Atlas da Mentira · checagem verificável

240 mil servidores de MG estavam negativados na posse de Zema em 2019 por consignados descontados e não repassados pelo governo Pimentel

As fontes examinadas não permitem confirmar nem refutar que 240 mil servidores estavam negativados por consignados em 1º de janeiro de 2019. Há evidências de não repasses e de negativações anteriores, mas não uma contagem correspondente à data e ao universo da fala.

Os totais disponíveis medem pessoas afetadas pelo problema, não inscrições ainda existentes na posse. O delegado responsável disse que a apuração individual dos servidores não integrava o objeto daquele inquérito. Declarações sobre regularização também precisam ser distinguidas de uma contagem dos cadastros.

Qualificações importantes

O universo prejudicado pelo não repasse não equivale ao de negativados: segundo César Matoso, houve procedimentos bancários diferentes e a investigação não examinou cada servidor individualmente.

O relato do governo sucessor sobre passivo herdado não informa quantos servidores estavam inscritos em cadastros de inadimplentes na posse.

A manifestação judicial sobre milhares de negativados e a resposta de Onofre Batista sobre regularização foram relatadas em setembro de 2018. Nenhuma fornece uma contagem para janeiro de 2019.

As cerca de 7 mil restrições do processo do Santander estão vinculadas à análise de repasse de junho de 2012; não constituem uma contagem deste episódio na posse.

O contexto temporal da fala foi conferido na preservação jornalística. A página oficial identifica a entrevista, mas o áudio não pôde ser ouvido para conferência literal.

O que foi checado

Quando Romeu Zema tomou posse no governo de Minas Gerais, em 1º de janeiro de 2019, cerca de 240 mil servidores estaduais estavam com o nome negativado no SPC ou Serasa porque a administração Fernando Pimentel descontara parcelas de empréstimos consignados sem repassá-las aos bancos.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Romeu Zema · Atribuição verificada
Função na época
candidato à Presidência
Data da declaração
06/08/2026
Contexto
Sabatina do g1 e da GloboNews, também disponibilizada como episódio especial de O Assunto.

Como a proposição foi normalizada: A referência à posse integra a fala preservada pelo UOL e não pode ser substituída pelo total de pessoas negativadas em algum momento anterior. O período de junho de 2017 a setembro de 2018 corresponde aos não repasses examinados em um inquérito, não à data do total alegado. A leitura alternativa de uma síntese dos problemas herdados é discutida, sem eliminar o número específico. A referência ao governo Pimentel designa a administração estadual, não uma conclusão sobre responsabilidade penal pessoal.

Limite de atribuição: A atribuição e a formulação foram verificadas na preservação jornalística do UOL e na identificação oficial do episódio; não foi possível ouvir o áudio para cotejo direto.

Quando assumi em 2019, 1º de janeiro [...] 240 mil servidores públicos com nome sujo no SPC e Serasa

Contexto original

A fala se refere à situação na posse

Na sabatina de 6 de agosto de 2026, Zema apresentou o número de 240 mil ao descrever o Estado que assumira em 1º de janeiro de 2019. Atribuiu as restrições de crédito à retenção, pela administração Pimentel, de parcelas descontadas dos servidores. Essa formulação consta da preservação do UOL. A página oficial de O Assunto identifica a entrevista; não foi possível cotejar o trecho com o áudio.

Explicação

O não repasse e o universo afetado

Em junho de 2020, a Agência Minas registrou declaração do secretário Otto Levy: o Estado retivera descontos de consignados em 2017 e 2018, deixando aproximadamente R$ 536 milhões de passivo no início de 2019 e prejudicando 280 mil servidores. Trata-se do relato do governo sucessor sobre pessoas prejudicadas, não de um levantamento de nomes no SPC ou Serasa.

Ao noticiar a conclusão de um inquérito em abril de 2021, o BHAZ informou estimativa policial de cerca de 260 mil servidores e pensionistas afetados e não repasses entre junho de 2017 e setembro de 2018. O jornal também registrou que, segundo o delegado César Matoso, alguns bancos negativaram clientes e outros não. Isso confirma a ocorrência do problema, mas não permite converter todos os atingidos em negativados.

