Atlas da Mentira · checagem verificável

Governo Lula retirou R$ 35 bilhões do crime organizado, contra R$ 1 bilhão sob Bolsonaro

A comparação é enganosa. O programa de Lula atribui R$ 35,8 bilhões de prejuízos ao crime organizado desde 2023, mas esse conceito é mais amplo do que dinheiro efetivamente apreendido. E o valor de cerca de R$ 1 bilhão usado como referência do governo Bolsonaro corresponde, nas declarações do diretor-geral da Polícia Federal, a 2022, não aos quatro anos do mandato.

Em junho de 2026, Andrei Rodrigues disse que a PF apreendeu efetivamente mais de R$ 10 bilhões em 2025 e cerca de R$ 900 milhões em 2022, 'o ano anterior' à gestão atual. Já o plano de governo de Lula fala em R$ 35,8 bilhões de prejuízos às organizações criminosas desde 2023. Balanços do Ministério da Justiça distinguem prejuízo estimado de valores bloqueados, e a ENCCLA ainda trabalhava na harmonização de um indicador nacional de recuperação de ativos. Portanto, o lado a lado mistura período e métrica.

Qualificações importantes

Há evidência de crescimento relevante na descapitalização efetivamente registrada pela Polícia Federal na gestão atual: o diretor-geral da corporação afirmou que o resultado de 2025 superou R$ 10 bilhões, contra cerca de R$ 900 milhões em 2022. O problema da fala não é a direção da diferença, e sim apresentar como comparáveis números de períodos e conceitos distintos.

“Prejuízo”, “apreensão”, “bloqueio” e outras formas de restrição patrimonial não são sinônimos. Em balanço oficial de agosto de 2026, por exemplo, o Ministério da Justiça informou R$ 7,6 bilhões de prejuízo estimado às organizações criminosas e, separadamente, R$ 103 milhões bloqueados em ações contra crimes digitais.

A comparação entre séries também exige cautela metodológica. A ENCCLA registrou em 2025 que a formulação de um indicador nacional de recuperação de ativos ainda não havia sido concluída e recomendou continuar o trabalho de harmonização.

  • Ações de 2025 — ENCCLA Ação 05/2025 — Indicador de recuperação de ativos: objetivo de propor indicador nacional de recuperação de ativos; metodologia da PF como referência para futura harmonização; formulação não concluída em 2025

O valor de R$ 35,8 bilhões aparece no programa de governo como “prejuízos” causados às organizações criminosas desde 2023. A fonte intermediária consultada reproduz a passagem e remete ao arquivo registrado no TSE, que não pôde ser aberto diretamente nesta execução.

  • Lula (PT, 13) — Eleições 2026 Plano de governo registrado no TSE — segurança pública: registro da passagem do programa que afirma R$ 35,8 bilhões de prejuízos às organizações criminosas desde 2023 e remete ao documento apresentado ao TSE
O que foi checado

O governo Lula retirou cerca de R$ 35 bilhões do crime organizado, contra cerca de R$ 1 bilhão durante o governo Bolsonaro.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Luiz Inácio Lula da Silva · Atribuição verificada
Função na época
presidente da República e candidato à reeleição
Data da declaração
16/08/2026
Contexto
Discurso de lançamento da campanha no Estádio 1º de Maio.

Enquanto eles pegaram no mandato deles 1 bilhão de reais do crime organizado, nós pegamos... 35 bilhões de reais do crime organizado.

Contexto original

O que Lula disse

No lançamento de sua campanha à reeleição, em 16 de agosto de 2026, Lula comparou o resultado do combate ao crime organizado de seu governo com o do governo Bolsonaro.

Enquanto eles pegaram no mandato deles 1 bilhão de reais do crime organizado, nós pegamos... 35 bilhões de reais do crime organizado.

Explicação

Os R$ 35,8 bilhões são apresentados como prejuízo

O plano de governo de Lula registra que ações articuladas desde 2023 teriam causado R$ 35,8 bilhões de prejuízos às organizações criminosas. A formulação é mais ampla do que afirmar que R$ 35,8 bilhões em dinheiro ou bens foram efetivamente apreendidos pelo Estado.

  • Lula (PT, 13) — Eleições 2026 Plano de governo registrado no TSE — segurança pública: registro da passagem do programa que afirma R$ 35,8 bilhões de prejuízos às organizações criminosas desde 2023 e remete ao documento apresentado ao TSE

A diferença aparece nos próprios balanços oficiais. Em agosto de 2026, o Ministério da Justiça divulgou R$ 7,6 bilhões em prejuízo estimado às organizações criminosas em 90 dias de ações integradas e, separadamente, R$ 103 milhões em valores bloqueados em operações contra crimes digitais. As categorias não são intercambiáveis.

Explicação

O valor próximo de R$ 1 bilhão é de 2022

A outra ponta da comparação também muda de sentido quando se identifica o período. Em entrevista publicada em junho de 2026, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a corporação havia apreendido efetivamente mais de R$ 10 bilhões em bens, dinheiro e outros ativos em 2025. Ao comparar com o cenário anterior, disse que em 2022 foram cerca de R$ 900 milhões, valor que não chegou a R$ 1 bilhão.

Rodrigues identificou 2022 como o ano anterior à atual gestão da PF. Essa referência não sustenta apresentar cerca de R$ 1 bilhão como o total obtido ao longo de todo o mandato presidencial de 2019 a 2022.

