Atlas da Mentira · checagem verificável

SP foi 3º no Ideb inicial e 5º no final em 2023, mantendo essas posições em 2025

Enganoso. É possível reproduzir as posições citadas por Tarcísio, mas só combinando dois recortes de rede e, em 2023, duas maneiras diferentes de tratar empates. Nos anos iniciais, a equipe paulista usa o conjunto da rede pública; nos anos finais, usa apenas a rede estadual. Em 2023, São Paulo tinha 6,2 nos anos iniciais da rede pública: Ceará e Paraná, ambos com 6,5, estavam à frente, o que coloca o estado em 3º se cada UF à frente conta para a posição. Já nos anos finais da rede estadual, São Paulo tinha 5,1: cinco UFs tinham nota maior, o que daria 6º por essa mesma regra, mas apenas quatro faixas de nota eram superiores (5,5; 5,4; 5,3; 5,2), o que produz 5º num ranking denso. Em 2025, a rede pública paulista ficou com 6,5 nos anos iniciais, atrás apenas de Paraná e Ceará, e a rede estadual marcou 5,2 nos anos finais; seis UFs tinham notas maiores, mas distribuídas em quatro faixas, o que novamente permite chamar São Paulo de 5º apenas pelo ranking denso.

O Ideb divulga notas, não um ranking ordinal único com uma regra oficial de desempate. A fala omitiu que alterna entre rede pública e rede estadual e que a posição de 5º nos anos finais depende de agrupar empates por faixas de nota. Em 2023, a própria combinação 3º/5º não decorre de uma única convenção de ranking.

Qualificações importantes

A escolha da rede pública para os anos iniciais tem justificativa substantiva: em São Paulo, essa etapa é majoritariamente municipal e a rede estadual atende uma parcela minoritária das matrículas. O problema é que a mudança de universo para rede estadual nos anos finais não foi explicitada na fala.

Há duas convenções plausíveis para empates. Pela posição competitiva, a colocação é 1 mais o número de UFs com nota estritamente maior. Pelo ranking denso, contam-se apenas as faixas distintas de nota acima. O Ideb publica as notas; a colocação depende da convenção escolhida.

  • Ideb — resultados 2005 | 2025 Regiões e estados: Página oficial publicada em 5 de agosto de 2026, com links para as tabelas de Ensino Fundamental Regular e Ensino Médio Regular por regiões e estados e para os resultados por dependência administrativa.
  • IPECE Informe nº 257 — resultados do Ideb 2023 Gráfico 4 — anos iniciais, rede pública, 2023: Mostra Ceará e Paraná com 6,5; São Paulo e Santa Catarina com 6,2, seguidos pelas demais UFs.
  • IPECE Informe nº 257 — resultados do Ideb 2023 Gráfico 10 — anos finais, rede estadual, 2023: Mostra Goiás 5,5; Paraná 5,4; Espírito Santo e Ceará 5,3; Piauí 5,2; São Paulo 5,1, seguidos pelas demais UFs.

As notas usadas por São Paulo melhoraram entre 2023 e 2025: de 6,2 para 6,5 nos anos iniciais da rede pública e de 5,1 para 5,2 nos anos finais da rede estadual. A checagem trata das posições relativas e da metodologia do ranking, não nega o avanço absoluto.

Uma publicação de Daniel Barros, integrante da Secretaria da Educação paulista, documenta explicitamente o uso de rede pública nos anos iniciais e rede estadual nos anos finais e chama São Paulo de 3º e 5º. O post, porém, não declara a regra de ranking e afirma empate com Minas Gerais nos anos finais de 2025; essa parte não coincide com as notas reconstruídas, nas quais Minas tem 5,5 e São Paulo 5,2.

O que foi checado

Em 2023, São Paulo ficou em terceiro lugar nos anos iniciais do ensino fundamental e em quinto nos anos finais, e manteve essas posições no Ideb de 2025.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Tarcísio de Freitas · Atribuição verificada
Função na época
governador de São Paulo e candidato à reeleição
Data da declaração
09/08/2026
Contexto
Primeiro debate entre candidatos ao governo de São Paulo em 2026, promovido pela Band.