Explicação

A investigação não responde ao total na data alegada

A declaração sobre o limite da apuração aparece na reportagem do Estado de Minas de 12 de abril de 2021, na seção Servidores endividados. Matoso explicou que a investigação tratava do desvio de recursos para benefício do Estado, não da apuração de cada servidor lesado. A fonte foi consultada como reportagem da coletiva, não como acesso ao inquérito integral. Não se deve transformar essa delimitação em uma afirmação sobre todas as investigações possíveis.

Em 10 de setembro de 2018, a Folha relatou a ação de um servidor negativado e reproduziu manifestação do desembargador Luiz Artur Hilário sobre milhares de trabalhadores nessa situação. O registro sustenta a ocorrência de inscrições anteriores à posse, mas não informa quantas permaneciam em janeiro de 2019.

Na mesma reportagem, o então advogado-geral do Estado, Onofre Batista, afirmou que os atrasos haviam sido negociados e que os servidores já não estavam negativados. É um contraponto relevante da administração questionada, não uma comprovação de que todas as restrições foram retiradas. A página não apresenta uma conferência individual dos cadastros que permita resolver essa divergência.

O relato posterior de Levy situa a quitação do passivo herdado em maio de 2019. As duas declarações de regularização não permitem assumir o mesmo alcance: pagamento da dívida do Estado e retirada de restrições individuais são medidas distintas. Nenhuma delas demonstra, por si, 240 mil inscrições ou ausência total de inscrições na posse.

Contexto e limites

O que a interpretação mais favorável permite concluir

A defesa mais forte é ler a fala como uma síntese dos prejuízos herdados, não como um levantamento feito no dia da posse. A dimensão do universo atingido e as negativações documentadas sustentam a gravidade do episódio. Mesmo nessa leitura, porém, as fontes não estabelecem que 240 mil pessoas tenham sido negativadas. Também não demonstram que esse total seja impossível. Por isso, o resultado permanece inconclusivo, e não falso ou confirmado.

Método

Limites da contagem

Foi excluído o caso de cerca de 7 mil restrições discutido no recurso 13.611/2016 do Procon-MG. A decisão relaciona a retirada dessas restrições à avaliação de repasse de junho de 2012 e reproduz informação da SEPLAG de que não houve atraso estadual no caso examinado. A publicação de atos posteriores não transforma aquelas ocorrências em uma contagem para 2017–2018 ou janeiro de 2019.

Para resolver o número na leitura literal da fala, seria necessário um levantamento consolidado, sem duplicar pessoas com mais de um contrato ou registro, das inscrições ainda existentes em 1º de janeiro de 2019 e vinculadas a esses não repasses. A documentação examinada não oferece esse levantamento. A ausência dele não é prova de falsidade.

Fontes

  1. ESPECIAL: Natuza Nery e Andréia Sadi entrevistam Romeu Zema Gravação

    O Assunto / g1 · 06/08/2026

    Alegação original

    Contribuição: Identifica o registro original da entrevista; a formulação e o contexto temporal são preservados pela reportagem do UOL.

    • Localização indicativa do trecho: 03:58–04:30; minutagem não confirmada por audição
    • Descrição do episódio: Identificação da sabatina com Natuza Nery e Andréia Sadi, transmitida pelo g1 e pela GloboNews e disponibilizada na íntegra em O Assunto.

    Limites: A descrição não contém transcrição do trecho; não foi realizado cotejo direto com o áudio.

    Disponibilidade parcial — Descrição oficial do episódio acessível; o arquivo de áudio não pôde ser reproduzido ou obtido para conferência direta.

    Abrir fonte

  2. Em sabatina, Zema erra ao falar de obra do Rodoanel e investigados do Novo Documento

    UOL Confere · 06/08/2026

    Alegação original, Contexto

    Contribuição: Preservação secundária da formulação atribuída a Zema, incluindo o marco da posse.

    • Alegação sobre servidores e consignados: Parágrafo da fala que começa pela referência à posse em 2019, no dia 1º de janeiro, e associa 240 mil negativados ao não repasse de consignados.

    Limites: É reprodução jornalística, não transcrição oficial nem conferência direta do áudio. Seu veredito não fundamenta o desta checagem.

    Disponível

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  3. Ex-secretário de Pimentel é indiciado por desviar mais de R$ 850 milhões Documento

    BHAZ · 12/04/2021 · Texto atualizado em 12/04/2021 às 16h57

    Evidência

    Contribuição: Distingue abrangência do problema e reação dos bancos.

