Atlas da Mentira · checagem verificável

Governo Lula é recordista em indústrias que deixam o Brasil e vão para o Paraguai

Não há base nos levantamentos apresentados para afirmar que o governo Lula seja recordista em indústrias que abandonaram o Brasil rumo ao Paraguai. Os dados mostram empresas com operações de maquila no Paraguai, frequentemente como expansão, e não uma contagem de fábricas fechadas no Brasil.

O levantamento mais difundido reúne 232 empresas desde 2007, não apenas desde 2023. Na série divulgada por biênios, foram 34 empreendimentos em 2023–2024, contra 46 em 2017–2018 e outros 46 em 2019–2020. A Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai esclareceu que a presença dessas empresas não significa saída integral do Brasil; o biênio 2025–2026 tampouco estava consolidado.

Qualificações importantes

O total de 2025–2026 não estava consolidado no recorte histórico consultado; portanto, a comparação entre mandatos completos não pode ser encerrada como se já houvesse uma série final até outubro de 2026.

Programas de maquila e empresas com produção no Paraguai não medem, por si, fechamento de unidade fabril no Brasil. O levantamento disponível não discrimina quantas empresas deslocaram parte ou toda a produção; não se afirma que nenhum caso de transferência integral exista.

A cifra de 232 empresas apareceu em debates e publicações anteriores; Flávio não a mencionou numericamente no trecho transcrito. A comparação com essa cifra é contextual, não uma citação direta do candidato.

A redação da fala foi conferida na reprodução contemporânea do UOL, não diretamente no áudio do Globoplay; o acesso à gravação permitiria confirmar entonação e contexto adicionais.

O que foi checado

O governo Lula é recordista em indústrias que deixam o Brasil e vão para o Paraguai.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Flávio Bolsonaro · Atribuição verificada
Função na época
Senador e candidato à Presidência da República
Data da declaração
16/10/2026
Contexto
Sabatina eleitoral da TV Globo em 16 de outubro de 2026, em comentário sobre a atividade empresarial no terceiro mandato de Lula.

Como a proposição foi normalizada: A fala atribuiu um recorde ao governo Lula e afirmou saída de indústrias para o Paraguai, sem indicar intervalo de comparação ou quantidade. Não se atribui ao candidato a cifra de 232, que circulou separadamente; distingue-se transferência de operações de simples abertura/expansão produtiva no exterior.

Limite de atribuição: Transcrição de trecho reproduzida na checagem contemporânea do UOL; gravação integral identificada no Globoplay, mas não reproduzida/conferida por esta apuração.

um governo que é recordista em indústrias que deixam o Brasil e vão para o Paraguai

Explicação

O que os dados mostram

Há investimento fabril brasileiro no Paraguai e a atração de empresas pelo regime de maquila é real. O levantamento do Poder360, baseado em dados paraguaios e da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai (CEBRAS-PY), identificou 232 empresas brasileiras com produção no país vizinho ao longo do período iniciado em 2007. Esse total acumulado não corresponde a saídas ocorridas apenas no governo Lula.

O recorte por biênios divulgado pelo Poder360 registra 46 empreendimentos em 2017–2018, 46 em 2019–2020 e 34 em 2023–2024. Assim, o biênio completo da atual gestão disponível na série não representa recorde em comparação com aqueles períodos anteriores. A mesma reportagem alerta que o total de 2025–2026 não estava consolidado; por isso não há base para converter o quadro parcial em um recorde do mandato inteiro.

O principal problema da fala é tratar presença produtiva no Paraguai como se fosse prova de abandono do Brasil. Em esclarecimento reportado pelo Aos Fatos, a CEBRAS-PY informou que as empresas consideradas no levantamento expandiram a produção, mantendo atividades no Brasil. Algumas podem transferir etapas produtivas maiores, mas o material não detalha, empresa a empresa, quantas encerraram fábricas brasileiras. O cadastro consultado enumera programas de maquila aprovados no Paraguai e respectivas datas, sem medir fechamento de unidades no Brasil.

