Atlas da Mentira · checagem verificável

O segundo turno presidencial de 2026 teve o menor número de abstenções da história do Brasil

Não. No segundo turno de 2026, cerca de 30,5 milhões de pessoas não votaram, o equivalente a 19,22% do eleitorado. Tanto a quantidade de ausentes quanto a proporção já foram menores em eleições presidenciais anteriores: em 2006, por exemplo, houve 23,9 milhões de faltosos (18,99%); em 1989, a taxa no segundo turno foi de 14,4%.

O dado de 2026 é o menor percentual de abstenção em um segundo turno presidencial desde 2006, além de representar uma queda expressiva em relação ao primeiro turno do próprio ano. Isso não o transforma no menor número ou percentual de toda a história brasileira, como Lula afirmou no discurso de vitória.

Qualificações importantes

Lula disse 'menor número', sem esclarecer se se referia a pessoas ausentes ou ao percentual do eleitorado. As duas leituras levam à mesma conclusão: os 30.509.005 ausentes e 19,22% de 2026 superam os 23.914.714 e 18,99% do segundo turno de 2006. A taxa de 14,4% do segundo turno de 1989 também é menor.

É correto que 2026 registrou a menor taxa de abstenção de segundos turnos presidenciais nos últimos 20 anos (desde 2006, ano com percentual ainda menor). Também houve queda de cerca de três milhões de ausentes em relação ao primeiro turno de 2026. Nenhum desses resultados equivale a recorde de toda a história.

A comparação usa eleições presidenciais nacionais na fase democrática, sobretudo turnos decisivos. Variações no tamanho do eleitorado ao longo dos anos tornam essencial não confundir quantidade de pessoas com taxa. A série histórica anterior a 1989 e eleições municipais/legislativas não são necessárias para rejeitar o superlativo: dois segundos turnos presidenciais documentados já bastam.

O conteúdo da fala foi conferido em transcrições jornalísticas independentes da Folha e da Band; a gravação original integral do discurso não foi diretamente cotejada nesta checagem. Ambas reproduzem a afirmação central sem alteração relevante.

O portal de dados abertos do TSE ressalva que 39 registros de eleitores permaneceram duplicados devido a transferências temporárias no cadastro de 2026. A diferença cadastral, diante dos milhões de ausentes e da comparação histórica, não modifica o veredito. Os números de abstenção aqui citados correspondem à totalização publicada e reproduzida pela Agência Brasil.

O que foi checado

No discurso da vitória no segundo turno de 25 de outubro de 2026, Lula afirmou que o Brasil teve o menor número de abstenções de sua história.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Luiz Inácio Lula da Silva · Atribuição verificada
Função na época
Presidente da República reeleito
Data da declaração
25/10/2026
Contexto
Discurso de vitória após o segundo turno presidencial, em São Paulo.

Como a proposição foi normalizada: A fala foi 'Nós tivemos o menor número de abstenções da história desse país'. Não especifica se compara número absoluto, percentual do eleitorado ou qual conjunto histórico de eleições; contexto é o segundo turno presidencial de 2026. Esses parâmetros não foram preenchidos por inferência.

Nós tivemos o menor número de abstenções da história desse país.

Contexto original

O que Lula disse

No discurso de vitória de 25 de outubro de 2026, após ser reeleito presidente, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país tivera 'o menor número de abstenções da história'. A frase foi reproduzida por Folha de S.Paulo e Band, imediatamente antes de referência à redução dos votos nulos. Lula não especificou se falava do número de eleitores ausentes ou da taxa de ausência relativa ao eleitorado, tampouco estabeleceu marco inicial para a comparação histórica.

Abstenção é o não comparecimento de eleitores aptos a votar. O total absoluto mede pessoas ausentes; a taxa divide essas ausências pelo eleitorado apto do turno. Como o eleitorado cresceu ao longo das décadas, os dois indicadores não são equivalentes. Para testar a frase sem escolher uma interpretação conveniente, a checagem compara ambas as medidas.

Explicação

O que registrou a eleição de 2026

A totalização divulgada pelo TSE para o segundo turno de 25 de outubro registrou 30.509.005 abstenções, ou 19,22% do eleitorado, conforme dados oficiais reproduzidos pela Agência Brasil em 26 de outubro. No primeiro turno, as ausências haviam somado 33.469.244 pessoas, ou 21,08%. Portanto, houve queda real de quase três milhões de eleitores ausentes entre os dois turnos; o próprio TSE noticiou redução da taxa de aproximadamente 21,08% para 19,2%.

