Atlas da Mentira · checagem verificável

Gestão Zema em Minas teve “zero corrupção”

A afirmação é falsa.

Antes da sabatina, a Operação Rejeito já havia atingido órgãos do Executivo mineiro. MPF e Polícia Federal relataram um esquema de corrupção para obter licenças fraudulentas com participação investigada de servidores estaduais e federais; o próprio Governo de Minas informou ter exonerado ou afastado servidores do Sisema e do Iepha implicados na operação e disse que a CGE já mantinha procedimentos investigativos. Em junho de 2026, a PF indiciou 34 pessoas, entre elas agentes públicos estaduais e federais, segundo reportagem baseada no relatório final. Isso não prova que Zema tenha participado do esquema nem equivale a condenação definitiva dos investigados, mas contradiz uma afirmação absoluta de “zero corrupção” sobre toda a gestão.

Qualificações importantes

Investigação, prisão cautelar, afastamento administrativo e indiciamento não equivalem a condenação criminal definitiva. A checagem não atribui culpa final às pessoas investigadas.

As fontes consultadas não demonstram que Romeu Zema tenha sido indiciado ou acusado pessoalmente na Operação Rejeito. A afirmação checada, porém, foi sobre a gestão estadual como um todo, não sobre a conduta criminal pessoal do então governador.

O Governo de Minas afirmou que não compactua com desvios, preserva contraditório e ampla defesa, cooperou com as determinações judiciais, afastou ou exonerou servidores implicados e informou que a Controladoria-Geral do Estado já tinha procedimentos investigativos em andamento.

Zema tomou posse em 1º de janeiro de 2019 e renunciou em 22 de março de 2026. Assim, a expressão “sete anos e meio” usada na sabatina é imprecisa; a checagem usa o período efetivo em que ele esteve à frente do Executivo mineiro.

O que foi checado

A gestão de Romeu Zema em Minas Gerais teve “zero corrupção” durante o período em que ele governou o estado.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Romeu Zema · Atribuição verificada
Função na época
candidato à Presidência
Data da declaração
06/08/2026
Contexto
Sabatina do g1 e GloboNews.

Como a proposição foi normalizada: A checagem preserva o núcleo verificável da fala — a afirmação absoluta de “zero corrupção” na gestão — e usa o período efetivo de governo de Romeu Zema. Ele tomou posse em 1º de janeiro de 2019 e renunciou em 22 de março de 2026, antes da sabatina de agosto.

mostrado aquilo que fiz nos sete anos e meio à frente do meu estado, zero corrupção.

Contexto original

O que Zema afirmou

Tenho levado aos brasileiros as minhas propostas, mostrado aquilo que fiz nos sete anos e meio à frente do meu estado, zero corrupção.

Romeu Zema tomou posse como governador de Minas em 1º de janeiro de 2019 e renunciou em 22 de março de 2026 para concorrer a um cargo federal. A checagem, portanto, testa a afirmação de “zero corrupção” no período efetivo de sua administração.

Explicação

Operação investigou corrupção dentro de órgãos públicos

Em setembro de 2025, ainda durante a gestão Zema, MPF, Polícia Federal, CGU e Receita Federal deflagraram a Operação Rejeito. Segundo o MPF, a investigação apontava uma organização criminosa responsável por corrupção, lavagem de dinheiro e crimes ambientais; o grupo teria corrompido servidores de órgãos estaduais e federais de fiscalização ambiental e mineração para obter autorizações e licenças fraudulentas. A Justiça determinou, entre outras medidas, afastamentos de servidores públicos e bloqueio de R$ 1,44 bilhão em ativos.

Uma semana depois, o próprio Governo de Minas informou que havia exonerado ou afastado servidores do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e do Iepha implicados na operação. Também disse que a Controladoria-Geral do Estado já conduzia outros procedimentos investigativos e havia pedido à PF o compartilhamento de indícios para subsidiar possíveis novas apurações internas.

Antes da sabatina de agosto de 2026, a investigação já havia avançado. Em junho, O Tempo noticiou que a Polícia Federal indiciou 34 investigados, entre empresários e agentes públicos estaduais e federais ligados à fiscalização e ao licenciamento ambiental. A reportagem, baseada no relatório da PF, descreveu indiciamentos por crimes como corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais e fraudes administrativas.