Contexto original

Por que a interpretação parece plausível

O Paraguai oferece vantagens tributárias para empresas exportadoras sob a maquila, e negócios brasileiros realmente passaram a produzir ali. O Poder360 registrou 40 empresas brasileiras com início de operação desde 2023 no levantamento divulgado em maio de 2026, e outras 26 no biênio 2021–2022. Portanto, é legítimo discutir o deslocamento de etapas de produção e seus incentivos econômicos; o que esses números não demonstram é um recorde de indústrias que encerraram atividades brasileiras por causa do atual governo.

A AFP também identificou a concentração histórica de entradas no programa entre 2017 e 2020 e distinguiu mudança total, subsidiária e transferência parcial de produção. A série divulgada não autoriza atribuir as 232 empresas ao mandato iniciado em 2023.

Contexto e limites

O que não se pode concluir

Os registros paraguaios acompanham aprovações e operações de maquila; não são um inventário de fábricas que saíram do Brasil. Em respostas obtidas pela Agência Lupa, o Ministério da Fazenda disse não dispor do número de empresas que saíram do Brasil para atuar no Paraguai, e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio informou que não acompanha essas decisões privadas de investimento externo. Sem uma série compatível de encerramentos reais, o suposto recorde de êxodo industrial não está demonstrado. Isso não equivale a negar a existência de investimentos no país vizinho.

Na sabatina de 16 de outubro, Flávio Bolsonaro associou o governo Lula a um recorde de indústrias que saem para o Paraguai, segundo transcrição publicada pelo UOL. A fala não trouxe número específico; a cifra de 232 foi divulgada anteriormente em outro contexto. A gravação integral está catalogada no Globoplay, mas não foi reproduzida nesta apuração, de modo que a transcrição jornalística é a base da atribuição textual.

Método

Como verificamos

Foram confrontadas a transcrição da sabatina no UOL, reportagens que publicaram as contagens por biênio, o esclarecimento da CEBRAS-PY, as respostas de órgãos brasileiros reproduzidas pela Lupa e o documento com a lista de programas de maquila aprovados no Paraguai. Não foram equiparadas autorizações empresariais paraguaias a fechamento de indústrias no Brasil.

Fontes

  1. Na Globo, Flávio erra sobre 'Dark Horse' e ao citar documentário de Lula Documento

    UOL Confere · 16/10/2026

    Alegação original

    Contribuição: Registro jornalístico contemporâneo que reproduz a expressão atribuída a Flávio Bolsonaro na sabatina de 16 de outubro; não substitui conferência da gravação.

    • Fala sobre fechamento de empresas e ida de indústrias ao Paraguai: Trecho após a passagem sobre o boletim Focus, com a declaração reproduzida pelo UOL e análise subsequente.

    Limites: O endereço original no portal UOL não pôde ser aberto pela ferramenta; consultada sua reprodução no BOL/UOL.; A redação classificou conjuntamente outras alegações; este artigo examina somente o suposto recorde de saída industrial.

    Disponível

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  2. Eleições 2026 — Flávio Bolsonaro: entrevista com o presidenciável, segundo turno Gravação

    TV Globo / Globoplay · 16/10/2026

    Alegação original

    Contribuição: Identifica a gravação original da sabatina, sem servir como atestado independente da transcrição.

    • Ficha pública da gravação: Entrevista com o candidato Flávio Bolsonaro, exibida em 16/10/2026, duração de 43 minutos; legendas disponíveis, não examinadas.

    Limites: Vídeo e legendas não examinados; a atribuição textual depende do registro contemporâneo do UOL.

    Disponibilidade parcial — A página pública confirma entrevista de 16/10/2026, 43 minutos e closed captions, mas a reprodução e a legenda audiovisual não foram acessadas nesta investigação.

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  3. Mais de 230 empresas brasileiras já produzem no Paraguai Documento

    Poder360 · 23/05/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Rastreia a origem do número de 232, seu período histórico e a existência de investimento industrial brasileiro no Paraguai; não registra encerramentos no Brasil.

