Atlas da Mentira · checagem verificável

Goiás tinha a menor extrema pobreza do Brasil, disputando com RS e SC

Falso. No levantamento comparável de 2024 já publicado antes da entrevista, Santa Catarina tinha a menor taxa de extrema pobreza, com 1,2% da população, seguida pelo Rio Grande do Sul, com 1,4%. Goiás aparecia depois, com 1,6%, empatado com Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. A fala se aproxima de um retrato anterior: em 2023, Goiás e Rio Grande do Sul tinham 1,3% e dividiam a menor taxa no mesmo levantamento, enquanto Santa Catarina tinha 1,4%.

A afirmação usa o presente, mas os dados mais recentes consolidados disponíveis contradiziam a liderança de Goiás. O Instituto Jones dos Santos Neves, com base na PNAD Contínua, publicou em maio de 2025 ranking de 2024 usando linha de extrema pobreza de R$ 217,37 mensais: Santa Catarina 1,2%, Rio Grande do Sul 1,4% e Goiás 1,6%. A própria síntese do Instituto Mauro Borges, vinculada ao governo goiano e publicada antes da entrevista, registrou para 2024 taxas de 2,2% pela linha internacional de US$ 3 por dia e 1,7% pela linha de R$ 218, sem sustentar uma liderança nacional da população goiana.

Qualificações importantes

Não existe uma única linha oficial de pobreza no Brasil, e percentuais podem variar conforme o corte de renda, a paridade de poder de compra e a unidade analisada. Por isso, comparações de posição devem manter a mesma metodologia entre todas as UFs.

A afirmação tem uma base histórica favorável: no ranking de 2023 recalculado a valores de 2024, Goiás e Rio Grande do Sul apareciam empatados em 1,3%, à frente de Santa Catarina, com 1,4%. Esse dado, porém, já havia sido superado pelo resultado de 2024 quando Caiado falou.

O que foi checado

Goiás tinha o menor percentual de extrema pobreza do Brasil, disputando essa posição com Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Ronaldo Caiado · Atribuição verificada
Função na época
pré-candidato à Presidência
Data da declaração
31/05/2026
Contexto
Entrevista ao programa Canal Livre, da Band.

Como a proposição foi normalizada: A fala usa o presente ('hoje') e compara Goiás nacionalmente. Como não especifica uma linha de extrema pobreza, a checagem adota o levantamento comparável entre UFs baseado na PNAD Contínua e explicita que rankings podem variar conforme a linha e o ano. A expressão 'disputando' é preservada como reconhecimento de proximidade, mas não substitui a afirmação de que Goiás teria o menor percentual.

É o Estado que tem o menor percentual de extrema pobreza, hoje disputando com o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Contexto original

O que Caiado afirmou

Durante entrevista ao Canal Livre, em 31 de maio de 2026, Ronaldo Caiado apresentou indicadores de Goiás como credenciais de sua gestão e afirmou que o estado tinha o menor percentual de extrema pobreza do país, em disputa com Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

É o Estado que tem o menor percentual de extrema pobreza, hoje disputando com o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Explicação

O dado mais recente colocava Santa Catarina na frente

O levantamento “Pobreza nos estados brasileiros 2024”, do Instituto Jones dos Santos Neves, usa dados da PNAD Contínua e uma linha de extrema pobreza de R$ 217,37 por pessoa ao mês, a valores de 2024. No ranking estadual, Santa Catarina aparece com 1,2%, Rio Grande do Sul com 1,4% e Goiás com 1,6%. Mato Grosso do Sul e Mato Grosso também registram 1,6%.

Goiás continuava, portanto, no grupo de estados com menor incidência de extrema pobreza, mas não tinha a menor taxa no retrato de 2024 que já estava disponível cerca de um ano antes da entrevista.

  • Pobreza nos estados brasileiros 2024 Taxa de Extrema Pobreza 2024 — Ranking UFs: p. 12: Santa Catarina 1,2%, Rio Grande do Sul 1,4%, Goiás 1,6%, Mato Grosso do Sul 1,6% e Mato Grosso 1,6%

Contexto e limites

O ranking de 2023 ajuda a explicar a fala

No ano anterior, a posição era diferente. No mesmo estudo, com a linha convertida a valores de 2024, Rio Grande do Sul e Goiás aparecem empatados com 1,3% em 2023, seguidos por Santa Catarina, com 1,4%. Essa fotografia sustenta a parte da fala que descreve uma disputa entre os três estados, mas não o uso do presente em 2026.

Uma publicação da Assembleia Legislativa de Goiás, de março de 2025, também divulgava o dado de 2023 e descrevia Goiás como o segundo menor índice, atrás do Rio Grande do Sul, com 1,3% da população em extrema pobreza. A página ressalta que o Brasil não adota uma única linha oficial de pobreza.

Explicação

A linha escolhida muda o percentual

A Síntese dos Indicadores Sociais do Instituto Mauro Borges, vinculada ao governo de Goiás e publicada antes da entrevista, ilustra a sensibilidade à metodologia. Para 2024, o estudo encontrou 2,2% da população goiana abaixo da linha internacional de US$ 3 por dia e 1,7% abaixo do corte de R$ 218 mensais. O relatório explica que usa as duas linhas para finalidades distintas de comparação.

