Atlas da Mentira · checagem verificável

Projeto Brasil 22 Token ofereceu até 30 mil B22 por postagem nas redes sociais enquanto promovia o voto 22

A oferta existiu: o Brasil 22 Token anunciou recompensa de até 30 mil B22 por publicação aprovada que divulgasse sua comunidade em redes sociais. O projeto também se apresentava como favorável ao voto 22 e foi promovido por um vídeo de apoio a Flávio Bolsonaro. A condição formal noticiada, porém, era divulgar o B22 — não declarar voto no candidato. O projeto suspendeu o mecanismo após a repercussão, e a ministra Estela Aranha, do TSE, determinou cautelarmente sua interrupção em 9 de outubro.

Reportagens da Folha feitas enquanto a oferta aparecia publicamente descrevem seus requisitos, valor máximo por participação e associação do site com a promoção do candidato. A página modificada admite a existência de um antigo airdrop por compartilhamento e reserva de 30 milhões de tokens; a CNN reproduz ordem do TSE para cessar oferta, promessa ou distribuição de ativos ligados às publicações. Isso sustenta o fato histórico da oferta e da comunicação pró-candidato, não prova recebimento efetivo de até 30 mil B22 por usuários nem participação da campanha oficial.

Qualificações importantes

As regras do airdrop, conforme registro contemporâneo, exigiam pelo menos 10 mil B22 na carteira, postagem mostrando participação na comunidade em X, Instagram ou TikTok, manutenção do conteúdo no ar e envio de link para validação, com até 30 mil tokens por participação aprovada. A oferta não exigia expressamente declarar voto ou preferência por Flávio, embora o projeto ligasse seu marketing ao voto 22.

A redação visível no site mudou após críticas. Sua versão de 10/10 apresenta o projeto como voltado somente à causa social das HypersKids, diz que o airdrop foi suspenso e que os antigos 30 milhões de B22 reservados para ele permaneciam sem distribuição naquela carteira. Isso não é prova de que a campanha anterior nunca existiu; tampouco atesta que todos os tokens reservados ou prometidos tenham sido pagos.

O B22 dizia não ter ligação institucional com políticos, partidos ou campanhas, e a equipe de Flávio Bolsonaro negou qualquer participação e anunciou medidas jurídicas contra o site. Oferta ligada à promoção de um candidato não prova solicitação, coordenação, autorização ou financiamento pela candidatura.

A determinação do TSE em 9/10 foi liminar e deverá ser submetida ao plenário. Impôs suspensão e preservação de dados enquanto se apuram possíveis irregularidades; não deve ser apresentada como condenação final nem prova de compra de votos consumada.

O grupo Hypers Kids Africa disse ter recebido 120 milhões de B22 em parceria e publicou vídeo com incentivo eleitoral, mas declarou posteriormente que retiraria o conteúdo e devolveria os tokens por não desejar envolvimento político. A transferência a um parceiro não é a mesma modalidade de remuneração 'até 30 mil B22 por postagem' destinada a participantes do airdrop; são fluxos distintos.

O que foi checado

Em outubro de 2026, o projeto Brasil 22 Token (B22) ofereceu até 30 mil unidades de sua criptomoeda por publicação aprovada em redes sociais divulgando a comunidade B22, num ambiente de promoção pública do voto 22 e de conteúdos favoráveis à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Projeto Brasil 22 Token (B22) · Atribuição verificada
Função na época
Organização responsável pelo domínio Brasil 22 Token e por oferta pública de airdrop
Primeiro registro observado
08/10/2026
Contexto
Promoção lançada no site Brasil 22 Token em 6 de outubro de 2026, divulgada em redes sociais e no perfil Hypers Kids Africa, em meio à campanha presidencial do segundo turno. O mecanismo foi posteriormente suspenso.

Como a proposição foi normalizada: A oferta original remunerava publicações de participação/divulgação da comunidade B22; os materiais do projeto e de parceiros associavam B22 ao voto em Flávio Bolsonaro. O regulamento, segundo cobertura contemporânea, não tornava voto, preferência política ou propaganda eleitoral uma condição expressa para receber os tokens. A proposta não afirma entrega efetiva de recompensas do airdrop a todos os participantes nem vínculo oficial com a campanha.

Limite de atribuição: Equipe do projeto é apresentada pelo site como organização independente; identidade completa dos criadores e vínculos com candidato não foram verificados. A versão inicial da página foi alterada antes desta checagem; termos originais preservados por cobertura de 8 e 9/10.

