Atlas da Mentira · checagem verificável

Flávio Bolsonaro apoiaria projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil se fosse eleito

Não. A alegação associou Flávio Bolsonaro a um projeto de lei que foi apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli e arquivado em 2008, sem participação demonstrada de Flávio. O candidato negou publicamente querer retirar o título de Nossa Senhora Aparecida, e a GloboNews corrigiu comentário sobre a suposta mobilização atual.

A ficha legislativa da Câmara confirma a autoria, conteúdo e arquivamento do PL 2.623/2007. Apurações do UOL, Projeto Comprova e Folha não localizaram manifestação de apoio de Flávio à retomada ou nova apresentação dessa proposta; a frase de agosto sobre 'decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo' não menciona a padroeira. A relação com o candidato foi inferida nas redes e não tem suporte documental.

Qualificações importantes

Houve, de fato, proposta para alterar na Lei 6.802/1980 a expressão 'padroeira do Brasil' para 'padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos'. Trata-se do PL 2.623/2007, de Professor Victório Galli, rejeitado e arquivado em 22/08/2008, não de projeto atual apresentado ou endossado por Flávio.

  • PL 2623/2007 — ficha de tramitação Identificação, autoria e objeto do PL 2623/2007: Projeto apresentado em 12/12/2007 por Professor Victório Galli (PMDB-MT) para alterar a redação da Lei 6.802/1980, trocando referência à padroeira do Brasil por padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos.
  • PL 2623/2007 — ficha de tramitação Situação do projeto no portal da Câmara: Registro oficial apresenta situação 'Arquivada'; tramitação informa arquivamento em 22/08/2008.
  • Projeto que tira de Nossa Senhora o título de padroeira do Brasil está arquivado Rejeição do projeto em comissão e arquivamento: Registra arquivamento em 22/8/2008, após rejeição do mérito pela Comissão de Educação e Cultura; descreve precisamente substituição de título proposta por Galli.

Flávio realmente afirmou, em agosto de 2026, que, se eleito, um de seus primeiros atos seria decretar que o Brasil pertence a Jesus Cristo. Essa fala política e religiosa não enuncia retirada do título de Nossa Senhora Aparecida; a declaração não deve ser apagada nem reinterpretada como prova da proposta que não foi feita.

A comentarista Maria Cristina Fernandes mencionou, em 24/9, um suposto movimento evangélico em torno de um projeto, mas não atribuiu sua autoria ou adesão formal a Flávio. O comentário, divulgado sem o contexto do arquivamento, foi corrigido pela GloboNews na madrugada de 25/9; não deve ser tratado como fala literal de que Flávio defendia o PL.

Victório Galli atuou mais tarde como assessor no governo Jair Bolsonaro, o que explica por que sua proposta antiga foi associada à família nas redes; essa relação política posterior não demonstra apoio de Flávio em 2026 à alteração da lei.

Flávio negou publicamente o projeto, inclusive em entrevista de 28/9. A checagem avalia propostas e declarações públicas documentadas e não pretende provar pensamentos privados ou excluir toda possibilidade de proposta legislativa futura. A inexistência de apoio demonstrado é lida junto com o arquivamento e a origem comprovada do boato.

O que foi checado

Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência em 2026, apoiaria um projeto de lei para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil se fosse eleito.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Publicações em redes sociais que atribuíram a Flávio Bolsonaro apoio a projeto contra o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida · Atribuição não verificada
Primeiro registro observado
24/09/2026
Contexto
Posts e mensagens difundidos na reta final do primeiro turno de 2026, vinculando a declaração religiosa de Flávio de agosto a uma proposta antiga e à repercussão de comentário na GloboNews em 24/9.

Como a proposição foi normalizada: A proposição é a associação e a intenção atribuídas a Flávio por posts de redes, não uma citação literal da comentarista Maria Cristina Fernandes, que mencionou suposto movimento evangélico sem declarar que o candidato havia proposto ou apoiado o projeto. O tempo verbal condicional expressa previsão apresentada como intenção factual, não como simples especulação.

Limite de atribuição: UOL e Projeto Comprova preservam a circulação da imputação, sem identificar um autor originário; a comentarista da GloboNews não deve ser indicada como autora literal desta atribuição a Flávio.

Contexto original

Como surgiu a acusação

Em 24 e 25 de setembro de 2026, circularam nas redes sociais afirmações de que Flávio Bolsonaro, caso chegasse à Presidência, apoiaria a retirada de Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil. A imputação ganhou força depois de um comentário da jornalista Maria Cristina Fernandes no programa 'Em Pauta', da GloboNews, sobre um suposto grupo de evangélicos mobilizado em torno de projeto legislativo. A comentarista não disse expressamente que Flávio havia apresentado ou aderido a um texto desse tipo. A associação direta a ele foi difundida em publicações posteriores.

