Atlas da Mentira · checagem verificável

Governo recebeu 1,2 milhão de pedidos de autoexclusão de bets, cerca de 40% motivados por perda de controle do jogo

Correta em valores aproximados. O Ministério da Fazenda informou mais de 1,2 milhão de pedidos de autoexclusão de apostas e registrou que 35,93% deles escolheram como justificativa a perda de controle sobre o jogo associada à saúde mental. O percentual foi arredondado por Alexandre Padilha para 40%.

O número de pedidos e a proporção foram divulgados pelo órgão que administrava a plataforma em agosto de 2026 e reiterados na cobertura de 3 de novembro. A medida retrata o motivo assinalado no formulário de autoexclusão, não diagnóstico clínico, nem 40% de toda a população que aposta. Não se localizou atualização da série estatística específica de novembro.

Qualificações importantes

O percentual administrativo divulgado é de 35,93%, quatro pontos percentuais abaixo dos 40% mencionados pelo ministro. É arredondamento amplo, não uma equivalência exata; a forma 'cerca de 40%' precisa permanecer explícita.

'Perda de controle sobre o jogo – saúde mental' era motivo escolhido no formulário pelos próprios solicitantes. Não se trata de diagnóstico médico de transtorno do jogo nem de levantamento clínico da saúde dos apostadores.

O dado primário foi apresentado em agosto de 2026, enquanto a declaração ocorreu em novembro. A página oficial informa indisponibilidade da ferramenta desde a medida que proibiu bets em setembro, mas não foi obtida base atualizada em novembro que permita atestar a quantidade final ou proporção com data de corte precisa.

Mais de 1,2 milhão são pedidos voluntários da plataforma de autoexclusão, não os 5 milhões de brasileiros cujo acesso foi bloqueado somando também beneficiários de programas sociais e participantes de renegociação de dívidas. Os 35,93% são participação dos pedidos, não dos 40 milhões de cadastrados no sistema de apostas.

Os números foram checados em comunicados institucionais e reproduções independentes da declaração; não houve auditoria dos microdados de usuários, dos motivos individuais nem confirmação audiovisual da fala integral na audiência do STF.

O que foi checado

O governo federal recebeu 1,2 milhão de pedidos de autoexclusão de apostas e cerca de 40% dessas solicitações foram feitas por pessoas que afirmaram não conseguir mais controlar o jogo.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Alexandre Padilha · Atribuição verificada
Função na época
Ministro da Saúde
Data da declaração
03/11/2026
Contexto
Fala do ministro em audiência pública do STF sobre a proibição de apostas on-line.

Como a proposição foi normalizada: Declaração de Alexandre Padilha em audiência de 3 de novembro. Os 40% referem-se ao conjunto dos 1,2 milhão de pedidos citado no relato jornalístico, não a 40% de todos os brasileiros que apostam ou a diagnósticos clínicos. A referência temporal da contagem cumulativa não foi explicitada na fala preservada.

Quarenta por cento deles falaram que não aguentam mais perder o controle

Explicação

O registro oficial e a fala do ministro

Na audiência do STF de 3 de novembro de 2026 sobre a proibição das apostas on-line, o ministro da Saúde Alexandre Padilha mencionou que o governo havia recebido 1,2 milhão de pedidos de autoexclusão de CPFs. Segundo a transcrição publicada pela Agência Brasil, ele afirmou que 40% dessas pessoas não aguentavam mais perder o controle do jogo. A reportagem atribui a ele a cifra, mas não traz uma tabela administrativa atualizada em novembro.

A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, responsável pela plataforma federal, havia informado em 13 de agosto que o serviço, oferecido desde dezembro de 2025, registrara mais de 1,2 milhão de pedidos de autoexclusão. Entre as opções de justificativa apresentadas pelos usuários, 'Perda de controle sobre o jogo – saúde mental' respondeu por 35,93%; 'Prevenir que meus dados sejam utilizados por plataformas de apostas', por 20,63%. O dado primário corrobora o total citado e a dimensão da justificativa, embora não corresponda a 40% exatos.

A diferença entre 35,93% e 40% é de aproximadamente quatro pontos percentuais. Quando a fala é tratada como aproximação para dezenas de pontos, ela reproduz a ordem de grandeza do registro do governo; quando é lida como número exato, não coincide com o último detalhamento público verificado. A afirmação do ministro não deve ser convertida em estatística clínica, pois a escolha do motivo é autodeclarada.

Contexto original

Autoexclusão voluntária não é o mesmo que bloqueio automático

A Fazenda também havia comunicado em agosto que aproximadamente 5 milhões de pessoas deixaram de acessar plataformas autorizadas, incluindo 3 milhões de beneficiários do Bolsa Família ou BPC e cerca de 800 mil vinculados a renegociações de dívidas. Essas categorias de impedimento não são as solicitações voluntárias de 1,2 milhão de CPFs nem compõem o denominador do indicador de 35,93%. A ferramenta centralizada impedia cadastro e participação dos solicitantes nas casas de apostas autorizadas, por prazo escolhido.

O site oficial da SPA registra que a Plataforma Centralizada de Autoexclusão ficou indisponível como consequência da Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro de 2026, que proibiu apostas de quota fixa. Assim, os dados acessíveis mais detalhados são anteriores à fala de novembro. A indisponibilidade do serviço não fornece, por si só, contagem final de requerimentos.

