Atlas da Mentira · checagem verificável

Menos de 70% dos ônibus da frota habitual de dias úteis circularam em São Paulo no segundo turno, apesar de ordem para 100%

Não é possível confirmar o percentual exato afirmado por Luana Alves. A Justiça Eleitoral exigiu 100% da frota usual de dias úteis e houve operação abaixo desse patamar, mas os dados examinados não comprovam que menos de 70% dos ônibus da capital circularam ao longo de 25 de outubro.

A vereadora disse literalmente 'menos de 70%'. O próprio prefeito declarou 71% da frota; o aplicativo BusInfo registrou 71,7% às 13h20 e 71,04% às 14h40. Já os 58,6% da Folha referem-se a viagens programadas executadas, e não a veículos distintos. Falta uma conciliação auditável dos veículos que efetivamente operaram ao longo do dia com a frota de referência da decisão judicial. Assim, a ordem de 100% e seu descumprimento estão documentados, mas o limite estrito alegado permanece sem comprovação.

Qualificações importantes

O ponto literal checado é 'menos de 70%', não 'aproximadamente 70%'. O prefeito afirmou 71% no dia; registros externos do aplicativo BusInfo indicaram 71,7% às 13h20 e 71,04% às 14h40, usando denominadores e períodos distintos. Esses dados não confirmam o limiar estrito diário, embora mostrem situação abaixo de 100%.

O juiz determinou 100% da frota habitualmente praticada em dias úteis regulares, não 100% de quaisquer veículos cadastrados, de reserva ou indisponíveis na cidade.

O levantamento de 58,6% refere-se a partidas programadas e viagens monitoradas por GPS, não à participação de ônibus individuais da frota. Esses dois percentuais não podem ser confundidos.

A discrepância operacional não comprova que houve estratégia deliberada para prejudicar eleitores ou crime eleitoral. A prefeitura alegou prazo insuficiente e ausências de motoristas, e a Câmara arquivou a tentativa de impeachment; tais manifestações tampouco apagam o déficit de frota admitido.

A base de cerca de 12 mil veículos de dias úteis citada pelo prefeito, o cadastro de aproximadamente 13,8 mil ônibus monitorados por aplicativo e as viagens programadas são denominadores distintos. As duas reportagens do BusInfo compartilham a mesma origem tecnológica; as fotos de horários específicos não garantem o resultado da frota de veículos únicos ao longo do dia.

O que foi checado

No segundo turno presidencial de 25 de outubro de 2026, circulou menos de 70% da frota municipal de ônibus de São Paulo, apesar de determinação da Justiça Eleitoral para operar 100% da frota normalmente praticada em dias úteis.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Luana Alves · Atribuição verificada
Função na época
Vereadora de São Paulo (PSOL)
Data da declaração
03/11/2026
Contexto
Debate na comissão especial da Câmara Municipal de São Paulo, em 3/11/2026, sobre pedido de impeachment relacionado à oferta de ônibus no segundo turno presidencial de 25/10/2026.

Como a proposição foi normalizada: Mantém o limiar estrito 'menos de 70%' documentado na fala original de Luana Alves, não o reinterpreta como 'cerca de 70%' nem como 58,6% das partidas programadas. Avalia separadamente a ordem de 100% e a quantificação efetiva de veículos, sem alegar intencionalidade eleitoral.

mas tivemos menos de 70%

Contexto original

De onde veio a afirmação

Em 3 de novembro de 2026, ao debater na Câmara de São Paulo o transporte oferecido no segundo turno presidencial de 25 de outubro, a vereadora Luana Alves (PSOL) afirmou, nas palavras registradas pela Câmara, que a Prefeitura colocara 'menos de 70%' da frota em circulação, apesar de a Justiça Eleitoral ter exigido 100% dos ônibus usuais de dias úteis. A Agência Brasil publicou uma paráfrase que arredondou essa acusação para '70%', mas esse arredondamento não substitui o limiar estrito afirmado pela autora. A vereadora também levantou suspeita de interferência eleitoral, tema que não se deduz de uma taxa operacional.

Explicação

A ordem do TRE e a admissão do prefeito

Em 24 de outubro de 2026, o juiz Tiago Ducatti Machado, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, determinou que a capital disponibilizasse no dia seguinte 100% da frota de ônibus normalmente praticada em dias úteis regulares. O comunicado do TRE-SP previa multa de R$ 100 mil ao prefeito e ao presidente da SPTrans no caso de descumprimento. A referência eram os ônibus de dias úteis, não necessariamente todo o cadastro físico de veículos da cidade.

Dois dias depois do pleito, o prefeito Ricardo Nunes declarou que 71% da frota haviam operado no domingo, totalizando 8.814 ônibus em comparação com cerca de 12 mil veículos da frota em dias úteis. A afirmação confirma que o governo municipal reconheceu operação inferior à exigência judicial de 100%, mas contraria o limiar preciso 'menos de 70%' da vereadora. Os valores absolutos divulgados são arredondados e não permitem reconstituir exatamente o percentual de 71%; tampouco foram encontrados os registros de veículos únicos e os denominadores usados no cálculo diário. Nunes alegou prazo de intimação insuficiente e ausência de motoristas.