Explicação

O que diz o projeto de lei verdadeiro

A proposta utilizada como fundamento do boato é o PL 2.623/2007, apresentado em 12 de dezembro de 2007 por Professor Victório Galli, então deputado federal de Mato Grosso pelo PMDB. O projeto pretendia alterar a Lei 6.802/1980, que consagra o feriado nacional de 12 de outubro em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, trocando a expressão 'padroeira do Brasil' por 'padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos'. O próprio registro legislativo da Câmara identifica esse conteúdo e autoria.

  • PL 2623/2007 — ficha de tramitação Identificação, autoria e objeto do PL 2623/2007: Projeto apresentado em 12/12/2007 por Professor Victório Galli (PMDB-MT) para alterar a redação da Lei 6.802/1980, trocando referência à padroeira do Brasil por padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos.

A proposta foi rejeitada na Comissão de Educação e Cultura e arquivada em 22 de agosto de 2008. A Câmara já havia esclarecido em 2018, diante de outra onda de boatos, que o projeto não tramitava. Não há no registro dessa proposta participação de Flávio Bolsonaro nem iniciativa sua de reabri-la em setembro de 2026.

Explicação

A declaração de Flávio e a correção da GloboNews

A interpretação dos posts ganhou força após uma fala verdadeira de Flávio em vídeo divulgado em 23 de agosto de 2026: ele disse que um de seus primeiros atos se fosse eleito seria decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo. A frase despertou críticas e debate público sobre religião, mas não mencionou Nossa Senhora Aparecida, a Lei 6.802/1980 nem qualquer intenção de alterar seu título. Associá-la ao PL arquivado é uma inferência não demonstrada.

Na madrugada de 25 de setembro, a GloboNews se retratou e esclareceu que a proposta citada no comentário havia sido arquivada quase duas décadas antes. Flávio também divulgou uma negativa na noite de 24 de setembro, reiterada no podcast SantoFlow em 28/9, afirmando não existir projeto com seu apoio. A resposta dele não é a única evidência: a ficha oficial da Câmara e as investigações jornalísticas convergem quanto ao encerramento da proposta antiga e à falta de vínculo com o candidato.

Contexto e limites

Por que a ligação política não comprova apoio

A interpretação mais favorável à acusação considera um dado real: o autor do antigo projeto, Victório Galli, viria a trabalhar no governo de Jair Bolsonaro como assessor especial. Também é real que Flávio fez uma promessa de caráter religioso em agosto. Nenhuma dessas circunstâncias, isolada ou conjuntamente, mostra que o candidato tenha assumido, reapresentado ou apoiado a alteração legislativa quase vinte anos após o arquivamento. O vínculo é indireto, não evidência da intenção atribuída a ele.

A circulação das publicações levou a medidas judiciais provisórias: o ministro André Mendonça, no TSE, determinou a retirada de conteúdos e Flávio Dino, no STF, anulou a decisão posteriormente. As medidas tratam de circulação e liberdade de expressão, não alteram os fatos documentados no Legislativo. A conclusão sobre o projeto é alcançada por sua ficha oficial, pelas declarações efetivamente dadas e por apurações independentes, não pela simples existência de uma decisão de remoção.

A autoria da primeira postagem que associou diretamente Flávio ao projeto não está determinada. A informação disponível foi preservada por reportagem e por apuração do Projeto Comprova; não foi possível examinar o upload originário de todas as mensagens ou ouvir diretamente a íntegra do comentário televisivo. Por isso a atribuição permanece à circulação anônima, e não à jornalista que mencionou um suposto grupo evangélico.

Método

Como a alegação foi verificada

A investigação distinguiu a declaração religiosa real do candidato, a proposição legislativa de 2007, sua situação processual na Câmara e os posts que inferiram apoio atual. O principal registro primário é a ficha e o histórico oficial do PL 2.623/2007, cruzados com a notícia institucional da Câmara, checagem do Projeto Comprova, cobertura do UOL e da Folha e a negativa pública do candidato. A ausência de intenção comprovada não equivale à afirmação impossível de conhecer todas as ideias privadas futuras de qualquer político.

Fontes

  1. Entenda a polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida Documento

    UOL Eleições · 25/09/2026 · Atualizado em 25/09/2026 às 20h55, conforme página

    Alegação original, Evidência

    Contribuição: Preserva o conteúdo da alegação em circulação e a reação contemporânea, permitindo distinguir boato de texto literal da comentarista, sem servir isoladamente como comprovação do teor legislativo.

    • Circulação e correção de associação ao presidenciável: Registra a difusão de publicações que atribuíram a Flávio a intenção de retirar ou apoiar retirada do título de padroeira depois de comentário televisivo sobre grupo evangélico.
    • Retratação da GloboNews e declaração de Flávio: Comentarista Maria Cristina Fernandes referiu grupo de evangélicos mobilizado em torno de proposta; emissora corrigiu a referência a projeto no dia seguinte. Flávio negou ter qualquer intenção ou projeto.
    • Projeto de 2007 e arquivamento em 2008: Identifica projeto 2.623/2007 do deputado Victório Galli, arquivado em 22/8/2008, sem conexão demonstrada ao programa de Flávio.