Contexto e limites

Os indicadores ainda não são padronizados nacionalmente

Além das diferenças de período e conceito, não há uma série nacional única que torne todos os balanços de recuperação de ativos automaticamente comparáveis. Em 2025, a ENCCLA trabalhou na proposta de um indicador nacional de recuperação de ativos e registrou que a formulação ainda não havia sido concluída, recomendando continuidade da harmonização.

  • Ações de 2025 — ENCCLA Ação 05/2025 — Indicador de recuperação de ativos: objetivo de propor indicador nacional de recuperação de ativos; metodologia da PF como referência para futura harmonização; formulação não concluída em 2025

Isso não apaga a evidência de que a Polícia Federal passou a registrar valores muito maiores de descapitalização efetiva. Mas impede transformar a comparação eleitoral em um placar homogêneo de R$ 35,8 bilhões contra R$ 1 bilhão: o primeiro número cobre vários anos e é descrito como prejuízo; o segundo, na referência identificada, é um valor de apenas 2022.

  • Lula (PT, 13) — Eleições 2026 Plano de governo registrado no TSE — segurança pública: registro da passagem do programa que afirma R$ 35,8 bilhões de prejuízos às organizações criminosas desde 2023 e remete ao documento apresentado ao TSE
  • Leis e a Justiça não atrapalham trabalho da Polícia Federal, diz Andrei Rodrigues Comparação da descapitalização: trecho da entrevista em que Andrei Rodrigues afirma mais de R$ 10 bilhões efetivamente apreendidos em 2025 e cerca de R$ 900 milhões em 2022, ano anterior à sua gestão
  • Ações de 2025 — ENCCLA Ação 05/2025 — Indicador de recuperação de ativos: objetivo de propor indicador nacional de recuperação de ativos; metodologia da PF como referência para futura harmonização; formulação não concluída em 2025

Fontes

  1. Assista ao vídeo e leia o discurso de Lula no estádio 1º de Maio Documento

    Poder360 · 16/08/2026

    Alegação original, Contexto

    Contribuição: Preserva a formulação exata e o contexto da comparação feita por Lula.

    • Íntegra do discurso: trecho em que Lula compara R$ 1 bilhão no governo Bolsonaro com R$ 35 bilhões no governo Lula

    Limites: É uma preservação jornalística do discurso, com vídeo incorporado e transcrição publicada pelo veículo, e não uma transcrição oficial da campanha.

    Disponível

    Abrir fonte

  2. Lula (PT, 13) — Eleições 2026 Documento

    Projeto Mandato

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Registra que o plano de governo apresentado ao TSE formula o número de R$ 35,8 bilhões como prejuízos causados às organizações criminosas desde 2023, e não como dinheiro necessariamente apreendido.

    • Plano de governo registrado no TSE — segurança pública: registro da passagem do programa que afirma R$ 35,8 bilhões de prejuízos às organizações criminosas desde 2023 e remete ao documento apresentado ao TSE

    Limites: A página é uma reprodução/extração editorial do programa e aponta para o arquivo oficial do TSE; o arquivo original do TSE não pôde ser inspecionado diretamente nesta execução por bloqueio de acesso.

    Disponível

    Abrir fonte

  3. Leis e a Justiça não atrapalham trabalho da Polícia Federal, diz Andrei Rodrigues Documento

    Consultor Jurídico · 15/06/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Mostra que a referência de cerca de R$ 1 bilhão é explicitamente atribuída a 2022, e não ao total dos quatro anos do governo Bolsonaro.

    • Comparação da descapitalização: trecho da entrevista em que Andrei Rodrigues afirma mais de R$ 10 bilhões efetivamente apreendidos em 2025 e cerca de R$ 900 milhões em 2022, ano anterior à sua gestão

    Limites: Os valores são aproximados, declarados em entrevista pelo diretor-geral da PF e não acompanhados ali de uma base anual completa para 2019-2022.

    Disponível

    Abrir fonte

  4. Ações integradas geram R$ 7,6 bilhões em prejuízo estimado às organizações criminosas e apreendem 336,4 toneladas de drogas Documento

    Ministério da Justiça e Segurança Pública · 13/08/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Demonstra, em balanço oficial contemporâneo, que 'prejuízo estimado' e valores efetivamente bloqueados são categorias distintas, tornando inadequada a leitura automática de prejuízo como dinheiro retirado.

    • Prejuízo estimado: balanço de 90 dias que atribui R$ 7,6 bilhões em prejuízo estimado às organizações criminosas
    • Valores bloqueados: registro de R$ 103 milhões bloqueados em ações contra crimes digitais

    Limites: O balanço cobre um programa e uma janela de 90 dias; não é a fonte do total acumulado de R$ 35,8 bilhões.

    Disponível

    Abrir fonte

  5. Ações de 2025 — ENCCLA Documento

    Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA) · 2025

    Contexto

    Contribuição: Mostra que ainda não havia sido concluído um indicador nacional harmonizado de recuperação de ativos, o que exige cautela em comparações entre balanços de órgãos, períodos e categorias.

    • Ação 05/2025 — Indicador de recuperação de ativos: objetivo de propor indicador nacional de recuperação de ativos; metodologia da PF como referência para futura harmonização; formulação não concluída em 2025

    Limites: A ação é metodológica e não quantifica diretamente o desempenho dos governos Lula ou Bolsonaro.

    Disponível

    Abrir fonte

Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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