No segundo turno presidencial de 2006, contudo, os resultados eleitorais publicados à época registram 23.914.714 abstenções (18,99%). Tanto o total absoluto quanto a taxa foram inferiores aos de 2026. Essa única comparação já refuta a ideia de que 2026 foi o menor registro de toda a história, qualquer que seja o sentido dado a 'número'.

A diferença histórica é ainda mais clara ao considerar 1989: em tabela elaborada com dados eleitorais de Jairo Nicolau (Iuperj) e reproduzida pela Agência Senado, a abstenção do segundo turno daquela eleição foi de 14,4% dos aptos. Esse percentual também é inferior aos 19,22% de 2026. A Agência Brasil reafirmou a referência a 1989 ao relatar o resultado recente.

A título de contexto recente, em 2022 a abstenção no segundo turno foi de 32.200.558 pessoas (20,59%), conforme resultado divulgado pelo TSE. O número de ausentes em 2026 foi menor que o de 2022, mas isso representa apenas uma comparação entre dois pleitos específicos, não um mínimo histórico.

Explicação

O que a afirmação acerta

O ponto favorável à fala é a redução expressiva das faltas entre o primeiro e o segundo turnos de 2026. A Agência Brasil e uma notícia do próprio TSE que reproduz nota dos presidentes dos tribunais regionais eleitorais descrevem 19,2% como a menor abstenção em um turno final nos últimos 20 anos. O índice é realmente menor que os registrados de 2010 a 2022, mas não supera 2006 nem 1989.

Reduzir as ausências na comparação com o primeiro turno e alcançar a menor taxa das últimas cinco disputas presidenciais são fatos diferentes de estabelecer recorde absoluto histórico. A formulação 'da história desse país' não contém a restrição temporal necessária para torná-la correta.

Contexto e limites

Limites e método

A checagem confrontou duas transcrições independentes do discurso com os números da apuração eleitoral atual e registros históricos. Para o segundo turno de 2026, foram usados dados da Justiça Eleitoral publicados pela Agência Brasil e confirmados em nota institucional do TSE. Para os contrapontos, foram usados resultados da apuração de 2006 preservados pela Folha e a tabela histórica sobre 1989 reproduzida pelo Senado.

A expressão 'toda a história' não exige reconstruir pleitos locais ou regimes eleitorais anteriores para ser refutada. A existência de índices menores em segundos turnos presidenciais comparáveis após a redemocratização é suficiente. Em qualquer interpretação razoável da métrica, a frase literal de Lula não corresponde aos dados disponíveis.

Fontes

  1. Leia a íntegra comentada do discurso do presidente Lula, reeleito neste domingo Documento

    Folha de S.Paulo · 25/10/2026

    Alegação original

    Contribuição: Preserva formulação literal do superlativo histórico e contexto do segundo turno; inclui distinção contemporânea sobre menor taxa em 20 anos.

    • Trecho inicial da transcrição do discurso: 'Nós tivemos o menor número de abstenções da história desse país'

    Limites: Transcrição jornalística; áudio original integral não cotejado diretamente.

    Disponível

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  2. Veja a íntegra do 1º discurso de Lula após vitória sobre Flávio Bolsonaro Documento

    Band · 26/10/2026

    Alegação original

    Contribuição: Segunda transcrição contemporânea corrobora o teor da declaração com redação equivalente.

    • Início da transcrição após menção ao vice-presidente: 'Nós tivemos o menor número de abstenções da história deste país.'

    Limites: Transcrição sem reprodução verificada de áudio original na investigação.

    Disponível

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  3. Presidente do TSE anuncia reeleição de Lula e faz balanço do 2º turno das Eleições 2026 Documento

    Tribunal Superior Eleitoral · 26/10/2026

    Evidência

    Contribuição: Confirma institucionalmente patamar da taxa de abstenção no segundo turno de 2026 e comparação com primeira etapa.

    • Dados de comparecimento e abstenção no segundo turno: 128,2 milhões compareceram; abstenção em torno de 19,2%, abaixo de 21,08% no primeiro turno

    Limites: Nota informativa arredonda percentuais; para a contagem exata foi consultada reportagem com os números da Justiça Eleitoral.

