Atlas da Mentira · checagem verificável

Dívida de Minas era de R$ 180 bilhões em fevereiro de 2026

Sim, a aproximação é compatível com indicadores oficiais relevantes no contexto da entrevista.

O relatório fiscal de dezembro de 2025 registrava Dívida Consolidada Líquida de R$ 187,1 bilhões, equivalente a 167,46% da receita corrente líquida ajustada — muito próximo dos “170%” citados por Zema na mesma entrevista. Dois dias antes da fala, o governo também informou saldo devedor de R$ 179,3 bilhões refinanciado com a União pelo Propag. Medidas brutas de endividamento eram maiores, acima de R$ 200 bilhões.

Qualificações importantes

“Dívida” não tem um único valor contábil. Em 31 de dezembro de 2025, a Dívida Consolidada era R$ 213,5 bilhões e a Dívida Consolidada Líquida, depois das deduções fiscais, era R$ 187,1 bilhões. O estoque contratual acompanhado pelo Tesouro ficou em R$ 204,97 bilhões no fechamento de fevereiro de 2026. Portanto, R$ 180 bilhões não descreve todas as medidas brutas de endividamento.

O saldo de R$ 179,3 bilhões usado no Propag tinha data-base de 1º de dezembro de 2025 e correspondia à dívida refinanciada com a União, não à totalidade dos passivos estaduais. A proximidade temporal da divulgação e o foco da entrevista no Propag tornam esse valor relevante para interpretar a fala.

O demonstrativo fiscal fechado em 28 de fevereiro, oito dias depois da entrevista, registrou Dívida Consolidada Líquida de R$ 174,2 bilhões. Esse dado posterior não prova o valor exato no dia 20, mas confirma que a ordem de grandeza da DCL durante o período era a dos R$ 180 bilhões.

O que foi checado

A dívida de Minas Gerais estava na casa de R$ 180 bilhões em fevereiro de 2026.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Romeu Zema · Atribuição verificada
Função na época
governador de Minas Gerais
Data da declaração
20/02/2026
Contexto
Entrevista ao programa Start, da 98 News, em 20 de fevereiro de 2026. Zema tratava da situação fiscal do estado, do peso da dívida em relação à receita e dos efeitos da adesão de Minas ao Propag.

Como a proposição foi normalizada: A expressão genérica “dívida” é mantida porque foi assim que Romeu Zema falou. O contexto da entrevista aponta para medidas ligadas à capacidade de pagamento e ao Propag. O artigo distingue essas medidas da dívida bruta/estoque contratual, que tinha valor superior.

O problema de Minas é a dívida. Uma dívida monstruosa. Nós estamos falando de 180 bilhões de reais.

Contexto original

O que Zema disse

Em entrevista à 98 News em 20 de fevereiro de 2026, Romeu Zema afirmou que “o problema de Minas é a dívida” e estimou o montante em R$ 180 bilhões. Na sequência, relacionou o endividamento aos juros, ao Propag e à capacidade de pagamento do estado. Mais adiante, disse que a dívida havia caído de cerca de 190% para “coisa como 170” da receita.

Explicação

A dívida líquida estava perto de R$ 180 bilhões

O Relatório de Gestão Fiscal de Minas com data-base de 31 de dezembro de 2025 registrou Dívida Consolidada de R$ 213,52 bilhões, deduções de R$ 26,41 bilhões e Dívida Consolidada Líquida de R$ 187,10 bilhões. A DCL correspondia a 167,46% da Receita Corrente Líquida ajustada para o limite de endividamento. Essa proporção é compatível com a referência de Zema a uma dívida equivalente a “coisa como 170” da receita e coloca o valor líquido na casa de R$ 180 bilhões.

Explicação

O Propag também usava um saldo de R$ 179,3 bilhões

Dois dias antes da entrevista, o governo mineiro informou oficialmente que o saldo devedor confessado refinanciado pelo Propag era de R$ 179,3 bilhões, apurado na data-base de 1º de dezembro de 2025 e parcelado por 360 meses. O comunicado deixa claro que se trata da dívida com a União submetida ao programa, e não de todo o estoque de obrigações do estado.