    • Estimativa de atingidos e procedimentos bancários: Primeiros parágrafos: aproximadamente 260 mil afetados; condutas de junho de 2017 a setembro de 2018; bancos que negativaram clientes e outros que não o fizeram.

    Limites: Reportagem de coletiva, não inquérito integral. Não contém a declaração específica sobre a apuração individual dos servidores.

    Disponível

    Abrir fonte

  4. Secretários reafirmam compromissos com o funcionalismo em audiência na ALMG Documento

    Governo de Minas Gerais / Agência Minas · 01/06/2020

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Registra passivo herdado e sua regularização segundo o governo sucessor.

    • Histórico das consignações: Declaração de Otto Levy sobre retenções em 2017 e 2018, passivo aproximado de R$ 536 milhões no início de 2019 e 280 mil prejudicados.
    • Quitação dos repasses: Parágrafo imediatamente seguinte situa a quitação em maio de 2019.

    Limites: Comunicação da gestão Zema, parte interessada na comparação política. Não apresenta contagem de pessoas negativadas nem datas individuais de retirada.

    Disponível

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  5. Justiça de Minas aciona PGR para investigar Pimentel Documento

    Folha de S.Paulo · 10/09/2018 · Texto atualizado em 10/09/2018 às 19h14

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Documenta a ocorrência histórica e preserva o contraponto contemporâneo de regularização.

    • Ação judicial e manifestação do desembargador: Relato de servidor negativado e manifestação de Luiz Artur Hilário sobre milhares de servidores nessa situação.
    • Resposta do advogado-geral do Estado: Dois parágrafos finais: Onofre Batista afirma negociação dos atrasos e ausência de nomes negativados, mencionando pagamentos à Caixa e ao Banco do Brasil.

    Limites: Reproduz manifestação judicial e resposta do governo, não um censo de cadastros nem o processo integral. A declaração de regularização é atribuída, não comprovada pela reportagem.

    Disponível

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  6. Recurso nº 13.611/2016 — Banco Santander (Brasil) S/A x Procon-MG Documento

    Ministério Público do Estado de Minas Gerais / Procon-MG · Decisão da Junta Recursal, PDF de 25 páginas

    Contexto

    Contribuição: Permite excluir uma base quantitativa de outro episódio.

    • Informação da SEPLAG: Página 9: ausência de atraso estadual no caso examinado; processo SCAP 001/2012.
    • Restrições e repasse de 2012: Página 10: retirada de restrições de 7 mil contratos após avaliação do repasse de junho de 2012.

    Limites: Não mede as inscrições resultantes dos não repasses de 2017–2018 nem sua permanência na posse de 2019. O documento também relata problemas posteriores a junho de 2012; não estabelece que toda prática irregular cessou naquele mês.

    Disponível

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  7. Secretários da gestão Pimentel são indiciados por desvio de R$ 850 milhões Documento

    Estado de Minas · 12/04/2021 · Texto de Déborah Lima atualizado em 12/04/2021 às 17h00

    Evidência

    Contribuição: Documenta explicitamente o limite da apuração policial relevante para a contagem.

    • Servidores endividados: Declaração de César Matoso sobre procedimentos diferentes dos bancos e delimitação do inquérito, sem apuração individual de cada servidor.

    Limites: Reportagem da coletiva, não acesso ao inquérito integral. O parágrafo introdutório aproxima prejudicados e negativados; a fala do delegado imediatamente seguinte os distingue. Não constitui nova investigação independente da coletiva também coberta pelo BHAZ.

    Disponível

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Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

  • A formulação da alegação foi conferida na preservação do UOL; a página oficial do episódio foi acessada, mas não foi possível ouvir o áudio para cotejo direto.
  • As declarações sobre o inquérito foram examinadas em reportagens da coletiva, não no relatório policial integral.
  • Os relatos de regularização da administração Pimentel e da administração Zema são apresentados como declarações atribuídas. Não substituem uma contagem de inscrições ainda existentes na posse.
  • Não foi localizado nas fontes examinadas um levantamento consolidado de pessoas negativadas por esse motivo em 1º de janeiro de 2019; isso não demonstra que o total alegado seja impossível.
  • O caso do Santander relacionado ao repasse de junho de 2012 foi excluído da contagem.

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