Atlas da Mentira · checagem verificável

Queda de Flávio de 51,07% para 50,94% mesmo com mais de 2 milhões de novos votos indica erro na apuração

Não. Flávio recebeu mais votos adicionais do que Lula no intervalo, mas isso não torna obrigatória a elevação de seu percentual. A diferença entre as duas parciais não evidencia erro na apuração.

Flávio passou de 12.915.526 para 14.344.471 votos — acréscimo de 1.428.945, não mais de dois milhões. Lula passou de 10.324.360 para 11.536.137 — acréscimo de 1.211.777. Ao mesmo tempo, cresceu o total de votos válidos de todos os candidatos. Flávio passou a representar uma fração menor desse total (51,07% para 50,94%), enquanto a de Lula subiu (40,82% para 40,97%).

Qualificações importantes

Os percentuais apresentados no vídeo são compatíveis com as capturas da CNN Brasil. A parte errada é tratá-los como incompatíveis e afirmar que Flávio ganhou mais de dois milhões de votos no intervalo. Seus votos adicionais foram 1.428.945, contra 1.211.777 de Lula; a diferença entre esses aumentos é de 217.168.

As taxas de 51,07% e 50,94% são proporções dos votos válidos de todos os candidatos contabilizados naquele instante; não representam a comparação apenas entre os dois primeiros colocados. A contagem de votos é acumulativa, e o percentual pode cair quando a taxa obtida nas urnas recém-somadas é menor que a da parcial anterior.

As porcentagens da CNN são exibidas com duas casas decimais, de modo que não se deve derivar um total exato de votos válidos dividindo contagens por esses percentuais arredondados. O Aos Fatos estimou cerca de 25,3 milhões de votos válidos na primeira parcial e 28,2 milhões na segunda.

Os quadros da transmissão foram vistos nas imagens reproduzidas pelo UOL Confere, e o link da gravação da CNN Brasil foi identificado, mas o vídeo completo da emissora e a publicação original em redes sociais não puderam ser reproduzidos integralmente nesta apuração. Os totais exatos das duas parciais vêm dessas capturas, corroboradas pelo Aos Fatos.

O cálculo demonstra que o comportamento das porcentagens é matematicamente normal e não constitui prova da irregularidade insinuada. Não é uma auditoria de todos os registros da eleição nem uma conclusão universal sobre qualquer denúncia distinta de fraude.

O que foi checado

A queda de Flávio Bolsonaro de 51,07% para 50,94% dos votos válidos entre duas parciais da eleição presidencial de 4 de outubro de 2026, enquanto Lula subiu de 40,82% para 40,97%, revelaria erro na apuração, pois Flávio teria ganho mais de dois milhões de votos no intervalo e Lula apenas cerca de um milhão.

Forma
Implícita
Atribuição
Homem não identificado em vídeo de redes sociais que comenta a transmissão da CNN Brasil sobre apuração · Atribuição verificada
Primeiro registro observado
06/10/2026 — Data de circulação documentada na reportagem; não se estabeleceu a primeira postagem.
Contexto
Vídeo nas redes sociais com homem apontando para duas parciais exibidas na CNN Brasil durante a totalização presidencial do primeiro turno em 4/10/2026, às 18h22–18h25.

Como a proposição foi normalizada: O homem no vídeo faz perguntas retóricas para insinuar que os números oficiais seriam incompatíveis, sem apresentar prova específica de manipulação deliberada. Preservam-se tanto a premissa adicional incorreta de 'mais de 2 milhões' quanto as mudanças percentuais reais; a implicação está na incompatibilidade alegada.

Limite de atribuição: A identidade do autor e a publicação original não foram estabelecidas; as falas foram preservadas pelo UOL Confere e pelo Aos Fatos, mas a gravação integral do post original não foi reproduzida diretamente.

Como que isso acontece? (...) O Flávio saiu de 12 milhões para 14 milhões e cacetada. Foi dois milhão de voto que ele ganhou, mas mesmo assim abaixou o número dele, a porcentagem.