Como a proposição foi normalizada: A fala não explicitou se o ranking se referia exclusivamente à rede estadual ou ao conjunto das redes públicas no estado. Como o locutor é o governador e atribui o desempenho ao próprio governo, a rede estadual é o recorte principal; o conjunto da rede pública é tratado como a defesa alternativa mais favorável.

Em 2023, a gente tinha um ano só de governo. Nós tínhamos sido o terceiro no Ensino Fundamental 1, o quinto no Fundamental 2 e o oitavo no Ensino Médio. E a situação de hoje qual é? Nós somos o terceiro no Fundamental 1, nós somos o quinto no Fundamental 2.

Contexto original

O que Tarcísio afirmou

No debate da Band de 9 de agosto de 2026, Tarcísio de Freitas disse que São Paulo havia sido “o terceiro no Ensino Fundamental 1” e “o quinto no Fundamental 2” em 2023 e que permanecia nessas posições em 2025. A fala não informou qual dependência administrativa — rede pública ou apenas rede estadual — nem qual regra de ranking seria usada para empates.

Método

O Ideb publica notas; o ranking depende de como se tratam os empates

O Inep divulga resultados do Ideb por unidade da Federação e por dependência administrativa, inclusive em tabelas próprias para regiões e estados. A transformação das notas em “1º, 2º, 3º...” exige uma convenção para os empates. Nesta checagem, comparamos duas: a posição competitiva, em que cada UF com nota maior ocupa espaço na frente, e o ranking denso, em que notas iguais formam uma única faixa e a faixa seguinte recebe a posição imediatamente posterior.

  • Ideb — resultados 2005 | 2025 Regiões e estados: Página oficial publicada em 5 de agosto de 2026, com links para as tabelas de Ensino Fundamental Regular e Ensino Médio Regular por regiões e estados e para os resultados por dependência administrativa.

A defesa mais favorável ao governador também alterna o universo comparado. Daniel Barros, da Secretaria da Educação paulista, registrou após a divulgação do Ideb 2025: anos iniciais pela rede pública e anos finais pela rede estadual. O governo já havia dito ao UOL que, nos anos iniciais, considera inadequado olhar apenas a rede estadual porque a oferta paulista nessa etapa é majoritariamente municipal.

Explicação

Em 2023, os dois números exigem regras diferentes para empates

Nos anos iniciais da rede pública, o IPECE reproduz os dados do Inep com Ceará e Paraná em 6,5, seguidos por São Paulo e Santa Catarina em 6,2. São Paulo é 3º se a posição for calculada como uma unidade mais o número de UFs à frente: há duas, Ceará e Paraná. Num ranking denso por faixas distintas de nota, porém, 6,2 seria a segunda faixa, e São Paulo apareceria em 2º.

Nos anos finais da rede estadual, a mesma fonte mostra Goiás com 5,5, Paraná com 5,4, Espírito Santo e Ceará com 5,3, Piauí com 5,2 e São Paulo com 5,1. Há cinco UFs com nota superior, portanto São Paulo fica em 6º pela contagem de estados à frente. Mas há apenas quatro faixas de nota superiores — 5,5; 5,4; 5,3; 5,2 — e, pelo ranking denso, 5,1 ocupa a 5ª faixa. Assim, o “3º” dos anos iniciais e o “5º” dos anos finais não saem de uma única regra de ranking em 2023.

Explicação

Em 2025, o 3º lugar é direto; o 5º ainda depende do ranking denso

Na rede pública dos anos iniciais, São Paulo marcou 6,5 em 2025, atrás de Paraná, com 6,9, e Ceará, com 6,8, e empatado com Santa Catarina. Nesse caso, São Paulo pode ser descrito como 3º tanto pela contagem de UFs à frente quanto pelo ranking por faixas de nota.

Na rede estadual dos anos finais, São Paulo marcou 5,2. Uma reportagem baseada nos resultados recém-divulgados do Ideb lista seis estados com desempenho maior — Paraná, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Espírito Santo — e coloca São Paulo em 7º quando se contam as UFs à frente. As notas disponíveis para esses estados formam quatro faixas superiores: Paraná com 5,8; Ceará e Goiás com 5,6; Minas Gerais e Espírito Santo com 5,5; e Rio Grande do Sul com 5,4. Nesse ranking denso, a nota 5,2 de São Paulo é a 5ª faixa. É esse tratamento dos empates que torna defensável o “5º lugar”.

