Atlas da Mentira · checagem verificável

Quase 40 milhões de brasileiros vivem sob influência direta ou indireta do crime organizado

Sustentado.

Pesquisa Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública estimou em 2026 que cerca de 42,2 milhões de brasileiros com 16 anos ou mais viviam em contextos nos quais facções ou milícias influenciavam fortemente ou moderadamente as regras de convivência. Outro estudo acadêmico estimou entre 50,6 milhões e 61,6 milhões de brasileiros vivendo com alguma forma de governança criminal. Os conceitos e metodologias são diferentes, mas ambos sustentam a ordem de grandeza citada.

Qualificações importantes

A estimativa mais recente vem de pesquisa de opinião: mede a percepção dos entrevistados sobre presença e influência do crime organizado no bairro, e não um mapeamento censitário de territórios controlados por facções ou milícias.

O dado mais diretamente comparável à frase é ligeiramente superior a 40 milhões: cerca de 42,2 milhões de pessoas, entre os que percebiam facções ou milícias no bairro, disseram que esses grupos influenciavam fortemente ou moderadamente as decisões e regras de convivência local.

O estudo acadêmico usa uma categoria diferente, 'governança criminal', definida pela imposição de regras ou restrições por organizações criminosas. Para o Brasil, estimou entre 50,6 milhões e 61,6 milhões de pessoas vivendo com esse fenômeno, mas os autores reconhecem imprecisão e limitações de mensuração.

O que foi checado

Quase 40 milhões de brasileiros vivem direta ou indiretamente sob a influência do crime organizado.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Renan Santos · Atribuição verificada
Função na época
candidato à Presidência
Data da declaração
26/08/2026
Contexto
Entrevista ao Jornal Nacional.

Como a proposição foi normalizada: A expressão 'influência' é ampla. A checagem usa como medida principal a pesquisa de 2026 que perguntou se facções ou milícias influenciam decisões e regras de convivência no bairro, e usa uma estimativa acadêmica de governança criminal como corroboradora. Nenhuma das duas é um censo territorial direto.

Hoje quase 40 milhões de brasileiros vivem direta ou indiretamente sob a influência do crime organizado

Explicação

Pesquisa de 2026 aponta cerca de 42 milhões sob influência local

Em maio de 2026, pesquisa Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública encontrou 41,2% dos brasileiros com 16 anos ou mais — cerca de 68,7 milhões — dizendo perceber facções ou milícias no bairro onde moravam. Entre esse grupo, 61,4% afirmaram que as organizações influenciavam fortemente ou moderadamente as decisões e regras de convivência. O FBSP converteu esse resultado em cerca de 42,2 milhões de pessoas vivendo em contextos nos quais o crime organizado é percebido como força que regula a vida local.

Essa medida é a mais próxima da ideia de viver sob influência direta ou indireta do crime organizado. O resultado de 42,2 milhões é um pouco maior do que 'quase 40 milhões', mas está na mesma ordem de grandeza e não contradiz o núcleo da afirmação de que dezenas de milhões de brasileiros vivem em locais onde grupos criminosos influenciam normas e comportamentos.

Explicação

Estimativa acadêmica também aponta dezenas de milhões

Um estudo publicado pela Cambridge University Press, com dados do Latinobarómetro de 2020, estimou prevalência de governança criminal de 26% no Brasil e calculou que entre 50,6 milhões e 61,6 milhões de pessoas viviam com alguma forma desse fenômeno. Os autores definem governança criminal como a imposição de regras ou restrições por organizações criminosas.

Contexto e limites

Os números não são um censo de territórios dominados

As duas fontes medem fenômenos próximos, mas não idênticos. A pesquisa Datafolha/FBSP registra percepção de presença e influência local; o estudo acadêmico infere governança criminal a partir de perguntas sobre presença e atividades de grupos criminosos. Os próprios autores do estudo acadêmico dizem que as estimativas são imprecisas e que o questionário não pergunta se cada entrevistado se considera pessoalmente submetido ao domínio de uma facção. Por isso, o número deve ser tratado como estimativa de escala, não como contagem exata de pessoas sob controle criminal.

Fontes

  1. No JN, Renan Santos erra sobre políticas contra o feminicídio e emergência climática Documento

    Agência Lupa · 26/08/2026

    Alegação original, Contexto

    Contribuição: Preserva a formulação e o contexto público da estimativa citada.

    • Fala sobre influência do crime organizado: Trecho em que Renan Santos afirma que quase 40 milhões de brasileiros vivem direta ou indiretamente sob influência do crime organizado.

    Limites: É uma transcrição jornalística da entrevista.

    Disponível

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  2. Pesquisa do FBSP aponta que 41,2% da população percebe presença do crime organizado no bairro onde mora Documento

    Fórum Brasileiro de Segurança Pública · 13/05/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Fornece a estimativa contemporânea mais diretamente comparável à ideia de viver sob influência do crime organizado.

    • Presença e influência do crime organizado: 41,2% (68,7 milhões) dizem perceber facções ou milícias no bairro; entre esse grupo, 61,4% (cerca de 42,2 milhões) dizem que esses grupos influenciam fortemente ou moderadamente as decisões e regras de convivência.

    Limites: É uma pesquisa de percepção, não um censo territorial de áreas controladas.; A medida de influência é respondida no contexto de presença percebida de facções ou milícias.; A população pesquisada é de 16 anos ou mais.

    Disponível

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  3. Criminal Governance in Latin America: Prevalence and Correlates Documento

    Cambridge University Press · 12/08/2025

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Corrobora que a escala do fenômeno no Brasil está em dezenas de milhões, com uma definição de governança criminal mais forte que mera presença.

    • Definição de governança criminal: Governança criminal é tratada como imposição de regras ou restrições sobre comportamento por organizações criminosas.
    • Estimativa para o Brasil: Prevalência estimada de governança criminal de 26% e faixa de 50,6 milhões a 61,6 milhões de pessoas vivendo com governança criminal.
    • Limitações de mensuração: Os autores qualificam as estimativas como imprecisas, discutem possíveis erros de mensuração e observam que a pesquisa não pergunta diretamente se cada pessoa se considera sujeita ao domínio de grupos criminosos.

    Limites: Usa dados de 2020 e não mede a situação de 2026 diretamente.; Os autores reconhecem imprecisão e possíveis erros de mensuração.; A categoria de governança criminal não é idêntica à expressão ampla 'influência direta ou indireta'.

    Disponível

    Abrir fonte

Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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