Atlas da Mentira · checagem verificável

Projeções para a Selic teriam passado de corte de 0,5 ponto em 2026 para manutenção em 13,75% após vitória de Lula

Há evidências de revisão das expectativas para a Selic: no Focus com dados de 23 de outubro, a mediana para o fim de 2026 era 13,25% ao ano, meio ponto abaixo dos 13,75% vigentes. Já a pesquisa Reuters concluída e publicada em 2 de novembro projetou mediana de 13,75% até pelo menos o segundo trimestre de 2027.

O contraste corresponde aos patamares numéricos indicados pelo deputado e a própria pesquisa Reuters registrou mudança de expectativas durante a coleta. Entretanto, as amostras são diferentes, 15 dos 48 analistas ainda previam corte na reunião de novembro e nenhuma dessas pesquisas demonstra que o resultado eleitoral, por si só, causou a revisão ou que houve sabotagem política.

Qualificações importantes

O Focus do Banco Central e a sondagem Reuters não entrevistam necessariamente as mesmas instituições, aplicam metodologias e referências temporais distintas. A diferença entre medianas não comprova que cada participante trocou individualmente de previsão nem a magnitude exata de uma revisão dentro da mesma amostra.

Na pesquisa encerrada em 2/11, 33 de 48 analistas esperavam Selic estável em 13,75% no Copom de 4/11, mas 15 ainda antecipavam um corte. Portanto, a frase sobre 'o mercado' resume uma tendência majoritária, não uma unanimidade.

A proximidade com o resultado eleitoral não demonstra que o mercado alterou expectativas por militância ou sabotagem. A reportagem da Reuters relata dúvidas fiscais, volatilidade cambial e bursátil e incerteza política, mas não documenta intenção deliberada de prejudicar a economia.

Previsão de mercado não é decisão do Copom. A Selic efetiva para 4/11 ainda dependia de uma reunião futura na data da postagem de 2/11, e a fala não deve ser interpretada como anúncio de decisão do Banco Central.

Não foi possível consultar o post no X diretamente; a transcrição contemporânea e o link original foram inspecionados na reportagem Brasil 247.

O que foi checado

Em postagem de 2 de novembro de 2026, Lindbergh Farias sugeriu que o mercado financeiro havia mudado sua projeção para a Selic de um corte de 0,5 ponto percentual ainda em 2026 antes do segundo turno para nenhuma redução após a vitória de Lula, mantendo os juros em 13,75% ao ano.

Forma
Implícita
Atribuição
Lindbergh Farias · Atribuição verificada
Função na época
Deputado federal pelo PT-RJ
Data da declaração
02/11/2026
Contexto
Postagem em 2 de novembro de 2026 na rede X, sobre projeções de juros antes e depois do segundo turno presidencial de 25 de outubro, na véspera da reunião do Copom de 3 e 4 de novembro.

Como a proposição foi normalizada: O deputado usou perguntas retóricas e atribuiu intencionalidade política à revisão. O núcleo testável é a alteração de expectativas coletivas para o fechamento de 2026 entre 23/10 e 2/11. A hipótese de vitória de Flávio Bolsonaro não ocorreu e não permite demonstrar qual seria a previsão nesse cenário; a leitura testável não presume que cada analista mudou seu prognóstico nem que o resultado eleitoral foi causa suficiente.

Limite de atribuição: Permalink do X não pôde ser inspecionado diretamente (HTTP 403); o Brasil 247 reproduz os trechos e fornece o link do post.

É sério que da sexta-feira antes do segundo turno até aqui o mercado alterou completamente suas projeções em relação à taxa básica de juros? Quer dizer que se Flávio Bolsonaro tivesse sido eleito a redução seria de 0,5% ainda este ano e com a eleição de Lula é ZERO, vão manter os atuais 13,75%?

Contexto original

O que disse Lindbergh

Em 2 de novembro de 2026, o deputado Lindbergh Farias questionou, em publicação na rede X reproduzida pelo Brasil 247, se o mercado havia passado de um cenário de corte de 0,5 ponto percentual na Selic ainda em 2026, antes do segundo turno presidencial, para um cenário de manutenção dos juros em 13,75% depois da vitória de Lula. Na mesma manifestação, imputou à mudança uma motivação política. A primeira parte é testável com dados de expectativas; a acusação de sabotagem exige prova própria, que a mera comparação entre pesquisas não oferece.

Explicação

Antes da eleição, a mediana era 13,25%

O Relatório Focus com coleta até sexta-feira, 23 de outubro de 2026, registra mediana de 13,25% ao ano para a Selic no fim de 2026, estável em relação à semana anterior. Isso representava uma redução projetada de 0,50 ponto percentual em relação à Selic então vigente de 13,75%. Na tabela de expectativas mensais, a mediana era 13,50% para novembro e 13,25% para dezembro. Os números são compatíveis com a referência de Lindbergh a um corte acumulado de meio ponto até dezembro.