Contexto e limites

Por que a fala é enganosa

Os números anunciados não são inventados: existe uma combinação de recortes e regras capaz de produzir 3º e 5º em 2023 e em 2025. Mas a combinação não é transparente. Ela usa toda a rede pública nos anos iniciais, apenas a rede estadual nos anos finais e, em 2023, muda a própria convenção de ranking entre as duas etapas. Como o Ideb fornece notas e não impõe um único ranking ordinal, apresentar as colocações sem esses critérios faz parecer que se trata de posições oficiais, homogêneas e diretamente comparáveis. Por isso, a afirmação é enganosa, e não simplesmente falsa.

Fontes

  1. Debate: Tarcísio erra dados de educação, e Haddad, renegociação de dívida Documento

    UOL Confere · 10/08/2026

    Alegação original, Evidência, Contexto

    Contribuição: Preserva a fala original e a defesa oficial sobre o uso da rede pública nos anos iniciais.

    • Fala de Tarcísio sobre o Ideb: Reproduz a afirmação de 3º lugar nos anos iniciais, 5º nos finais e manutenção dessas posições.
    • Checagem das posições da rede estadual: Registra a leitura ordinal de 6º em 2023 e 7º em 2025 quando se contam as UFs à frente.
    • Contestação do governo de São Paulo: A Secretaria de Comunicação argumenta que, nos anos iniciais, o recorte adequado é a rede pública, pois a oferta estadual é minoritária em São Paulo.

    Limites: É uma checagem jornalística secundária e usou uma convenção de ranking que conta as UFs à frente; a apuração atual explicita também a alternativa por faixas de nota.

    Disponível

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  2. Ideb avança em todas as etapas da educação básica em São Paulo Documento

    Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) · 06/08/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Confirma a melhora absoluta das notas paulistas entre 2023 e 2025.

    • Resultados de São Paulo em 2023 e 2025: A nota oficial divulgada para o conjunto público do estado passa de 6,2 para 6,5 nos anos iniciais e de 5,1 para 5,2 nos anos finais.

    Limites: A nota do Inep resume valores paulistas, mas não apresenta um ranking ordinal nem distingue no texto todas as dependências administrativas usadas na reconstrução.

    Disponível

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  3. Ideb — resultados 2005 | 2025 Documento

    Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) · 05/08/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Estabelece que o insumo oficial do Ideb são as notas por UF e dependência administrativa; as posições são derivadas dessas notas.

    • Regiões e estados: Página oficial publicada em 5 de agosto de 2026, com links para as tabelas de Ensino Fundamental Regular e Ensino Médio Regular por regiões e estados e para os resultados por dependência administrativa.

    Limites: A página de resultados fornece as notas e planilhas, mas não estabelece no texto uma convenção única de ranking ordinal para empates.

    Disponível

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  4. IPECE Informe nº 257 — resultados do Ideb 2023 Documento

    Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE) · 10/2024

    Evidência

    Contribuição: Permite reconstruir integralmente as posições de 2023 e testar as duas convenções de empates.

    • Gráfico 4 — anos iniciais, rede pública, 2023: Mostra Ceará e Paraná com 6,5; São Paulo e Santa Catarina com 6,2, seguidos pelas demais UFs.
    • Gráfico 10 — anos finais, rede estadual, 2023: Mostra Goiás 5,5; Paraná 5,4; Espírito Santo e Ceará 5,3; Piauí 5,2; São Paulo 5,1, seguidos pelas demais UFs.

    Limites: É uma publicação de instituto estadual que reproduz e organiza dados oficiais do MEC/Inep, não a planilha bruta original.

    Disponível

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  5. Ideb 2025: Brasil supera meta dos anos iniciais da Educação Documento

    TVT News · 08/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Permite reconstruir a posição de São Paulo nos anos iniciais da rede pública em 2025.

    • Resultados do Ideb por estado — rede pública, 2025: Reproduz dados do MEC/Inep: Paraná 6,9 e Ceará 6,8 nos anos iniciais; São Paulo e Santa Catarina 6,5.

    Limites: É reprodução jornalística de dados do MEC/Inep, não a planilha oficial bruta.