Há ainda dados externos em horários específicos: o Metrópoles publicou que o aplicativo Businfo mostrava 9.892 de 13.790 ônibus fora de garagens às 13h20 de 25 de outubro (71,7%); reportagem do Diário do Povo, baseada no mesmo aplicativo, indicou 9.786 de 13.767 veículos às 14h40 (71,04%). Ambos ficam acima de 70% na média municipal e abaixo de 100%, mas não medem toda a operação diária: um ônibus fora da garagem pode estar parado, e a base do aplicativo inclui mais veículos que a referência municipal de dias úteis. Percentuais regionais ficaram abaixo de 70%, como o Sudeste às 14h40; isso não estabelece que a frota da cidade como um todo ficou abaixo desse patamar no dia. Os dois relatos usam a mesma fonte de geolocalização e não equivalem a confirmação estatística independente.

Contexto e limites

Por que há percentuais diferentes

A Folha de S.Paulo examinou documento da SPTrans enviado à Justiça Eleitoral e informou que foram monitoradas por GPS 95.552 das 163.015 viagens previstas, ou 58,6% das partidas. Isso aponta defasagem na operação, mas mede viagens e não ônibus distintos da frota. Por isso, 58,6% não pode ser usado para demonstrar que circularam 'menos de 70%' dos veículos. As referências e metodologias dos percentuais não são idênticas; os relatórios primários completos de GPS e veículos únicos não foram reprocessados por esta checagem.

Antes da ordem do TRE, a Secretaria Municipal de Transportes e a SPTrans planejavam repetir a operação de domingo do primeiro turno, com 6,9 mil ônibus e reforço de cerca de 40% sobre domingos normais. Depois, a Prefeitura criticou a proximidade temporal da decisão judicial. Esse plano prévio não é contagem do que efetivamente circulou. Para defender sua gestão, a Prefeitura atribuiu dificuldades a ausências de motoristas e afirmou que não houve insuficiência de atendimento aos eleitores; nada disso equivale a comprovação de ausência de déficit em relação à ordem.

Em 3 de novembro, a comissão especial da Câmara arquivou por cinco votos a dois o pedido de impeachment contra Ricardo Nunes. O relator considerou não demonstrada infração para esse procedimento legislativo e defendeu encaminhamento ao foro eleitoral competente. A decisão da comissão não é prova de cumprimento integral da determinação de frota, nem o percentual isolado é prova de intenção de interferir no voto ou de crime.

Método

Critério da checagem

A análise preservou a fala literal 'menos de 70%', diferenciando-a do arredondamento 'cerca de 70%' da reportagem. Foram examinados o comunicado judicial sobre a frota usual de dias úteis, a declaração de Nunes de 71%, dois registros pontuais de veículos rastreados pelo BusInfo de 71,7% e 71,04%, e uma apuração sobre 58,6% das viagens programadas. Não foi obtido o demonstrativo de ônibus únicos empregados durante todo o dia, conciliado com o denominador judicial. A ordem de 100% e o déficit estão estabelecidos, mas o limite inferior estrito não foi confirmado; inferências sobre intenção ou crime eleitoral não são autorizadas.

Fontes

  1. Câmara de SP arquiva pedido de impeachment contra Ricardo Nunes Documento

    Agência Brasil / EBC · 03/11/2026

    Alegação original

    Contribuição: Relato acessível contemporâneo da atribuição, do arredondamento de 70% e do arquivamento; não mensura a frota.

    • Parágrafos sobre o pedido e Luana Alves: A vereadora afirmou que apenas 70% da frota circulou apesar da determinação de 100%.

    Limites: Reportagem com atribuição indireta do 70% e sem transcrição integral do vídeo.

    Disponível

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  2. Câmara de SP arquiva pedido de impeachment de Ricardo Nunes Documento

    São Paulo Conecta · 03/11/2026

    Alegação original, Contexto

    Contribuição: Registro atribuído à Discovery, mantido na trilha de origem sem utilizado como prova independente.

    Limites: A íntegra não foi acessível e o conteúdo não foi conferido neste ciclo.

    Indisponível — Endereço registrado na Discovery, mas não pôde ser carregado na checagem; não foi usado para comprovar o percentual.

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  3. Comissão rejeita parecer sobre denúncia de ações do Executivo durante o 2º turno das eleições Documento

    Câmara Municipal de São Paulo · 03/11/2026

    Alegação original, Evidência, Contexto

    Contribuição: Fonte primária institucional que reproduz as palavras da vereadora, inclusive a formulação mais estrita 'menos de 70%', e a deliberação da comissão.

    • Parágrafo da fala de Luana Alves em 3/11: Notificou o Executivo a manter 100% ... mas tivemos menos de 70%
    • Resultado da comissão especial: Pedido de impeachment arquivado por cinco votos a dois; relator não encontrou fundamento para abertura.

    Limites: Publicação com citação textual, mas gravação completa não cotejada; não oferece levantamento de frota próprio.

