Atlas da Mentira · checagem verificável

40 mil brasileiros ou mais morrem por ano devido a facções e organizações criminosas

Não há base nacional padronizada que permita afirmar que 40 mil brasileiros ou mais morrem todos os anos por causa de facções e organizações criminosas.

O número citado é quase igual ao total de todas as Mortes Violentas Intencionais registradas no país em 2025: 40.775. Essa categoria inclui homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes por intervenção policial, sem separar quais foram causadas por facções. O Sinesp também divulga indicadores criminais nacionais por tipo de ocorrência, não por vínculo causal com organizações criminosas. Estudos sobre motivação de homicídios encontram forte variação regional e metodológica; uma revisão de 45 levantamentos e pesquisas encontrou participação atribuída ao tráfico variando de 0% a 78%, sem estimativa nacional consensual. Assim, a influência das facções sobre a violência letal é documentada, mas a cifra de 40 mil mortes anuais especificamente causadas por elas não é verificável com os dados disponíveis.

Qualificações importantes

Em 2025, o Brasil registrou 40.775 Mortes Violentas Intencionais no total. O indicador agrega diferentes formas de morte violenta e não equivale a mortes causadas por facções.

Os indicadores nacionais do Sinesp incluem homicídio doloso, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e morte por intervenção estatal, entre outros, mas não há indicador nacional de “mortes por facções” ou de motivação pelo crime organizado.

  • Ocorrências Criminais — Sinesp Indicadores definidos no Sinesp: Lista os indicadores nacionais por tipo de ocorrência, incluindo homicídio doloso, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e morte por intervenção do Estado; não há indicador nacional de morte causada por facção.

Levantamento de Tulio Kahn sobre 45 estudos e bases de motivação de homicídios encontrou resultados muito díspares para a categoria tráfico: de 0% a 78%, com média de 32%; o autor ressalta que não existe estudo abrangente nem metodologia padronizada que gere uma estimativa consensual nacional.

  • Motivação dos homicídios no Brasil Revisão de estudos sobre motivação: Revisão de 45 estudos e levantamentos encontra participação do tráfico nos homicídios variando de 0% a 78%, média de 32%, e ressalta que não há estudo abrangente, metodologia padronizada ou estimativa consensual nacional.

A ausência de uma contagem nacional não significa que facções não influenciem a letalidade. O Atlas da Violência e outros estudos documentam relações entre expansão de facções, disputas territoriais e aumento de homicídios em determinadas regiões.

A gravação integral do debate não foi reproduzida nesta execução. A frase foi conferida em preservação contemporânea da Agência Lupa.

O que foi checado

“40 mil brasileiros ou mais, todos os anos, têm morrido por causa das facções e organizações criminosas.”

Forma
Declaração literal
Atribuição
Romeu Zema · Atribuição verificada
Função na época
candidato à Presidência da República pelo Novo
Data da declaração
21/09/2026
Contexto
Debate com candidatos à Presidência promovido pelo Flow Podcast.

40 mil brasileiros ou mais, todos os anos, têm morrido por causa das facções e organizações criminosas.

Contexto original

O que Romeu Zema disse

No debate presidencial promovido pelo Flow em 21 de setembro de 2026, Romeu Zema afirmou que 40 mil brasileiros ou mais morrem todos os anos por causa de facções e organizações criminosas.

40 mil brasileiros ou mais, todos os anos, têm morrido por causa das facções e organizações criminosas.

Explicação

40 mil é quase o total de todas as mortes violentas intencionais

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública registrou 40.775 Mortes Violentas Intencionais em 2025. O total reúne homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial. Portanto, ele não pode ser usado como uma contagem de mortes provocadas por facções.

Se a cifra de 40 mil fosse comparada apenas como ordem de grandeza ao total de 40.775, ela corresponderia a aproximadamente 98% de todas as Mortes Violentas Intencionais de 2025. Não há base apresentada na fala nem estatística nacional localizada que faça essa atribuição causal.

Método

As bases nacionais não classificam mortes por facção

O Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) consolida indicadores como homicídio doloso, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e morte por intervenção de agente do Estado. A lista oficial não contém um indicador que identifique, em escala nacional, quais mortes foram causadas por facções ou organizações criminosas.

  • Ocorrências Criminais — Sinesp Indicadores definidos no Sinesp: Lista os indicadores nacionais por tipo de ocorrência, incluindo homicídio doloso, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e morte por intervenção do Estado; não há indicador nacional de morte causada por facção.

A motivação dos homicídios também é difícil de padronizar. Tulio Kahn revisou 45 estudos e levantamentos brasileiros e encontrou participação atribuída ao tráfico variando de 0% a 78%, com média de 32%. O autor ressalta diferenças de metodologia, região e classificação e afirma que não há estimativa nacional consensual.

  • Motivação dos homicídios no Brasil Revisão de estudos sobre motivação: Revisão de 45 estudos e levantamentos encontra participação do tráfico nos homicídios variando de 0% a 78%, média de 32%, e ressalta que não há estudo abrangente, metodologia padronizada ou estimativa consensual nacional.

