Atlas da Mentira · checagem verificável

O Brasil cresceu 20% na relação comercial com a China

É enganosa a afirmação de que o Brasil cresceu 20% na relação comercial com a China se entendida como retrato atual do comércio bilateral.

De janeiro a setembro de 2026, último acumulado completo já divulgado, a corrente de comércio Brasil–China cresceu 11,1%; as exportações aumentaram 12,0% e as importações, 9,9%. Um dado anterior de exportações, referente a janeiro–julho, chegou a 19,7%, próximo a 20%, mas ele não descreve o conjunto das trocas nem o balanço mais recente.

Qualificações importantes

Lula não especificou indicador nem período. Portanto, não afirmou expressamente que o dado se referia a janeiro–setembro; a própria comparação com outros países sugere um retrato contemporâneo das relações comerciais.

Havia dado compatível com um arredondamento a 20%: alta de 19,7% nas exportações brasileiras destinadas à China no acumulado até julho, mas a corrente de comércio naquele mesmo intervalo cresceu 14,8%.

A comparação usa estatísticas de mercadorias em valor monetário, não serviços, investimentos ou quantidades físicas. O quadro detalhado do MDIC apresentou limitação de acesso direto, cotejada com a nota oficial e outras reproduções.

O que foi checado

Lula afirmou que o Brasil cresceu 20% na relação comercial com a China.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Luiz Inácio Lula da Silva · Atribuição verificada
Função na época
Presidente e candidato à reeleição
Data da declaração
15/10/2026
Contexto
Sabatina da TV Globo conduzida por Renata Lo Prete, em 15 de outubro de 2026, no contexto do segundo turno eleitoral; Lula comparou os mercados dos Estados Unidos, China e outros parceiros.

Como a proposição foi normalizada: Na mesma frase o presidente contrasta esse suposto aumento com perda de 9% na relação comercial com os Estados Unidos. Não especificou indicador (exportações, importações, corrente ou saldo comercial) nem intervalo de referência; não pressupor essas definições.

É que embora a gente tenha perdido 9% na relação comercial com os Estados Unidos, nós crescemos 20% com a China.

Contexto original

A fala e seu contexto

Lula disse, na sabatina da Globo de 15 de outubro de 2026, que o Brasil havia perdido 9% na relação comercial com os EUA e crescido 20% com a China. Também citou aumentos com Indonésia, Alemanha e Vietnã ao argumentar que o país dispõe de alternativas comerciais. Não indicou se falava de exportações, importações ou corrente de comércio, nem a janela temporal.

Explicação

O que indicavam os dados oficiais

O último acumulado consolidado disponível na data da entrevista abrangia janeiro a setembro de 2026. Na comparação com igual período de 2025, a corrente de comércio entre Brasil e China — soma de exportações e importações — havia aumentado 11,1%, para US$ 143,30 bilhões, não 20%.

As exportações brasileiras destinadas à China chegaram a US$ 84,68 bilhões, aumento de 12,0%; as importações de produtos chineses somaram US$ 58,62 bilhões, alta de 9,9%. O crescimento de 12% nas exportações constava de comunicado do MDIC publicado em 6 de outubro.

No mesmo acumulado, a corrente de comércio com os Estados Unidos havia caído 6,8%. Essa diferença contextualiza o outro percentual citado por Lula, mas o objeto desta checagem é o resultado mencionado para a China.

Explicação

Qual resultado pode explicar os 20%?

Existe uma leitura favorável à cifra. De janeiro a julho de 2026, as exportações brasileiras para a China haviam aumentado 19,7% frente a 2025, praticamente 20% quando arredondadas. É um resultado verdadeiro, mas de dois meses antes e referente apenas às vendas brasileiras.

Mesmo em janeiro–julho, a corrente total de comércio entre Brasil e China registrava alta de 14,8%, não 20%. Na divulgação posterior até setembro, esse ritmo foi de 11,1%. A ausência de indicador e data na fala dá a impressão de que o comércio bilateral mais recente cresceu cerca de um quinto, conclusão que os dados não sustentam.