    • Parágrafo de abertura e migrações recentes: Levantamento de 232 empresas desde 2007, 40 a partir de 2023 e 26 no biênio 2021–2022; dados de maquila.

    Limites: Levantamento jornalístico baseado em dados do Ministério paraguaio e da CEBRAS-PY; não é censo de fábricas brasileiras fechadas.; Atribui saída/mudança em linguagem abrangente, embora o universo aferido seja de empreendimentos de maquila.

    Disponível

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  4. As empresas foram ao Paraguai no governo Bolsonaro, diz Haddad Documento

    Poder360 · 06/06/2026

    Evidência

    Contribuição: Permite comparar biênios de aprovação/instalação de projetos, incluindo períodos com volume superior a 2023–2024.

    • Comparações históricas entre biênios: 46 em 2017–2018, 46 em 2019–2020 e 34 em 2023–2024; 2025 ainda sem total oficial consolidado, segundo a reportagem.

    Limites: A série é de investimentos/aberturas no Paraguai, não de encerramento de fábricas no Brasil.; Segundo a própria reportagem, o volume total do biênio 2025–2026 não estava consolidado; os 6 casos recentes mencionados eram apenas identificações públicas.

    Disponível

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  5. Não é verdade que 232 empresas migraram para o Paraguai no governo Lula Documento

    Aos Fatos · 18/06/2026

    Evidência

    Contribuição: Apresenta resposta direta da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai distinguindo expansão fabril de abandono do Brasil e a abrangência 2007–2026.

    • Nota da CEBRAS-PY e limitações do levantamento: CEBRAS-PY explica expansão e manutenção de operações no Brasil; não discrimina proporção da produção transferida.

    Limites: Resposta da entidade setorial reproduzida por veículo jornalístico; documento bruto por empresa não verifica fechamento de plantas no Brasil.; Não identifica qual parcela da produção foi deslocada em cada empresa.

    Disponível

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  6. Posts enganam ao associar Haddad à migração de 232 empresas brasileiras para o Paraguai Documento

    AFP Checamos · 29/05/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Corrobora de maneira jornalística independente a descontextualização temporal e a diferença entre subsidiárias/produção parcial e saída integral.

    • Checagem dos dados e do pico da série: Número 232 refere-se a 2007–março 2026; maior fluxo de 2017 a 2020; parte das empresas apenas amplia produção.

    Limites: Também se apoia no levantamento publicado pelo Poder360, não é fonte independente para a série de contagens.

    Disponível

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  7. Posts enganam ao relacionar Haddad com migração de 232 empresas ao Paraguai Documento

    Agência Lupa · 01/07/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Documenta limites do acompanhamento oficial brasileiro relatados pelos ministérios procurados pela agência.

    • Manifestações dos ministérios consultados: Fazenda informa não ter dados de saída de empresas rumo ao Paraguai; MDIC não monitora decisões privadas de investimento no exterior.

    Limites: Respostas governamentais disponíveis como documentos reproduzidos pela Lupa, não recebidos diretamente pelo PernaCurta.; A ausência de registro centralizado não prova inexistência de qualquer migração de planta.

    Disponível

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  8. Listado de empresas con programa de maquila aprobado Documento

    Emissor não identificado

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Documento-base por empreendimento de maquila com datas de aprovação, mas não constitui levantamento de indústrias brasileiras que fecharam no Brasil.

    • Páginas 1–8: empresas com programa aprovado: PDF p. 1–8 (318 registros; cifras preliminares).
    • Páginas 9–38: ramo e data de aprovação: PDF p. 9–38: nome, setor, resolução, mês e ano de aprovação; sem variável de fechamento de unidades brasileiras.

    Limites: Hospedado por Aos Fatos; não consta identificação inequívoca do órgão emissor no documento inspecionado.; Lista inclui todas as nacionalidades e não identifica, só por ela, capital brasileiro ou estabelecimento fechado no Brasil.; Cifras expressamente preliminares e sujeitas a revisão.

    Disponível

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Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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