    Disponível

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  6. Publicação de Daniel Barros sobre o Ideb 2025 de São Paulo Documento

    Daniel Barros / Secretaria da Educação do Estado de São Paulo · 08/2026

    Contexto, Evidência

    Contribuição: Documenta diretamente a combinação de rede pública nos anos iniciais com rede estadual nos anos finais usada pela defesa paulista.

    • Recortes usados pela equipe paulista: O post explicita AI (rede pública) 2023 6,2 e 2025 6,5; AF (rede estadual) 2023 5,1 e 2025 5,2; em seguida chama São Paulo de 3º nos anos iniciais e 5º nos anos finais.

    Limites: É uma publicação pessoal de integrante da Secretaria, não uma nota metodológica formal. A frase de empate com Minas Gerais nos anos finais de 2025 não coincide com as notas estaduais reconstruídas.

    Disponível

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  7. Estado de São Paulo melhora no ensino médio, mas segue fora do top 5 do Ideb Documento

    UOL / Agência Estado · 05/08/2026

    Evidência

    Contribuição: Estabelece quantas UFs ficaram acima de São Paulo na rede estadual dos anos finais em 2025.

    • Anos finais — rede estadual de São Paulo: Registra São Paulo com Ideb 5,2 e seis estados com desempenho maior — Paraná, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Espírito Santo —, chamando a posição de 7ª pela contagem de UFs à frente.

    Limites: A reportagem deriva um ranking ordinal das notas e não explicita alternativa de ranking denso.

    Disponível

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  8. Avanços em Português e Matemática consolidam Paraná na liderança nacional do Ideb Documento

    Grupo Litorânea de Comunicação · 11/08/2026

    Evidência

    Contribuição: Ajuda a reconstruir a faixa de nota 5,8 acima de São Paulo em 2025.

    • Paraná — anos finais, rede estadual: Registra que, na rede estadual, o Ideb dos anos finais passou de 5,4 em 2023 para 5,8 em 2025.

    Limites: Fonte jornalística regional que reproduz dados do Ideb e informações da rede paranaense.

    Disponível

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  9. Goiás fica em 2º lugar no Ideb do Ensino Médio e tem sete escolas entre as melhores do país Documento

    Dia Online · 07/08/2026

    Evidência

    Contribuição: Sustenta a faixa de 5,6 ocupada por Goiás e Ceará acima de São Paulo.

    • Goiás e Ceará — anos finais, rede estadual: Registra Goiás com 5,6 na rede estadual dos anos finais e o coloca ao lado do Ceará, atrás do Paraná.

    Limites: Fonte jornalística que reproduz dados do Ideb; a referência ao Ceará é comparativa.

    Disponível

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  10. Varginha avança no IDEB 2025 e supera a média nacional nos anos finais do Ensino Fundamental Documento

    Prefeitura de Varginha · 10/08/2026

    Evidência

    Contribuição: Sustenta a faixa de 5,5 de Minas Gerais em 2025.

    • Minas Gerais — anos finais, rede estadual: Informa que a nota 5,5 de Varginha nos anos finais iguala o desempenho da rede estadual de Minas Gerais.

    Limites: A nota estadual aparece como referência comparativa em notícia municipal.

    Disponível

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  11. Ensino médio do ES tem a 3ª maior nota do Ideb no país; veja ranking Documento

    A Gazeta · 08/2026

    Evidência

    Contribuição: Sustenta que Espírito Santo divide a faixa de 5,5 com Minas Gerais acima de São Paulo.

    • Espírito Santo — anos finais, rede estadual: Registra que, nos anos finais de 2025, a rede estadual do Espírito Santo alcançou 5,5.

    Limites: Fonte jornalística local que reproduz resultados do Ideb.

    Disponível

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  12. Nota do ensino médio da rede estadual do RS sobe de 3,9 para 4,7 no Ideb 2025 Documento

    Agora RS · 05/08/2026

    Evidência

    Contribuição: Sustenta a faixa de 5,4 acima de São Paulo em 2025.

    • Rio Grande do Sul — anos finais, rede estadual: Registra 5,4 nos anos finais da rede estadual gaúcha em 2025.

    Limites: Fonte jornalística regional que reproduz os resultados oficiais divulgados pelo MEC/Inep.

    Disponível

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