Contexto e limites

Outras medidas de dívida superavam R$ 200 bilhões

A expressão genérica “dívida de Minas” exige uma ressalva. No fechamento de 2025, a Dívida Consolidada bruta era R$ 213,52 bilhões. O boletim mensal do Tesouro estadual registrou estoque da dívida de R$ 204,85 bilhões em janeiro de 2026 e R$ 204,97 bilhões em fevereiro. Esse boletim reúne contratos e credores e usa um perímetro diferente da DCL e do saldo do Propag.

No RREO encerrado em 28 de fevereiro, a Dívida Consolidada estava em R$ 212,59 bilhões e a Dívida Consolidada Líquida em R$ 174,19 bilhões. Como esse fechamento é posterior à entrevista, ele não deve ser retroagido como o valor exato do dia 20. Serve, porém, para mostrar que diferentes indicadores oficiais coexistiam e que a medida líquida continuava na ordem de grandeza citada por Zema.

Fontes

  1. O que falta para Minas ter equilíbrio financeiro total? ‘O grande problema é a dívida’, diz Zema Entrevista

    Rede 98 · 20/02/2026

    Alegação original

    Contribuição: Preserva a declaração direta, a data e o contexto em que Zema relaciona o valor ao Propag e à capacidade de pagamento.

    • O diagnóstico do passivo estadual e resposta à oposição: Zema afirma que Minas tem dívida de R$ 180 bilhões e, depois, diz que a relação caiu de 190% para cerca de 170% da receita.

    Limites: A checagem acessou a reportagem da própria emissora com as falas transcritas, mas não reproduziu a íntegra audiovisual da entrevista nesta sessão.

    Disponível

    Abrir fonte

  2. Governo de Minas quita segunda parcela do Propag Documento

    Agência Minas Gerais · 18/02/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Fornece, dois dias antes da declaração, o valor oficial de R$ 179,3 bilhões para o saldo refinanciado com a União no Propag.

    • Saldo refinanciado pelo Propag: saldo devedor confessado de R$ 179,3 bilhões, data-base de 1º/12/2025, refinanciado em 360 meses; contexto identifica dívida com a União

    Limites: É comunicação oficial do próprio governo mineiro; o valor tem data-base de 1º de dezembro de 2025 e escopo restrito à dívida refinanciada com a União.

    Disponível

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  3. Relatório de Gestão Fiscal — 3º quadrimestre de 2025 Documento

    Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais · 30/01/2026

    Evidência

    Contribuição: Mostra a medida fiscal líquida disponível antes da entrevista e sua relação com a receita, compatível com as duas ordens de grandeza citadas por Zema.

    • Página-resumo do Relatório de Gestão Fiscal: Dívida Consolidada R$ 213,52 bi; deduções R$ 26,41 bi; Dívida Consolidada Líquida R$ 187,10 bi; DCL/RCL ajustada 167,46%

    Limites: A data-base é 31 de dezembro de 2025, cerca de sete semanas antes da entrevista.

    Disponível

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  4. Boletim Mensal da Dívida Pública Estadual — Fevereiro de 2026 Documento

    Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais · 02/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Mostra que o estoque contratual bruto acompanhado pelo Tesouro tinha valor superior a R$ 180 bilhões e ajuda a distinguir conceitos.

    • Página 2 — Estoque da Dívida: composição e variação: estoque de R$ 204.846,31 milhões em janeiro e R$ 204.967,37 milhões em fevereiro; 89,35% do estoque de fevereiro indexado ao IPCA

    Limites: O fechamento de fevereiro é posterior à declaração de 20/2; o boletim usa perímetro próprio de estoque contratual.

    Disponível

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  5. RREO — Demonstrativo dos Resultados Primário e Nominal, janeiro a fevereiro de 2026 Documento

    Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais · 30/03/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Confirma, em fechamento fiscal posterior à fala, a coexistência entre dívida consolidada acima de R$ 200 bilhões e dívida consolidada líquida na ordem de R$ 180 bilhões.

    • Página 1 — Cálculo do Resultado Nominal: Dívida Consolidada: R$ 213,515 bi em 31/12/2025 e R$ 212,591 bi em 28/2/2026; DCL: R$ 187,101 bi e R$ 174,195 bi, respectivamente

    Limites: Foi publicado após a declaração e não estabelece o saldo exato de 20 de fevereiro.

    Disponível

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Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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