Atlas da Mentira · checagem verificável

Rogério Marinho anunciou o fim do 13º e do BPC, aposentadoria aos 75 e 72 anos e jornada diária de 12 horas

Não. A postagem apresenta como se fossem propostas anunciadas por Rogério Marinho medidas que não constam da entrevista usada como referência nem do plano de governo oficial de Flávio Bolsonaro.

Na entrevista de março de 2026, Marinho defendeu revisitar as reformas da Previdência e trabalhista, mas não anunciou o fim do 13º salário ou do BPC, nem idades de aposentadoria de 75 e 72 anos ou jornada de 12 horas. O programa registrado no TSE também não apresenta esse pacote. Há estudos noticiados sobre regras de reajuste do INSS e do BPC, o que é diferente de extinguir benefícios.

Qualificações importantes

A campanha declarou interesse em novas reformas e propôs flexibilização de relações de trabalho; negar o anúncio dessas medidas específicas não equivale a negar qualquer possibilidade de reforma.

A Folha relatou estudo de limitar os reajustes previdenciários e do BPC à inflação, contestado publicamente pela campanha. Mudar o reajuste é distinto de extinguir o BPC, e propostas discutidas internamente não são automaticamente medidas oficiais.

A primeira autoria e a íntegra sem marcações editoriais da postagem não foram localizadas; a checagem utiliza a reprodução parcial do UOL Confere e não atribui sua criação a pessoa ou partido identificado.

O que foi checado

Rogério Marinho teria anunciado que a campanha de Flávio Bolsonaro pretende extinguir o 13º salário e o BPC, elevar a idade mínima de aposentadoria a 75 anos para homens e 72 para mulheres e ampliar a jornada diária de trabalho para 12 horas.

Forma
Implícita
Atribuição
Publicação de origem não identificada difundida em redes sociais, preservada parcialmente pelo UOL Confere · Atribuição verificada
Primeiro registro observado
07/10/2026
Contexto
Peça digital de campanha eleitoral circulando em redes, reproduzida em reportagem de 7 de outubro de 2026.

Como a proposição foi normalizada: A montagem circulante apresenta a intenção de novas reformas atribuída a Marinho e, imediatamente abaixo, lista medidas específicas como se integrassem esse anúncio. A lista não aparece como citação literal do senador. O objeto verificável é a atribuição de um pacote específico à fala e à campanha, não a possibilidade abstrata de mudanças previdenciárias ou trabalhistas.

Limite de atribuição: A circulação da peça foi documentada; autoria, postagem integral sem intervenção e data inicial não foram verificadas. Rogério Marinho é pessoa mencionada, não autor da postagem.

Futura ministra do Flávio quer implantar essa reforma

Contexto original

O que a publicação afirma

Uma peça difundida em redes sociais associa o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho, a uma nova reforma da Previdência e trabalhista. Sob esse anúncio, lista elevação da idade mínima de aposentadoria a 75 anos para homens e 72 para mulheres, fim do BPC, fim do 13º salário e jornada de 12 horas por dia. A legenda diz que uma futura ministra do candidato desejaria implementar a reforma, sem identificá-la. A combinação do título com a lista induz o leitor a entender que essas medidas foram anunciadas pela campanha.

O material consultável é uma reprodução editorial no UOL Confere, com selo de verificação sobreposto. A conta originária, o contexto completo da publicação e sua data inicial não foram estabelecidos; tampouco se deve confundir Rogério Marinho, citado pela peça, com o autor desconhecido da postagem.

Explicação

O que Marinho de fato disse

Em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo em 5 de março de 2026, Rogério Marinho afirmou que o eventual governo de Flávio Bolsonaro deveria revisitar reformas previdenciárias e trabalhistas. Disse que o modelo previdenciário demandaria revisão e defendeu atualizar a legislação trabalhista para novas formas de trabalho. Porém, evitou detalhar medidas e não apresentou os limites de idade, a jornada de 12 horas ou a extinção dos direitos e benefícios indicados na postagem.

O programa de governo disponibilizado pelo Tribunal Superior Eleitoral contém compromisso de manter programas sociais existentes (página 42) e de reduzir gradualmente o custo do trabalho sem retirar direitos (página 43). Defende jornada flexível e maior espaço para negociação entre empregados e empregadores, mas não fixa jornada diária de 12 horas nem prevê abolir o 13º salário, extinguir o BPC ou instituir as idades de 75 e 72 anos citadas na peça. O documento também aborda combate a fraudes no INSS (página 72).

A assessoria da campanha negou ao UOL Confere as medidas atribuídas ao candidato. Essa manifestação indica a posição oficial naquele momento, mas não é, por si só, prova de que nenhuma proposta futura possa alterar direitos; o principal contraste está entre a lista específica da peça, a entrevista original e o programa efetivamente apresentado.

Contexto e limites

Há discussões de mudanças previdenciárias?

Sim. Reportagem da Folha de 7 de outubro relatou que interlocutores da equipe econômica estudavam restringir os reajustes de aposentadorias e do BPC aos índices de inflação, em vez de vinculá-los a eventuais ganhos reais do salário mínimo. A própria campanha argumentou que conversas informais não representavam posição oficial. Trata-se de discussão com efeito potencial nos valores futuros, não de anúncio de extinção do BPC ou do 13º salário nem da combinação de medidas do post.

Em 8 de outubro, Flávio Bolsonaro disse a jornalistas que continuaria elevando aposentadorias acima da inflação; a Reuters também registrou manifestação de Adolfo Sachsida sobre manter programas sociais. Essas declarações não eliminam a discussão sobre reformas e não autorizam prever o resultado de um eventual governo, mas reforçam que não houve anúncio público identificado do pacote atribuído a Marinho.