    Disponível

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  4. Segundo turno das eleições registra menor abstenção em 20 anos Documento

    Agência Brasil · 26/10/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Reproduz números exatos fornecidos pela Justiça Eleitoral e descreve corretamente o recorte 'últimos 20 anos', com os contraexemplos de 2006 e 1989.

    • Total nacional e percentual do segundo turno: 30.509.005 abstenções, 19,22% dos 158.745.502 aptos reportados
    • Comparação do primeiro e do segundo turno de 2026: 33.469.244 (21,08%) no primeiro turno; 30.509.005 (19,22%) no segundo
    • Subtítulo Abstenção nas eleições: 2026 teve menor percentual dos últimos 20 anos, mas 2006 registrou 18,99%
    • Referência à eleição de 1989: 1989 registrou taxa de 14,4% no segundo turno

    Limites: Números informativos da totalização eleitoral, não extração própria de relatório fechado do TSE; total de aptos em dataset bruto contém 39 registros temporariamente duplicados. A redação usa 'recorde' para 1989 embora o menor índice seja 14,4%, interpretação preservada literalmente pela taxa.

    Disponível

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  5. Apuração - Nacional - Presidente (2º turno), Eleições 2006 Documento

    Folha Online; dados do Tribunal Superior Eleitoral

    Evidência

    Contribuição: Dados históricos com 2006 abaixo de 2026 em volume e percentual; apuração fechada do TSE preservada em arquivo da época.

    • Resultado final, último registro 30/10/2006, 14h55: Abstenção 23.914.714 (18,99%); eleitorado apurado 125.912.935; 100% das urnas

    Limites: Página histórica contém marcas de código de template antigo, mas a tabela de apuração é legível e identifica o TSE como origem.

    Disponível

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  6. Abstenção nas eleições mantém-se desde 1994 próxima de 18% Documento

    Agência Senado · 06/10/2006

    Evidência

    Contribuição: Documenta percentual do segundo turno de 1989, anterior e menor que o de 2026, sem comparabilidade de tamanho bruto do eleitorado.

    • Eleições – Abstenção no Brasil, 1989–2006: Tabela Brasil: 1989 primeiro turno 11,9%; segundo turno 14,4%, fonte Base de Dados Eleitorais de Jairo Nicolau/Iuperj

    Limites: Tabela compilada pelo pesquisador Jairo Nicolau com bases eleitorais da época e reproduzida pelo Senado, não arquivo granular diretamente extraído neste trabalho.

    Disponível

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  7. 100% das seções totalizadas: confira como ficou o quadro eleitoral após o 2º turno Documento

    Tribunal Superior Eleitoral · 31/10/2022

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Comprova comparação recente favorável à fala: segundo turno de 2026 teve taxa e quantidade de ausentes menores que em 2022.

    • Balanço final, segundo turno de 2022: 32.200.558 abstenções, 20,59% de 156.454.011 eleitores aptos; texto atualizado em 08/07/2026

    Limites: A página do TSE recebeu atualização de metadados em 2026, preserva a totalização histórica de 2022.

    Disponível

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  8. Presidentes dos TREs reconhecem eficiência e segurança das Eleições Gerais de 2026 Documento

    Tribunal Superior Eleitoral · 27/10/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Fonte institucional que apoia leitura favorável de menor taxa nos últimos 20 anos, distinta de menor valor de toda a história.

    • Nota do Coptrel sobre participação do eleitorado: No segundo turno, mais de 128 milhões compareceram, com 19,2% de abstenção, menor registrado em uma etapa final de eleições nos últimos 20 anos

    Limites: Nota de balanço com taxas arredondadas, sem tabela histórica integral.

    Disponível

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  9. Resultados - 2026 — Portal de Dados Abertos do TSE Base de dados

    Tribunal Superior Eleitoral / Assessoria de Gestão Eleitoral

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Explicita ajuste de 39 registros de aptos em base oficial de 2026, sem relevância para comparação multimilionária.

    • Informação importante sobre quantitativo de eleitores aptos: 39 registros de transferência temporária permaneceram vinculados também à seção de origem. Arquivos usam 158.745.502, mas total efetivo de aptos é 158.745.463.

    Limites: Arquivo de relatório nacional é ZIP e não foi extraído nesta investigação; dados quantitativos usados foram os comunicados por TSE e Agência Brasil.

    Disponível

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Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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