Por isso, não é válido comparar um percentual de Goiás calculado com um corte de renda mais baixo com percentuais nacionais calculados por outra linha. O ranking decisivo nesta checagem mantém o mesmo corte e a mesma base para todas as unidades da Federação.

Método

Por que a classificação é falso

A parte central da frase é verificável e temporal: Goiás teria, naquele momento, o menor percentual de extrema pobreza. O ranking comparável mais recente consolidado antes da entrevista mostrava duas UFs com taxas menores. O resultado de 2023 explica a origem provável da afirmação e é uma qualificação importante, mas não torna atual um dado que já havia mudado.

Fontes

  1. Canal Livre entrevista pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado — Transcrição do vídeo Gravação

    Ceticismo · 01/06/2026

    Alegação original

    Contribuição: Preserva a formulação atribuída a Caiado e liga a fala ao ponto correspondente do vídeo público.

    • Fala sobre extrema pobreza: 9:22

    Limites: A transcrição é automatizada. A página fornece o link para o vídeo original, mas o conteúdo audiovisual do YouTube não pôde ser reproduzido pela interface desta sessão.

    Disponível

    Abrir fonte

  2. Canal Livre recebe pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado Documento

    Band · 29/05/2026

    Contexto

    Contribuição: Corrobora o contexto e a realização da entrevista no Canal Livre.

    • Anúncio da entrevista: identificação de Caiado, do programa e da exibição em 31 de maio

    Limites: A página não reproduz a frase específica sobre extrema pobreza.

    Disponível

    Abrir fonte

  3. Pobreza nos estados brasileiros 2024 Documento

    Instituto Jones dos Santos Neves · 05/2025

    Evidência

    Contribuição: Fornece ranking comparável entre todas as UFs, com a mesma linha de extrema pobreza, para 2023 e 2024. O dado de 2024 contradiz a liderança atual atribuída a Goiás e o de 2023 mostra a melhor base histórica para a fala.

    • Linhas de pobreza: p. 4 e p. 7: linha de extrema pobreza de R$ 217,37 a valores de 2024 e fonte PNAD Contínua
    • Taxa de Extrema Pobreza 2023 — Ranking UFs: p. 11: Rio Grande do Sul 1,3%, Goiás 1,3% e Santa Catarina 1,4%
    • Taxa de Extrema Pobreza 2024 — Ranking UFs: p. 12: Santa Catarina 1,2%, Rio Grande do Sul 1,4%, Goiás 1,6%, Mato Grosso do Sul 1,6% e Mato Grosso 1,6%

    Limites: As estimativas derivam de pesquisa amostral e estão sujeitas a incerteza estatística.; O percentual depende da linha de extrema pobreza adotada; por isso a checagem não mistura rankings com cortes diferentes.

    Disponível

    Abrir fonte

  4. Síntese dos Indicadores Sociais (2025) Documento

    Instituto Mauro Borges de Pesquisa e Política Econômica · 01/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Documento do próprio instituto oficial goiano, publicado antes da fala, que confirma a necessidade de explicitar a linha usada e registra o quadro de 2024 com cortes atualizados.

    • Definições de extrema pobreza: pp. 6 e 11-12: PNAD Contínua, linha internacional de US$ 3/dia e linha de R$ 218/mês
    • Extrema pobreza em Goiás em 2024: p. 12: 2,2% da população na linha US$ 3/dia e 1,7% na linha R$ 218/mês; domicílios 2,4% e 1,9%

    Limites: As taxas de pessoas do IMB diferem ligeiramente das do IJSN porque os estudos adotam linhas/metodologias próprias; a fonte é usada principalmente para qualificar a sensibilidade ao corte, não para substituir o ranking uniforme do IJSN.

    Disponível

    Abrir fonte

  5. Indicadores sociais de Goiás Documento

    Assembleia Legislativa do Estado de Goiás · 19/03/2025

    Contexto

    Contribuição: Registra como o dado favorável de 2023 circulava em Goiás e explicita a ausência de uma única linha oficial de pobreza.

    • Extrema pobreza em 2023: Goiás com 1,3%, dado de 2023; página descreve o estado entre os menores índices
    • Nota sobre linhas de pobreza: observação de que não há uma única linha oficial de pobreza no Brasil e referência às linhas do Banco Mundial

    Limites: É uma publicação institucional secundária baseada em dados do IBGE e não substitui o ranking comparável do IJSN.

    Disponível

    Abrir fonte

Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

Metodologia e significado dos achados · Solicitar correção

Encontrou um erro?

Indique o ponto que precisa ser revisto e, se possível, a evidência que sustenta a solicitação. O envio fica privado até análise.

Aponte o trecho, dado ou conclusão que você acredita estar incorreto ou incompleto.

Se possível, inclua links, documentos ou referências que sustentem a solicitação.

Não será publicado. Podemos usá-lo apenas se precisarmos esclarecer esta solicitação.