Contexto e limites

O que esses fatos não provam

A existência de investigação, medidas cautelares e indiciamentos não significa que todos os investigados sejam culpados nem substitui uma condenação definitiva. As fontes também não demonstram que Zema tenha participado pessoalmente do esquema.

A resposta oficial do Estado é a interpretação mais favorável à gestão: o governo afirmou que não tolera desvios, preserva o direito de defesa, cumpriu as decisões judiciais, afastou servidores implicados e disse que a CGE já investigava irregularidades. Essas providências podem demonstrar reação institucional, mas não tornam sustentável uma afirmação absoluta de que houve “zero corrupção” na administração.

Método

Como a afirmação foi testada

Como “zero corrupção” é uma afirmação absoluta sobre toda a gestão, basta evidência confiável de um caso de corrupção formalmente investigado dentro da administração para contradizê-la, sem transformar suspeita em condenação. A checagem priorizou fontes oficiais sobre a Operação Rejeito e usou reportagem posterior para registrar o estágio de indiciamento conhecido antes da sabatina.

Fontes

  1. Em sabatina, Zema erra ao falar de obra do Rodoanel e investigados do Novo Documento

    UOL Confere · 06/08/2026

    Alegação original, Contexto

    Contribuição: Preserva a formulação atribuída a Romeu Zema e o contexto da sabatina.

    • Fala sobre corrupção: Trecho “Tenho levado aos brasileiros... sete anos e meio à frente do meu estado, zero corrupção.”

    Limites: É uma preservação jornalística da fala; o rótulo editorial do UOL não é usado como autoridade para o veredito desta checagem.

    Disponível

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  2. MPF, PF, CGU e Receita investigam esquema bilionário de corrupção e danos ambientais em Minas Gerais Documento

    Ministério Público Federal · 17/09/2025

    Evidência

    Contribuição: Fonte oficial que documenta a investigação de corrupção envolvendo servidores públicos estaduais e federais e as medidas judiciais adotadas durante a gestão Zema.

    • Operação Rejeito e corrupção de servidores públicos: Descrição da operação, mandados, afastamentos, bloqueio de ativos e investigação de corrupção de servidores estaduais e federais para obtenção de licenças fraudulentas.

    Limites: A nota descreve alegações e medidas de uma investigação em curso; não equivale a condenação definitiva dos investigados.

    Disponível

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  3. Governo de Minas realiza operação integrada de fiscalização em áreas de mineradoras Documento

    Governo de Minas Gerais / Agência Minas · 25/09/2025

    Evidência, Contexto

    Contribuição: A própria administração estadual confirma que servidores estaduais foram implicados na operação, que houve afastamentos/exonerações e que a CGE tinha procedimentos investigativos em andamento.

    • Medidas administrativas e investigações internas: Trecho sobre revisão interna, exoneração e afastamento de servidores do Sisema e Iepha implicados na Operação Rejeito e procedimentos já em andamento na CGE-MG.

    Limites: A nota registra providências e posição institucional do governo; não decide responsabilidade criminal individual.

    Disponível

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  4. PF indicia 34 investigados em esquema de corrupção para mineração na Serra do Curral Documento

    O Tempo · 27/06/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Atualiza o estágio da investigação antes da fala de Zema, registrando o indiciamento de agentes públicos estaduais e federais.

    • Relatório final e indiciamentos: Relato de que a PF indiciou 34 pessoas, entre empresários e agentes públicos estaduais e federais, por suspeitas que incluem corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais e fraudes administrativas.

    Limites: É reportagem baseada no relatório da Polícia Federal, não o relatório primário; indiciamento não equivale a denúncia recebida nem a condenação.

    Disponível

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  5. Romeu Zema propõe união das forças políticas por Minas Documento

    Assembleia Legislativa de Minas Gerais · 01/01/2019

    Contexto

    Contribuição: Estabelece o início do período efetivo da gestão analisada.

    • Posse de Romeu Zema: Registro de que Romeu Zema tomou posse como governador em 1º de janeiro de 2019.

    Disponível

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  6. Assembleia dá posse a novo governador de Minas Documento

    Assembleia Legislativa de Minas Gerais · 22/03/2026

    Contexto

    Contribuição: Estabelece o fim do período efetivo da gestão Zema, antes da sabatina de agosto de 2026.

    • Renúncia de Romeu Zema e posse de Mateus Simões: Registro de que Mateus Simões assumiu em 22 de março de 2026 no lugar de Romeu Zema, que renunciou para concorrer a cargo federal.

    Disponível

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Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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