O veredito é falso quanto à atribuição das medidas específicas como anúncio de Rogério Marinho e da campanha. Não se baseia na suposição de que nenhuma reforma será proposta no futuro, nem em afirmar que a ausência de uma medida no programa, isoladamente, provaria sua impossibilidade.

Fontes

  1. Campanha de Flávio Bolsonaro não disse que vai acabar com o 13º Fonte

    UOL Confere · 07/10/2026 · Atualização de 08/10/2026, 12h32

    Alegação original, Contexto

    Contribuição: Preserva a circulação, o enquadramento e uma imagem anotada da postagem atribuída à campanha, sem que o veredito jornalístico substitua a apuração independente.

    • O que está circulando: Texto e imagem da publicação nas redes
    • Por que é falso: Relato de resposta da assessoria de campanha e contexto

    Limites: A autoria primária, URL e data de criação do post no Threads não foram estabelecidas.; Reprodução é parcial, anotada com selo editorial, e não representa o arquivo original íntegro da postagem.

    Disponível

    Abrir fonte

  2. Arte UOL Confere com reprodução parcial de postagem sobre reformas Imagem

    UOL Confere · 07/10/2026

    Alegação original

    Contribuição: Permite observar que a postagem vinculou a Rogério Marinho e ao futuro governo medidas numéricas específicas sobre aposentadoria, 13º, BPC e jornada.

    • Imagem da postagem reproduzida: Título e tópicos sob 'Previdência' e 'Reforma Trabalhista'; legenda 'Futura ministra...'

    Limites: Montagem do UOL com marca d'água e selo 'FALSO'; não é imagem nativa integral sem intervenções.; Identificador da conta publicadora e URL da primeira postagem não estão legíveis/disponíveis.

    Disponível

    Abrir fonte

  3. Coordenador da campanha de Flávio prevê revisitar reformas da Previdência e trabalhista Entrevista

    Folha de S.Paulo · 05/03/2026 · Atualizada em 06/03/2026, 13h51

    Evidência

    Contribuição: Entrevista original com Rogério Marinho: anuncia intenção geral de revisitar reformas, evita detalhar medidas e não apresenta pacote específico da postagem.

    • Trechos da entrevista sobre Previdência e legislação trabalhista: Parágrafos iniciados por 'Marinho evitou detalhar' e declarações seguintes, 05/03/2026

    Limites: Entrevista é prova do que foi dito naquele diálogo, não inventário de todas as manifestações possíveis do senador.; A página pode impor regras de assinatura em outros acessos.

    Disponível

    Abrir fonte

  4. Para o Brasil vencer o atraso — Diretrizes do Plano de Governo 2027-2030, Flávio Bolsonaro Documento

    Tribunal Superior Eleitoral (arquivo apresentado pela candidatura) · PDF de 76 páginas, texto 'versão final' divulgado no TSE, consultado em 10/10/2026

    Evidência

    Contribuição: Programa da candidatura, consultado no sítio do TSE, promete manter programas sociais e reduzir custo do trabalho sem retirar direitos; apresenta flexibilização contratual, mas não as medidas numéricas e extinções da publicação.

    • Manutenção dos programas sociais: 42 (página impressa; índice 41 no PDF)
    • Redução do custo do trabalho e jornada flexível: 43–45 (páginas impressas; índices 42–44 no PDF)
    • Pacote de combate a fraudes no INSS: 72 (página impressa; índice 71 no PDF)

    Limites: Plano de governo é declaração pública da candidatura, não garantia de decisões futuras ou descrição exaustiva de toda discussão interna.; A ausência de determinada proposta no PDF não comprova, isoladamente, sua inexistência em outros debates.

    Disponível

    Abrir fonte

  5. Flávio considera mudar correção da Previdência, da saúde e da educação para obter até R$ 250 bi Fonte

    Folha de S.Paulo · 07/10/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Reportagem própria de fontes da campanha aponta análise de mudança de critério de reajuste de INSS e BPC, mas não extinção desses benefícios nem o pacote exato da postagem; registra negação de status oficial pela assessoria.

    • Pacote sob estudo: Trechos que abordam desvinculação de reajustes do INSS/BPC do ganho real do salário mínimo e posicionamento da campanha

    Limites: Discussões atribuídas a interlocutores e assessores não constituem proposta oficial aprovada ou anúncio público de Rogério Marinho.; A página pode exigir assinatura de alguns usuários.

    Disponível

    Abrir fonte

  6. Brazil's Flavio Bolsonaro vows to keep pension increases above inflation rate Fonte

    Reuters · 08/10/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Registro independente da manifestação pública de Flávio Bolsonaro e do coordenador econômico Adolfo Sachsida sobre manutenção de programas e reajuste de aposentadorias; relata a controvérsia da reportagem da Folha.

    • Reações à notícia sobre ajuste: Declarações de Flávio Bolsonaro e Adolfo Sachsida em 08/10/2026

    Limites: Parte da descrição de estudos fiscais remete à reportagem da Folha e não representa confirmação independente das fontes internas.; Declarações de candidatos e assessores informam posições anunciadas, não asseguram implementação futura.

    Disponível

    Abrir fonte

Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

  • A autoria original da publicação não foi identificada; análise da reprodução parcial feita pelo UOL Confere.
  • Não houve contato independente com a campanha; a posição da assessoria foi registrada por reportagem do UOL e declarações públicas reportadas pela Reuters.

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