Método

Como foi feita a checagem

Foram comparados dois registros contemporâneos da fala com as séries da Secex/MDIC publicadas antes de 15 de outubro. Foram considerados separadamente exportações, importações e corrente bilateral nos mesmos recortes. A gravação integral original da sabatina não foi revista; a redação foi cotejada entre dois relatos jornalísticos.

Fontes

  1. Na Globo, Lula erra dado de empregos e exagera sobre partidos no governo Fonte

    UOL Confere · 15/10/2026 · Atualizado em 16/10/2026 às 00h45

    Alegação original, Contexto

    Contribuição: Registra a formulação atribuída a Lula na sabatina.

    • Relação comercial com EUA e China: Citação e comentário da checagem entre reforma do Judiciário e Mais Médicos

    Limites: Transcrição jornalística; gravação integral não conferida nesta apuração.; Sua classificação editorial não foi utilizada como prova do nosso resultado.

    Disponível

    Abrir fonte

  2. Na Globo, Lula muda de opinião, defende redução da maioridade penal e faz mea-culpa Fonte

    Terra · 15/10/2026 · Atualizado em 16/10/2026 às 00h29

    Alegação original, Contexto

    Contribuição: Confirma a citação e esclarece o contexto sobre comércio e alternativas de mercados.

    • Relação com os Estados Unidos: Contexto da pergunta e resposta com 9% para EUA e 20% para China

    Limites: Relato jornalístico; texto não cotejado com o áudio integral original.

    Disponível

    Abrir fonte

  3. Balança Comercial Mensal — Dados Consolidados, setembro de 2026 Base de dados

    Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC) · 06/10/2026 · Séries consolidadas até setembro de 2026

    Evidência

    Contribuição: Dados primários da Secex discriminam exportações, importações e corrente por país.

    • Parceiros comerciais — China, janeiro–setembro: Exportações +12,0% (US$ 84,68 bi), importações +9,9% (US$ 58,62 bi), corrente +11,1% (US$ 143,30 bi) sobre 2025
    • Parceiros comerciais — EUA, janeiro–setembro: Corrente de comércio -6,8% (US$ 59,26 bi) sobre 2025; exportações -6,5% e importações -7,1%

    Limites: Acesso direto à página dinâmica falhou; consulta textual verificada contra divulgação do MDIC e reprodução contemporânea.; Mercadorias em valor monetário; não inclui serviços ou investimentos.

    Disponibilidade parcial — Página dinâmica com erro temporário de carregamento; valores da publicação foram consultados no conteúdo indexado e comparados com comunicados oficiais e reprodução das tabelas.

    Abrir fonte

  4. China e União Europeia compram mais produtos brasileiros e superávit cresce 34,8% Documento

    Agência Gov, via MDIC · 06/10/2026

    Evidência

    Contribuição: Confirma o dado oficial das exportações e sua disponibilidade antes da fala.

    • Exportações para China no acumulado janeiro–setembro: Crescimento +12,0%, total de US$ 84,68 bilhões; divulgação do MDIC em 06/10/2026

    Limites: Texto de divulgação resumido, sem discriminar o valor bilateral total com China.

    Disponível

    Abrir fonte

  5. Superávit da balança comercial brasileira em julho apresenta crescimento de 6,2% Documento

    Agência Gov · 06/08/2026

    Evidência

    Contribuição: Comprova a interpretação favorável: perto de 20% em exportações num recorte anterior, mas não na corrente bilateral.

    • Exportações China janeiro–julho de 2026: +19,7%, US$ 69,03 bilhões, frente aos mesmos sete meses de 2025
    • Corrente China janeiro–julho de 2026: +14,8%, US$ 113,99 bilhões, ante 2025

    Limites: Números de julho, superados por publicação posterior até setembro.

    Disponível

    Abrir fonte

Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

Metodologia e significado dos achados · Solicitar correção

Encontrou um erro?

Indique o ponto que precisa ser revisto e, se possível, a evidência que sustenta a solicitação. O envio fica privado até análise.

Aponte o trecho, dado ou conclusão que você acredita estar incorreto ou incompleto.

Se possível, inclua links, documentos ou referências que sustentem a solicitação.

Não será publicado. Podemos usá-lo apenas se precisarmos esclarecer esta solicitação.