Contexto original

O que o homem afirma ao comparar as duas parciais

Um vídeo difundido em redes sociais mostra um homem diante de uma televisão com a cobertura da apuração feita pela CNN Brasil em 4 de outubro de 2026. Ele pergunta como Flávio Bolsonaro teria recebido mais de dois milhões de votos novos, contra cerca de um milhão para Lula, se a participação percentual do primeiro caiu e a do segundo cresceu. A formulação insinua uma inconsistência, sem descrever uma fraude operacional específica. A identidade do homem e o primeiro perfil responsável pela publicação não foram comprovados.

Os dois quadros correspondem a momentos próximos da mesma totalização. Por volta de 18h22–18h23, com 21,96% das urnas apuradas, Flávio aparecia com 12.915.526 votos e 51,07% dos válidos; Lula tinha 10.324.360 e 40,82%. Às 18h25, com 24,45% das urnas, Flávio tinha 14.344.471 votos e 50,94%; Lula, 11.536.137 e 40,97%. A divergência de um minuto na referência ao primeiro quadro entre as checagens não altera as contagens exibidas.

Explicação

O aumento real de votos foi menor do que afirma o vídeo

Basta subtrair as contagens acumuladas. Flávio: 14.344.471 − 12.915.526 = 1.428.945 votos novos. Lula: 11.536.137 − 10.324.360 = 1.211.777. Portanto, Flávio recebeu 217.168 votos adicionais a mais do que Lula entre as telas mostradas. Esse dado favorável à observação do vídeo está correto em direção, mas não equivale à afirmação de que o primeiro ganhou mais de dois milhões. O crescimento de Lula também foi superior a um milhão.

Os demais concorrentes também receberam votos enquanto as urnas eram agregadas. Nos quadros exibidos, Augusto Cury passou de 743.675 para 827.940 votos e Ronaldo Caiado, de 602.335 para 668.442. Eles são apenas dois dos outros nomes presentes na disputa. O percentual de cada candidato não é calculado usando somente o total de Flávio e Lula: a base inclui os votos válidos destinados a todos os concorrentes.

Explicação

Por que um candidato pode receber votos e perder participação percentual

Em qualquer parcial, a participação percentual de um candidato resulta da divisão entre seus votos acumulados e a soma dos votos válidos acumulados de todos os candidatos, multiplicada por 100. Como o denominador aumenta a cada nova remessa de urnas, o numerador de Flávio pode crescer enquanto sua fração diminui: basta que, nas urnas acrescentadas, ele tenha obtido participação inferior à que tinha na parcial anterior. De modo equivalente, a fração de Lula cresce se sua participação nos votos novos superar a taxa anterior.

O Aos Fatos estimou, a partir dos percentuais e contagens apresentados, aproximadamente 25,3 milhões de votos válidos no primeiro quadro e 28,2 milhões no segundo. Entre esses instantes, entraram, portanto, aproximadamente 2,9 milhões de votos válidos na contagem, não apenas os votos dos dois primeiros candidatos. Como as porcentagens na tela estão arredondadas, esses totais são aproximações, e não reconstruções oficiais exatas das duas etapas.

Um exemplo ajuda: se alguém possui 50 dos 100 votos válidos apurados (50%) e, na atualização seguinte, recebe mais 20 votos quando o total passa a 150, termina com 70 de 150 (46,67%). O candidato ganhou vinte votos, porém perdeu participação porque recebeu uma parcela menor dos votos adicionados. Esse é o tipo de efeito que explica as duas telas da CNN; não é uma falha matemática.

Contexto e limites

A diferença nas porcentagens não revela fraude

O TSE explica que cada urna contabiliza os votos da sua seção, gera um Boletim de Urna e transmite os dados à Justiça Eleitoral, que reúne e soma os resultados das urnas para a totalização. Por isso, as parciais mudam quando entram novos boletins, inclusive com composições regionais e preferências diferentes. O movimento relativo de 51,07% para 50,94%, isoladamente, não identifica erro de processamento e não demonstra manipulação da votação.

A análise se restringe à inconsistência que a publicação afirma enxergar nesses dois recortes. Ela não estabelece, por extrapolação, que todas as possíveis alegações eleitorais seriam falsas. Tampouco identifica uma autoria capaz de responder pelo vídeo como peça original: a reportagem usada para preservar a fala não comprovou quem o gravou primeiro.