    Disponível

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  4. Transporte no 2º turno: juiz da 1ª Zona Eleitoral determina 100% da frota dos dias úteis na capital Documento

    Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo · 24/10/2026

    Evidência

    Contribuição: Confirma oficialmente a existência, a data e o universo exato da ordem, isto é, frota normalmente praticada em dias úteis regulares.

    • Início do comunicado judicial, atualizado em 25/10: Determinação de 24/10 de disponibilizar 100% da frota praticada em dias úteis regulares no 2º turno de 25/10; previsão de multa de R$ 100 mil.

    Limites: É divulgação do tribunal da decisão judicial, não cópia integral dos autos ou balanço de execução; foi lida a versão indexada do comunicado.

    Disponível

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  5. Nunes diz que São Paulo operou com 71% da frota de ônibus no 2º turno Documento

    CNN Brasil · 28/10/2026

    Evidência

    Contribuição: A própria prefeitura, por sua máxima autoridade em declaração pública, confirma um índice próximo de 70%, reconhece que não atingiu 100% e apresenta a explicação defensiva.

    • Declarações de Ricardo Nunes em coletiva de 27/10: Prefeito informa que houve 71% de ônibus em circulação no domingo 25/10; 8.814 ônibus, cerca de 12 mil totais.
    • Justificativa da prefeitura: Gestor atribui frota abaixo de 100% ao curto prazo da intimação e à dificuldade de mobilizar motoristas; afirma 3,2 milhões de passageiros nos dois turnos.

    Limites: 71% declarado pelo prefeito é estimativa pública, não auditoria independente de ônibus únicos; 8.814/12.000 não reproduz exatamente 71% por bases arredondadas.; O relato jornalístico diverge na cronologia exata do recebimento da intimação; isso não altera o dado principal.

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  6. Gestão Nunes executou 58,6% das partidas de ônibus previstas no dia do segundo turno em SP Documento

    Folha de S.Paulo · 28/10/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Corrobora insuficiência operacional, mas trata de partidas monitoradas por GPS, indicador distinto do percentual de ônibus em circulação.

    • Parágrafos da apuração com dados SPTrans ao TRE-SP: 95.552 viagens monitoradas por GPS de 163.015 programadas, 58,6%, para 25/10/2026.
    • Contraponto da Prefeitura: SPTrans informa multas de mais de R$ 1 milhão a empresas pela quantidade de viagens; gestão alega não haver prova de insuficiência de transporte aos eleitores.

    Limites: Documento original da SPTrans descrito pela reportagem não foi obtido diretamente.; Viagens programadas/monitoradas não equivalem à proporção de veículos distintos circulantes; monitoramento GPS pode ter lacunas.

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  7. SMT e SPTrans reforçam frota de ônibus no domingo de segundo turno da eleição presidencial Documento

    Secretaria Municipal de Transportes e SPTrans · 20/10/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Registra a estratégia anterior à ordem judicial e a defesa pública do Executivo sobre a logística.

    • Atualização em 24 de outubro de 2026: Plano prévio municipal de 6,9 mil ônibus, aproximadamente 40% acima de domingo regular; nota lamenta ordem do TRE-SP e sustenta que logística é complexa.

    Limites: É plano de oferta anunciado antes da eleição, não censo de ônibus efetivamente circulantes em 25/10.; Prefeitura é interessada na controvérsia.

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  8. Cidade de São Paulo mantém 29% da frota de ônibus estacionada nas garagens Documento

    Metrópoles — Demétrio Vecchioli · 25/10/2026

    Evidência

    Contribuição: Levantamento externo dos veículos rastreados por aplicativo em horário pontual, com taxa acima de 70% e abaixo da exigência de frota integral.

    • Primeiros quatro parágrafos da reportagem: Às 13h20 de 25/10/2026, Businfo registrou 9.892 de 13.790 veículos municipais na rua, 71,7%; 3.898 em garagens

    Limites: O índice de 13h20 é fotografia de um único instante, não somatório diário de veículos únicos efetivamente operantes, e inclui ônibus aguardando em pontos de início/fim.; O denominador é o cadastro monitorado de 13.790 ônibus, distinto da referência de cerca de 12 mil veículos de dias úteis citada pela prefeitura; não assegura diretamente conformidade com a ordem eleitoral.

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  9. Frota de ônibus de São Paulo opera com 71% no domingo de eleição Documento

    Diário do Povo — Redação · 25/10/2026

    Evidência

    Contribuição: Segundo registro publicado do mesmo aplicativo, às 14h40, também acima de 70% na cidade, com subregiões abaixo desse limiar.

    • Corpo do texto: Às 14h40, BusInfo: 9.786 de 13.767 veículos (71,04%) fora de garagem; não garante viagem; Norte 69,68%, Sudeste 57,13%.

    Limites: Matéria traz fonte secundária g1 e o mesmo aplicativo BusInfo, portanto não é medição independente do Metrópoles.; Veículos identificados fora da garagem em dado horário não são equivalentes a viagens realizadas ou proporção do conjunto de ônibus únicos que circularam ao longo de todo o domingo.; Totais e referência da base de veículos variam; os percentuais por zona não equivalem ao percentual geral da cidade.

    Disponível

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Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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