Contexto e limites

Facções influenciam a violência, mas isso não produz a contagem citada

Pesquisas nacionais documentam que a expansão e as disputas de facções ajudam a explicar variações de homicídios em áreas do Norte e do Nordeste e em rotas de mercados ilícitos. Essa evidência é territorial e analítica; não equivale a uma soma nacional de vítimas atribuíveis ao crime organizado.

Explicação

A cifra não pode ser confirmada

Há evidência sólida de que organizações criminosas contribuem para homicídios e conflitos violentos no Brasil, mas não existe uma série nacional comparável que demonstre 40 mil ou mais mortes por ano causadas por esses grupos. Como a cifra coincide aproximadamente com o total de mortes violentas de todas as causas, tratá-la como uma estatística de facções exige uma atribuição que os dados disponíveis não permitem.

  • Mortes Violentas Intencionais no Brasil em 2025: entre avanços históricos e desafios persistentes Mortes Violentas Intencionais em 2025: Registra 40.775 MVI em 2025 e define a categoria como homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes por intervenção policial.
  • Ocorrências Criminais — Sinesp Indicadores definidos no Sinesp: Lista os indicadores nacionais por tipo de ocorrência, incluindo homicídio doloso, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e morte por intervenção do Estado; não há indicador nacional de morte causada por facção.
  • Motivação dos homicídios no Brasil Revisão de estudos sobre motivação: Revisão de 45 estudos e levantamentos encontra participação do tráfico nos homicídios variando de 0% a 78%, média de 32%, e ressalta que não há estudo abrangente, metodologia padronizada ou estimativa consensual nacional.

Fontes

  1. Debate com candidatos à Presidência — Flow Podcast — 21/09/2026 Gravação

    Flow Podcast · 21/09/2026

    Alegação original

    Contribuição: Fonte original identificada para a declaração, indisponível nesta execução.

    Limites: A gravação original não foi reproduzida nesta execução; a formulação foi conferida em preservação contemporânea da Agência Lupa.

    Indisponível — A URL original foi identificada pela cobertura contemporânea, mas a gravação não pôde ser carregada nesta execução.

    Abrir fonte

  2. Debate no Flow: Caiado, Cury e Zema erram sobre segurança e investigações contra adversários Fonte

    Agência Lupa · 21/09/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Preserva formulação, atribuição, data e contexto da fala.

    • Trecho da fala de Romeu Zema sobre mortes atribuídas a facções: Preserva a afirmação de que 40 mil brasileiros ou mais morrem todos os anos por causa de facções e organizações criminosas.

    Limites: É preservação jornalística secundária; sua classificação editorial não é usada como autoridade para o finding.

    Disponível

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  3. Mortes Violentas Intencionais no Brasil em 2025: entre avanços históricos e desafios persistentes Documento

    Fórum Brasileiro de Segurança Pública · 29/07/2026

    Evidência

    Contribuição: Fornece a ordem de grandeza nacional e mostra que 40 mil se aproxima do total de todas as MVI, não de uma subcategoria por facção.

    • Mortes Violentas Intencionais em 2025: Registra 40.775 MVI em 2025 e define a categoria como homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes por intervenção policial.

    Limites: O indicador mede mortes violentas por natureza jurídica da ocorrência e não classifica a motivação ou eventual vínculo com facções.

    Disponível

    Abrir fonte

  4. Ocorrências Criminais — Sinesp Base de dados

    Ministério da Justiça e Segurança Pública

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Demonstra que a principal base nacional de ocorrências não produz a estatística causal alegada.

    • Indicadores definidos no Sinesp: Lista os indicadores nacionais por tipo de ocorrência, incluindo homicídio doloso, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e morte por intervenção do Estado; não há indicador nacional de morte causada por facção.

    Limites: A ausência de um indicador nacional padronizado não impede que estados ou pesquisas locais classifiquem motivações em bases próprias.

    Disponível

    Abrir fonte

  5. Motivação dos homicídios no Brasil Documento

    Espaço Democrático; artigo de Tulio Kahn · 04/09/2023

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Mostra a ausência de consenso nacional sobre a fração dos homicídios atribuível ao tráfico/crime organizado e a forte variabilidade metodológica.

    • Revisão de estudos sobre motivação: Revisão de 45 estudos e levantamentos encontra participação do tráfico nos homicídios variando de 0% a 78%, média de 32%, e ressalta que não há estudo abrangente, metodologia padronizada ou estimativa consensual nacional.

    Limites: O artigo sintetiza estudos de diferentes períodos e localidades e usa “tráfico” como categoria mais estreita que o conjunto de facções e organizações criminosas.

    Disponível

    Abrir fonte

  6. Atlas da violência 2025: retrato dos municípios brasileiros e dinâmica regional do crime organizado Documento

    Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública · 11/2025

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Confirma que a influência das facções sobre a violência letal é estudada, sem transformar essa relação em uma estatística nacional de 40 mil vítimas.

    • Resumo do relatório: O resumo relaciona expansão de facções e aumento da letalidade em áreas estratégicas do tráfico e outros mercados ilícitos, com enfoque territorial e regional.

    Limites: O estudo analisa dinâmica territorial e não fornece uma contagem nacional de mortes causalmente atribuídas a facções.

    Disponível

    Abrir fonte

Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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