Método

Método e limites da checagem

A fala circulante foi reconstituída pelas reproduções do UOL Confere e Aos Fatos. Foram conferidas visualmente as duas capturas da tela da CNN Brasil veiculadas pelo UOL, recuperados os quatro números principais e reproduzidas as subtrações entre as contagens. A regra de totalização foi cotejada com explicação do TSE. A transmissão original da CNN está identificada, porém não foi possível assisti-la integralmente na fonte direta; a identidade do homem no vídeo e a postagem original também não foram verificadas.

Fontes

  1. Queda de porcentagem de Flávio Bolsonaro não é prova de erro em apuração Fonte

    UOL Confere — Ricardo Espina · 06/10/2026

    Alegação original, Evidência

    Contribuição: Reproduz declaração e quadro a quadro do painel CNN em dois momentos com porcentagens e números absolutos, e explica a aritmética da proporção.

    • O que está circulando: Trecho literal do questionamento e atribuição sem identificar autor
    • Apuração 18h22–18h25: 21,96% e 24,45% urnas; contagens de Flávio, Lula, Cury e Caiado
    • Cálculo de porcentagem considera todos os candidatos: Explicação proporcional e exemplo hipotético de candidato A

    Limites: O autor e o post original nas redes não foram identificados.; Os quadros da transmissão CNN são reproduções da reportagem; o arquivo audiovisual completo não foi inspecionado diretamente.; As porcentagens nas imagens são arredondadas; não fornecem denominadores nacionais exatos nos dois minutos.

    Disponível

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  2. Queda no percentual de Flávio durante apuração não é indício de fraude Fonte

    Aos Fatos — Bianca Bortolon · 07/10/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Verificação independente dos quatro totais e percentuais, subtração dos acréscimos e explicação da proporção por todos os votos válidos.

    • Alegação e captura: Parágrafos iniciais descrevendo questionamento em vídeo
    • Parciais exibidas: Contagens dos candidatos com 21,96% e 24,45% de urnas
    • Deltas de votos: 1.428.945 Flávio, 1.211.777 Lula
    • Proporção de votos válidos: Total aproximado 25,3 milhões e 28,2 milhões e fórmula votos/total

    Limites: Checagem secundária de capturas da transmissão CNN, não publicação institucional das duas parciais.; Total de votos válidos citado é aproximado com percentuais exibidos arredondados.; Aos Fatos indica primeiro quadro por volta de 18h23 e UOL 18h22; contagens do quadro são as mesmas.

    Disponível

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  3. Apuração: Flávio e Lula falam com apoiadores após confirmação de 2º turno nas eleições — CNN Brasil, gravação em 4/10/2026 Gravação

    CNN Brasil · 04/10/2026

    Evidência

    Contribuição: Endereço da fonte audiovisual das duas parciais mencionado pelo UOL; a prova efetivamente vista foram capturas reproduzidas pela reportagem.

    • Trechos da CNN apontados pelo UOL: t=6728 s e t=6895 s da transmissão de 4/10/2026

    Limites: Não foi possível carregar a transmissão completa; as contagens analisadas se baseiam nas imagens preservadas pelo UOL e confirmadas pelo Aos Fatos.; Os timestamps são os links indicados pelo UOL, não nova medição pericial de tempo realizada aqui.

    Disponibilidade parcial — Vídeo identificado por link na apuração UOL; a visualização na plataforma carregou sem acesso ao conteúdo integral. Os quadros foram inspecionados na reprodução publicada pelo UOL.

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  4. Entenda a diferença entre apuração e totalização de votos Fonte

    Tribunal Superior Eleitoral · 04/10/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Explica que boletins de urna registram a apuração de cada seção e são reunidos e somados na totalização nacional, base de novas parciais.

    • Apuração e totalização: Boletins de Urna de todo o país são reunidos e somados

    Limites: É fonte institucional de método, não contém os exatos instantâneos 18h22 e 18h25.; A página não permite inferir taxa por seção/município sem dados adicionais.

    Disponível

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Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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