Contexto original

O que o Brasil 22 Token prometia

O projeto Brasil 22 Token, lançado na semana do primeiro turno presidencial de 2026, divulgou no próprio site um programa de distribuição da criptomoeda B22 como incentivo ao compartilhamento do projeto. Reportagem publicada pela Folha em 8 de outubro preservou a orientação para fazer uma publicação nas redes sociais mostrando participação na comunidade B22. Outra reportagem da Folha, publicada em 9 de outubro, detalhou a campanha chamada 'Airdrop B22': manter ao menos 10 mil B22 na carteira, divulgar a comunidade em X, Instagram ou TikTok, manter a publicação e apresentar o link à plataforma. Cada participação aprovada poderia render até 30 mil B22.

A exigência publicizada era uma postagem sobre pertencimento ao projeto. O próprio site, conforme reproduzido na imprensa, ressalvava que a distribuição de tokens era independente de voto, preferência eleitoral ou postagem de propaganda partidária. Portanto, não há base para escrever que o regulamento obrigava o usuário a manifestar apoio ao candidato para receber a recompensa, embora as mensagens de divulgação tenham incluído promoção eleitoral.

Explicação

A promoção do B22 estava ligada ao voto 22

A versão inicial do site, registrada pela Folha em 8 de outubro, apresentava o B22 como movimento que unia apoio ao voto 22 e a intenção de financiar uma causa social ligada às HypersKids, grupo de crianças de Uganda. O site dizia apoiar o voto 22 por acreditar nessa proposta política. O perfil @hyperskidsafrica publicou vídeo no qual crianças vestiam camisetas com a marca B22 e cantavam um jingle eleitoral de apoio a Bolsonaro, além de promover o token. Perfis ligados à sua divulgação também associavam o ativo à candidatura de Flávio Bolsonaro.

O grupo Hypers Kids Africa informou ter recebido 120 milhões de B22, ativo que poderia ser comercializado, para uma parceria vinculada à construção de moradia para as crianças. Após a repercussão negativa do vídeo, comunicou sua intenção de devolver os tokens e de evitar envolvimento político. Esses valores transferidos à entidade não se confundem com o limite de 30 mil tokens por postagem previsto para participantes individuais do airdrop.

Explicação

O TSE determinou a interrupção da oferta

Em 9 de outubro, após representação da coligação de Lula, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou a suspensão do domínio Brasil 22 Token e ordenou que seus responsáveis cessassem a oferta, promessa ou distribuição de tokens e vantagens econômicas vinculadas a publicações sobre o projeto ou a candidatura com número 22. A decisão exigiu ainda retirada de conteúdos de divulgação e preservação de registros nas redes sociais. Trata-se de providência cautelar sujeita à apreciação posterior do colegiado, não de sentença final responsabilizando a campanha do candidato.

Na versão reformulada de sua página, o B22 reconheceu que anteriormente divulgava tanto uma narrativa social quanto comunicação de conscientização política, mas afirmou que retirou a comunicação eleitoral, os pedidos de voto e o airdrop por compartilhamentos. A plataforma atribui a iniciativa a sua própria equipe e contesta interpretações de irregularidade, afirmando não ter solicitado participação de candidato, partido ou campanha. Essas declarações são parte relevante da defesa do projeto, sem alterar o registro contemporâneo da oferta.

Contexto e limites

O que está comprovado e o que segue em apuração

Fica comprovada a oferta histórica de até 30 mil B22 por postagem aprovada e sua inserção em um projeto com mensagens públicas pró-voto 22. Não se verificou registro completo de participantes aprovados, valores efetivamente recebidos, preço de realização dos tokens nem comprovação de ganhos financeiros. A existência do ativo e da promessa não autoriza afirmar que usuários receberam dinheiro nem que a distribuição causou voto em determinado candidato.

A campanha de Flávio Bolsonaro negou conhecer os responsáveis ou ter vínculo com a iniciativa, e o projeto afirmou independência política institucional. Sem prova de solicitação, contratação ou coordenação, a alegação não deve ser ampliada para atribuir o mecanismo ao candidato ou à campanha. A decisão cautelar do TSE responde à existência de possível vantagem econômica vinculada a propaganda; a imputação de infração eleitoral definitiva depende de outras etapas.

Fontes

  1. Brasil 22 Token — Transparência e causa social HypersKids Documento

    Brasil 22 Token · Data não estabelecida

    Alegação original, Evidência

    Contribuição: A própria equipe confirma historicamente que existiu o airdrop por compartilhamento, sua retirada e a reserva do ativo; registra versão favorável e negativa de coordenação com campanha.

