinamente a Presidência em 12 de maio de 2016.
    • Posse definitiva: Após o impeachment, Temer foi empossado definitivamente em 31 de agosto de 2016 para mandato até 31 de dezembro de 2018.

    Disponível

    Abrir fonte

  5. Checamos em tempo real o debate presidencial da Band Documento

    Aos Fatos · 23/08/2026

    Contexto

    Contribuição: Corrobora contemporaneamente a formulação e a leitura temporal baseada na série do Banco Central.

    • Ronaldo Caiado — juros: Aos Fatos transcreveu a fala e registrou que a Selic era 14,25% quando Temer assumiu e chegou a 6,5% em março de 2018, mantendo-se nesse nível até o fim do mandato.

    Limites: É fonte secundária de checagem; os valores decisivos são verificados diretamente no Banco Central.

    Disponível

    Abrir fonte

Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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