Explicação

Após a eleição, uma pesquisa passou a indicar pausa nos cortes

Pesquisa da Reuters publicada em 2 de novembro, com respostas encerradas naquele dia, mostrou que 33 de 48 economistas esperavam manutenção da Selic em 13,75% na reunião do Copom de 4 de novembro. Quinze previam redução. A mediana das estimativas trimestrais apontava 13,75% pelo menos até o segundo trimestre de 2027. Assim, o cenário central da pesquisa incluía nenhum corte até o fim de 2026. Esse levantamento não é uma nova leitura da mesma amostra do Focus de 23 de outubro.

A Reuters informou também que, quando sua própria sondagem foi iniciada em 28 de outubro — já após a eleição —, a maioria ainda esperava um corte de 0,25 ponto percentual na reunião seguinte, mas esse quadro havia se invertido até 2 de novembro. Há, portanto, evidência contemporânea de alteração de expectativa, embora não se possa atribuir a todos os analistas uma revisão idêntica de meio ponto percentual.

Contexto e limites

Mudança de projeção não comprova sabotagem

A comparação das duas fontes corrobora os patamares antes e depois da eleição, mas não isola a causa da mudança. A Reuters descreveu dúvidas sobre o plano fiscal, volatilidade de mercados e incerteza política como elementos avaliados pelos analistas. Essas observações não demonstram uma ação coordenada do mercado nem confirmam a hipótese contrafactual de que a vitória do outro candidato teria produzido uma trajetória distinta de juros. Tampouco as projeções substituem a deliberação futura do Copom.

Método

Como a comparação foi feita

Foram examinados o relatório oficial Focus com data-base de 23/10 e a reportagem original da Reuters, de 2/11, com os resultados da pesquisa de economistas. A checagem distingue expectativa para o fim do ano, previsão para a próxima reunião e taxa efetiva. O cálculo de 0,50 ponto percentual parte da diferença entre os 13,75% vigentes e a mediana de 13,25% do Focus; os levantamentos consultados não permitem cálculo rigoroso de variação individual por participante.

Fontes

  1. Postagem de Lindbergh Farias sobre Selic e eleição, 2/11/2026 Publicação

    Lindbergh Farias (@lindberghfarias) · 02/11/2026

    Alegação original

    Contribuição: Permalink atribuído ao post original e preservado em embed da reportagem.

    Limites: A redação foi conferida em reprodução jornalística, e não no post acessado diretamente.

    Indisponível — Página do post original na rede X retornou HTTP 403; não foi inspecionada diretamente.

    Abrir fonte

  2. Lindbergh acusa mercado financeiro de sabotar economia após vitória de Lula Fonte

    Brasil 247 · 02/11/2026

    Alegação original, Evidência, Contexto

    Contribuição: Preserva texto atribuído a Lindbergh e identifica contexto e link ao original, embora não substitua inspeção direta.

    • Reprodução da postagem: Corpo, seção inicial, pergunta sobre corte de 0,5% e Selic de 13,75%, publicada às 14h05 de 2/11/2026
    • Alegação de motivação política: Parágrafos em que deputado diz 'Não há nada de técnico nisso. Estão fazendo política e sabotando a nossa economia'

    Limites: Reprodução secundária do post; interesse editorial da reportagem; sem acesso direto à publicação no X.

    Disponível

    Abrir fonte

  3. Relatório Focus: expectativas de mercado — data-base 23/10/2026 Documento

    Banco Central do Brasil · 26/10/2026

    Evidência

    Contribuição: Mede mediana pré-segundo turno para Selic 2026 (13,25%) e expectativas mensais em novembro/dezembro; PDF original de duas páginas examinado.

    • Página 1 — Selic Target (% p.a.) 2026: No bloco 2026, mediana Today 13,25%, 137 respondentes em 30 dias; 13,25% também uma semana antes.
    • Página 2 — Selic Target novembro/dezembro 2026: Nov/2026 mediana Today 13,50%; Dec/2026 mediana Today 13,25%, 137 respondentes.

    Limites: Média/mediana de respondentes da base Focus em 23/10, não da sondagem Reuters em 2/11; a data-base do documento antecede a eleição e a divulgação é 26/10.

    Disponível

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  4. Pesquisa Reuters: BC deve manter Selic em 13,75% em uma pausa após a reeleição de Lula Fonte

    Reuters · 02/11/2026

    Evidência

    Contribuição: Sondagem contemporânea com estimativa de manutenção em 13,75%, mediana trimestral até 2027 e relatos de revisão durante coleta.

    • Primeiros parágrafos da Reuters, 2/11: 33 de 48 participantes esperavam estabilidade em 13,75% no Copom 4/11, 15 antecipavam corte.
    • Mediana das estimativas trimestrais: Parágrafo iniciado 'No entanto, a mediana das previsões trimestrais': 13,75% até pelo menos o segundo trimestre de 2027.
    • Mudança durante a coleta: Parágrafos iniciados 'Mesmo com a vitória de Lula' e 'Mas a opinião mudou': ao abrir em 28/10 maioria previa corte de 0,25 p.p., revertida até 2/11.
    • Contexto de reação de mercado: Parágrafos com incertezas fiscais, câmbio e bolsa, e declarações de economistas sobre cautela do Copom.

    Limites: O estudo Reuters não é uma reamostragem longitudinal equivalente ao Focus e não prova que resultado da eleição causou toda a mudança; UOL reproduz a notícia e pesquisa Reuters.

    Disponível

    Abrir fonte

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Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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