    • Reserva do antigo airdrop e FAQ: 30.000.000 B22 mantidos em carteira da reserva do airdrop; FAQ diz 'o mecanismo foi suspenso e retirado do site'
    • Comunicado 'O que mudou' sobre retirada de comunicação política: Retirada de campanha política, pedidos de voto, airdrop por compartilhamento e incentivos à divulgação
    • Negativa de vinculação oficial do projeto: Equipe afirma ter criado projeto independentemente de partido, político e campanha
    • Grupo HypersKids, conta de 120.000.000 tokens: A página diz ter enviado 120.000.000 B22 à carteira indicada do grupo em 7 de outubro

    Limites: Página foi modificada durante a controvérsia e já não reproduz termos e valor máximo da oferta original.; A equipe tem interesse direto em sua defesa e a identificação de seus responsáveis não foi auditada.; A carteira exibida e seu histórico foram descritos na página, mas não foram independentemente auditados na cadeia de blocos.; A data de atualização do comunicado não foi informada com precisão.

    Disponibilidade parcial — Conteúdo público da versão reformulada foi recuperado em resultados de pesquisa em 10/10/2026, mas a abertura direta do domínio falhou nesta sessão. O texto não é uma captura da versão original que anunciava o airdrop.

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  2. Site distribui criptomoedas em troca de divulgação de conteúdo que incentiva voto em Flávio Bolsonaro Fonte

    Folha de S.Paulo — Patrícia Campos Mello · 08/10/2026

    Alegação original, Evidência

    Contribuição: Preservação contemporânea do conteúdo da versão original da página, das peças publicitárias e das negativas institucionais, antes da suspensão.

    • Oferta de tokens mediante publicação: Trecho 'compartilhem o projeto – faça uma publicação em rede social mostrando que você participa da comunidade B22'
    • Comunicação do site em apoio ao voto 22: Site declarava ser movimento de apoio ao voto 22 e promoção da causa HypersKids
    • Vídeo de HypersKids divulgando B22 e voto em Flávio: Vídeo com camisetas B22, menções a Flávio, Nikolas, Marçal e jingle de voto 22
    • Independência da oferta de voto/preferência eleitoral: Site declarava tokens independentes de voto, preferência e divulgação de propaganda política
    • Resposta da campanha de Flávio Bolsonaro: Campanha nega vínculo ou conhecimento da autoria do site e anuncia medidas judiciais

    Limites: Reprodução jornalística da versão original, não captura própria com carimbo de integridade.; A matéria não confirma depósito individual no airdrop nem autoria da campanha de Flávio.; O texto desta reportagem não registra sozinho valor máximo de 30 mil por participação, obtido em cobertura subsequente.

    Disponível

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  3. Entidades pedem suspensão de criptomoeda que paga por posts pelo voto 22 Fonte

    Folha de S.Paulo — Carlos Petrocilo · 09/10/2026

    Evidência

    Contribuição: Corrobora com requisitos e teto exato do programa de recompensas, distinguindo pagamento em tokens de promessa e reconhecimento do contexto eleitoral.

    • Requisitos do programa Airdrop B22: Pelo menos 10 mil tokens em carteira, postagem X/Instagram/TikTok, link para validação, até 30 mil B22 por participação aprovada; cadastro até 26/10
    • Representação de quatro organizações: Conectas, Inesc, Sleeping Giants Brasil e Artigo 19 solicitaram apuração e suspensão do mecanismo

    Limites: Descreve oferta por relatos e representações civis, não prova pagamentos efetivos ou regularidade da própria carteira.; A solicitação das entidades é acusação, não decisão final.

    Disponível

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  4. Após reação, grupo Hypers Kids Africa promete devolver criptomoedas recebidas por vídeo pró-Flávio Bolsonaro Entrevista

    BBC News Brasil, republicação Folha — Rute Pina · 08/10/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Esclarece a divulgação por crianças de Uganda, a parceria e o relato de intenção de devolver valores, diferenciando a parceria do airdrop individual.

    • Resposta do grupo sobre recebimento e devolução: 120 milhões B22 recebidos na parceria e anúncio de devolução após reação negativa; grupo nega querer envolvimento partidário

    Limites: Grupo é participante com interesse em afastar associação política.; A intenção de devolver tokens não confirma recebimento de devolução na blockchain.; O grupo disse ter recebido tokens, mas a própria entrevista não constitui perícia on-chain.

    Disponível

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  5. TSE suspende site que prometia criptomoeda em troca de propaganda a Flávio Fonte

    CNN Brasil — Jonatas Martins e Jussara Soares · 09/10/2026

    Evidência

    Contribuição: Registro jornalístico baseado no teor da decisão cautelar do TSE, confirmando medidas oficiais após controvérsia.

    • Relato da liminar proferida pela ministra Estela Aranha: Suspensão do domínio, ordem de cessar oferta/promessa/distribuição vinculada a postagens B22 ou candidatura 22 e preservação de dados; decisão submetida a plenário

    Limites: Não foi localizada nem lida nesta checagem íntegra autenticada da decisão judicial; conteúdo atribuído à ministra por reportagem.; A liminar não equivale à responsabilização final por ilícito eleitoral.; A decisão não confirma vínculo institucional de Flávio ou de sua campanha com a plataforma.

    Disponível

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Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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