Atlas da Mentira · checagem verificável

Segundo o governo, 23,1% das exportações brasileiras aos EUA ficaram sujeitas a novas sobretaxas

Sim, como estimativa oficial: o MDIC calculou que 23,1% da pauta exportada pelo Brasil aos Estados Unidos em 2024 corresponde a produtos sujeitos às novas sobretaxas de julho de 2026.

A nota do MDIC publicada em julho e atualizada em outubro de 2026 confirma exatamente o percentual mencionado pelo deputado. O total reúne 4,7% sob tarifa extra de 12,5%, 1,9% sob 25% e 16,5% sob as duas, que somam 37,5%. A proporção é baseada nos valores exportados em 2024, não na cobrança efetiva sobre embarques de 2026.

Qualificações importantes

Os 23,1% representam uma estimativa baseada no valor exportado em 2024. Não são medida de exportações efetivamente sobretaxadas em 2026 nem de impostos efetivamente pagos.

A parcela diz respeito às duas novas medidas da Seção 301. O quadro do MDIC classifica, separadamente, 24,2% da pauta de 2024 em tarifas setoriais da Seção 232 e 52,7% sem essas sobretaxas adicionais.

A transcrição da fala consta de uma nota da Câmara, mas não foi cotejada com gravação integral da sessão; a literalidade depende do registro institucional.

Confirmar o índice não demonstra que a diplomacia brasileira tenha causado a imposição das tarifas. Essa crítica política é distinta da proposição numérica checada.

O que foi checado

Segundo os próprios dados do governo brasileiro, 23,1% das nossas exportações para aquele mercado ficaram sujeitas a novas sobretaxas comerciais.

Forma
Declaração literal
Atribuição
Luiz Philippe de Orleans e Bragança · Atribuição verificada
Função na época
Deputado federal (PL-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional
Data da declaração
04/11/2026
Contexto
Reabertura dos trabalhos da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados

Como a proposição foi normalizada: No contexto, 'aquele mercado' designa os Estados Unidos. 'Ficaram sujeitas' não equivale necessariamente a tarifas efetivamente cobradas; o deputado não explicitou o período-base nessa passagem.

E, com os EUA, chegamos a uma situação em que, segundo os próprios dados do governo brasileiro, 23,1% das nossas exportações para aquele mercado ficaram sujeitas a novas sobretaxas comerciais.

Explicação

O que mostram os dados do governo

O percentual citado pelo deputado corresponde ao dado oficial publicado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em 24 de julho de 2026. A pasta estimou que aproximadamente 23,1% do valor das exportações brasileiras aos Estados Unidos estaria sujeito às novas sobretaxas aplicadas com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O número continuava na página atualizada pelo órgão em 26 de outubro.

Segundo o ministério, a parcela inclui 4,7% da pauta exportadora sujeita exclusivamente à sobretaxa de 12,5%; 1,9% exclusivamente à de 25%; e 16,5% alcançada simultaneamente pelas duas medidas, com sobretaxa acumulada de 37,5%. Máquinas e equipamentos, certos produtos de madeira, calçados, móveis e confecções aparecem entre os produtos da última categoria. As três parcelas somam os 23,1% mencionados na fala.

O denominador é fundamental para interpretar o dado. A estimativa aplica as regras de 2026 à estrutura do comércio bilateral de janeiro a dezembro de 2024, ano em que, segundo o MDIC, o Brasil exportou US$ 40,4 bilhões aos Estados Unidos. Portanto, 23,1% não é uma contagem de embarques de 2026 efetivamente submetidos à cobrança. O quadro também classifica 24,2% da pauta de 2024 em produtos sujeitos a tarifas setoriais distintas, sob a Seção 232, e 52,7% em produtos sem aquelas sobretaxas adicionais.

Contexto original

O que disse o deputado

A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados publicou, em 4 de novembro, uma nota atribuindo a Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) a declaração de que, segundo dados do governo brasileiro, 23,1% das exportações para o mercado dos EUA ficaram sujeitas a novas sobretaxas comerciais. Ele usou o índice ao criticar a condução da política externa, mas reconheceu no trecho seguinte que as decisões tarifárias são de responsabilidade dos Estados Unidos.