  • Autoexclusão Aviso superior: Plataforma indisponível pela medida provisória 1.394/2026 que proibiu apostas de quota fixa, de 25 de setembro de 2026

Contexto e limites

O que o número não revela

O campo selecionado no formulário indica percepção ou motivação do próprio solicitante: pode refletir prevenção, dificuldades financeiras, sofrimento mental ou necessidade de proteção. O dado de solicitações não revela quantas pessoas cumprem critério clínico de transtorno do jogo, quantas continuaram em sites não autorizados ou qual percentual da população inteira de apostadores sofre com perda de controle. Além disso, a última série desagregada encontrada é de agosto de 2026; não se verificaram microdados nem definição de corte em novembro.

Método

Como conferimos os números

Comparamos a transcrição atribuída ao ministro pela Agência Brasil com a divulgação primária da Secretaria de Prêmios e Apostas, reproduzida pela Agência Gov, e com a descrição oficial de funcionamento da plataforma. Distinguimos pedidos voluntários de impedimentos externos, o recorte de agosto da fala de novembro e o registro de motivos autodeclarados de diagnóstico clínico. Não houve conferência de microdados nem gravação integral da audiência.

Fontes

  1. Padilha defende proibição das bets e cita impacto no SUS Documento

    Agência Brasil — André Richter · 03/11/2026

    Alegação original

    Contribuição: Reproduz em 3/11/2026 a fala do ministro sobre 1,2 milhão e 40% ligados à autoexclusão.

    • Dados, dois últimos parágrafos: Ministro cita 1,2 milhão de pedidos e diz que '40%' declararam não aguentar a perda de controle

    Limites: Declaração reproduzida em reportagem, não conferida diretamente contra vídeo integral da audiência.; Não apresenta planilha administrativa de 3/11 nem enunciado literal da opção de motivo.

    Disponível

    Abrir fonte

  2. 5 milhões de brasileiros deixaram de acessar bets, por autoexclusão ou por bloqueio externo Documento

    Agência Gov/Secom, via Ministério da Fazenda · 14/08/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Reprodução governamental de dados da SPA até agosto: mais de 1,2 milhão de pedidos voluntários, 35,93% declarando perda de controle de jogo/saúde mental, 20,63% de proteção de dados.

    • Perfil de quem se afastou das bets: Mais de 1,2 milhão de pedidos voluntários, 35,93% motivo 'Perda de controle sobre o jogo – saúde mental' até agosto de 2026

    Limites: Relatório divulgador de indicadores agregados, sem microdados; não descreve o valor exato atualizado em 3/11/2026.; Separadamente 3 milhões de pessoas bloqueadas devido a programas sociais e cerca 800 mil via programa de dívidas; não são pedidos voluntários.

    Disponível

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  3. Cerca de 800 mil pessoas estão impedidas de apostar após renegociação de dívidas Documento

    Ministério da Fazenda, Secretaria de Prêmios e Apostas · 13/08/2026

    Evidência

    Contribuição: Fonte primária dos indicadores do órgão responsável: plataforma desde dez/2025, mais de 1,2 milhão de solicitações, 35,93% com opção perda de controle/saúde mental e 20,63% proteção de dados.

    • Texto principal, parágrafos sobre Plataforma Centralizada: Mais de 1,2 milhão de pedidos; 35,93% 'Perda de controle sobre o jogo – saúde mental'; 20,63% evitar uso de dados, 66,95% autoexclusão indefinida

    Limites: Nota institucional agregada divulgada em 13/8 e atualizada formalmente em 26/10, sem atualização explícita dos números para 3/11.; Indicadores provêm de campo de opção autorreferida, não de avaliação clínica nem validação independente de cada CPF.

    Disponível

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  4. Autoexclusão Documento

    Ministério da Fazenda, Secretaria de Prêmios e Apostas

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Página oficial informa que Plataforma Centralizada de Autoexclusão está indisponível em consequência da MP nº 1.394 de 25/9/2026 e explica natureza voluntária da ferramenta.

    • Aviso superior: Plataforma indisponível pela medida provisória 1.394/2026 que proibiu apostas de quota fixa, de 25 de setembro de 2026
    • Autoexclusão de sites de apostas: Solicitação voluntária para impedir cadastro/participação em todas as casas autorizadas

    Limites: Sem data de publicação visível na página consultada; situação online observada em 4/11/2026.; A ausência de acesso público não prova congelamento exato de todos os registros administrativos nem quita a necessidade de obter série histórica para novembro.

    Disponível

    Abrir fonte

  5. Autoexclusão - FAQ Documento

    Ministério da Fazenda / SPA · 01/12/2025

    Contexto

    Contribuição: Explica modalidades de bloqueio voluntário na plataforma de um operador ou em centralizada da Fazenda, com prazos determinados ou indeterminados.

    • Perguntas 1-3: Autoexclusão centralizada é suspensão voluntária por prazo determinado ou indeterminado, abrangendo plataformas autorizadas

    Limites: Fonte normativa e operacional, não série estatística nem aferição individual de diagnóstico.

    Disponível

    Abrir fonte

Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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