Os anúncios do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) confirmam a existência das duas medidas que o MDIC reuniu na estimativa. Em 15 de julho, o órgão informou uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros. Em 23 de julho, anunciou tarifas para 60 economias no âmbito de investigação sobre restrições a produtos associados ao trabalho forçado, com alíquota de 12,5% no grupo que abrange o Brasil. Isso dá suporte à descrição das medidas, mas não demonstra a interpretação política de que eventual falha da diplomacia brasileira tenha causado sua adoção.

Método

Como checamos

A checagem confrontou a fala reproduzida pela Câmara com a nota do próprio MDIC, examinou o quadro que discrimina o percentual por regime tarifário e verificou os anúncios originais das autoridades comerciais dos Estados Unidos. Uma notícia da Reuters publicada em 24 de julho já registrava a estimativa de 23,1% atribuída ao MDIC. Não tivemos acesso, nesta apuração, à gravação integral do pronunciamento para conferir a transcrição institucional; tampouco reprocessamos os microdados da pauta exportadora usados pelo ministério. Por isso, o veredito confirma a fidelidade ao dado governamental, com seu ano-base e suas exceções, e não uma auditoria independente de cada operação aduaneira.

Fontes

  1. Comissão cobra respeito à diplomacia parlamentar e uma Política Externa de Estado Documento

    Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados · 04/11/2026

    Alegação original

    Contribuição: Registra e atribui a fala de 4/11/2026 ao deputado e a situa em sua crítica à política externa.

    • Declaração de Luiz Philippe sobre política externa e tarifas norte-americanas: Parágrafo iniciado por 'Luiz Philippe assinalou que o Brasil rebaixou...'

    Limites: Nota institucional, não cotejada com gravação original da sessão.

    Disponível

    Abrir fonte

  2. Alcance das Medidas Tarifárias dos Estados Unidos sobre Exportações Brasileiras Documento

    Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) · 24/07/2026 · Atualização de 26/10/2026, às 15h40, indicada na página

    Evidência

    Contribuição: Confirma, como estimativa governamental, o índice de 23,1% aplicado ao valor exportado em 2024, com a discriminação da incidência por tarifa.

    • Estimativa de 23,1% e distribuição por medidas da Seção 301: Parágrafo iniciado por 'Com base no comércio bilateral de 2024' e três itens subsequentes
    • Exportação brasileira aos EUA, jan–dez 2024: Total US$ 40,4 bi; participações de 52,7%, 1,9%, 4,7%, 16,5% e 24,2%
    • Regras das medidas de 2026 e distinção da Seção 232: Parágrafos sobre decisões de 15 e 23 de julho e sobre a acumulação das sobretaxas

    Limites: Estimativa sobre a pauta de 2024; não é medição de exportações efetivamente taxadas em 2026.; Percentuais e valores arredondados na nota; microdados e cálculos aduaneiros não foram reprocessados independentemente.

    Disponível

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  3. USTR Section 301 Action on Brazil’s Unreasonable Acts, Policies, and Practices Documento

    Office of the United States Trade Representative (USTR) · 15/07/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Confirma a medida de 25% publicada pelo órgão norte-americano, sem quantificar a participação brasileira atingida.

    • Decisão de tarifa de 25% sobre certos produtos brasileiros: Abertura do comunicado de 15 July 2026

    Limites: Posição oficial do governo que aplicou a sobretaxa; não apresenta os 23,1%.

    Disponível

    Abrir fonte

  4. USTR Takes Action in Forced Labor Section 301 Investigations Documento

    Office of the United States Trade Representative (USTR) · 23/07/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Confirma a segunda medida anunciada pelos EUA em julho, cuja alíquota para o grupo do Brasil é de 12,5%.

    • Medida de 12,5% no âmbito da investigação de trabalho forçado: Item sobre 12.5 percent for all other investigated economies, mais exceções

    Limites: Não computa a parcela das exportações brasileiras sob a medida.

    Disponível

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  5. Novas tarifas dos EUA alcançam 23,1% das exportações brasileiras, diz MDIC Documento

    Reuters (republicada no UOL) · 24/07/2026

    Contexto

    Contribuição: Repercussão jornalística contemporânea da estimativa do ministério, antes da fala do deputado.

    • Notícia com a estimativa do MDIC: Parágrafos de abertura de 24/07/2026

    Limites: Repete o dado do MDIC, sem auditoria independente da conta.

    Disponível

    Abrir fonte

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Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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