    Limites: A primeira publicação e autoria das postagens não foram identificadas; a reprodução jornalística da circulação não equivale a análise da íntegra de cada publicação original.; A notícia referencia a correção da emissora e declarações do candidato, sem reproduzir a gravação audiovisual integral nesta consulta.

    Disponível

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  2. PL 2623/2007 — ficha de tramitação Documento

    Câmara dos Deputados · 12/12/2007

    Evidência

    Contribuição: Fonte primária do Legislativo certifica que o projeto efetivamente existente era de outro parlamentar e foi arquivado quase 18 anos antes da eleição de 2026, sem apoio registrado de Flávio.

    • Identificação, autoria e objeto do PL 2623/2007: Projeto apresentado em 12/12/2007 por Professor Victório Galli (PMDB-MT) para alterar a redação da Lei 6.802/1980, trocando referência à padroeira do Brasil por padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos.
    • Situação do projeto no portal da Câmara: Registro oficial apresenta situação 'Arquivada'; tramitação informa arquivamento em 22/08/2008.

    Limites: Situação do PL 2623/2007 não prova sozinho ausência absoluta de outra proposta futura ou de posições privadas.; O nome de Flávio não figura na autoria, mas isso isoladamente não elimina possibilidade abstrata de apoio posterior, examinada por outras fontes.

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  3. Projeto que tira de Nossa Senhora o título de padroeira do Brasil está arquivado Documento

    Agência Câmara de Notícias · 16/10/2018 10:02

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Corroboração institucional do encerramento da proposta e do seu teor, inclusive contexto de desinformação já em 2018.

    • Rejeição do projeto em comissão e arquivamento: Registra arquivamento em 22/8/2008, após rejeição do mérito pela Comissão de Educação e Cultura; descreve precisamente substituição de título proposta por Galli.

    Limites: A matéria é de 2018 e, isoladamente, não se pronuncia sobre declarações eleitorais de 2026; a ficha atual de tramitação é a confirmação principal da situação.

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  4. Entenda como projeto arquivado e posts alimentaram desinformação religiosa Documento

    Projeto Comprova — apuração Zero Hora e Projeto Comprova, publicada no UOL · 29/09/2026 11:45

    Evidência

    Contribuição: Investigação independente de circulação, fala anterior, correção jornalística, ausência de vínculo de Flávio com o projeto, e nuances das controvérsias eleitoral e religiosa.

    • Conteúdo analisado e resultado da apuração: Examinou posts atribuindo a Flávio retirada do título e não identificou declaração ou iniciativa dele para fazê-lo; localiza origem de projeto em 2007, não em 2026.
    • Origem do boato, fala de agosto e retratação GloboNews: Reconstitui discurso de Flávio de 23/8 com promessa de decretar Brasil pertencente a Jesus Cristo, comentário de Maria Cristina Fernandes em 24/9 sobre grupos evangélicos, e retratação na madrugada de 25/9.
    • Ação e nota da CNBB: Aponta decisão do TSE para retirada de conteúdos em 25/9 e posterior revogação por STF em 27/9; nota da CNBB afirma não ter produzido informações falsas nem integrar campanhas.

    Limites: A ausência de declaração identificada é conclusão de investigação em fontes públicas, não prova sobre intenções íntimas futuras.; A decisão judicial posterior sobre liberdade de expressão e remoção não altera, sozinha, a autenticidade da alegação histórica.

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  5. Entenda disputa política sobre Nossa Senhora Aparecida após notícia falsa na campanha Documento

    Folha de S.Paulo · 28/09/2026 20:02 · Atualizado em 30/09/2026, às 16h30

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Confirma independentemente a inexistência de indicação de apoio ou declaração, sem tratar a decisão eleitoral de remoção como prova exclusiva.

    • Intenção atribuída a Flávio e origem da interpretação: A Folha registra que não há declaração do candidato ou equipe apoiando retirada do título; fala sobre 'Brasil é do Senhor Jesus Cristo' foi indevidamente equiparada ao projeto.
    • Medidas liminares sucessivas: André Mendonça mandou derrubar publicações em 25/9 no TSE, Flávio Dino no STF anulou a decisão em 27/9; natureza processual não torna alegação verdadeira.

    Limites: A negativa de registro de falas é circunscrita à apuração jornalística e não é busca exaustiva de todas as comunicações privadas.; O alcance de decisões judiciais sobre postagens deve ser mantido distinto do exame material da autoria do PL e declarações do candidato.

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  6. Flávio: Não existe projeto de lei sobre retirada do título de N. Sra de Padroeira do Brasil Entrevista

    Agência Estado — republicação no UOL · 28/09/2026 22:11

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Registra posição pública e inequívoca do próprio suposto apoiador contradizendo a alegação, complementando registro oficial da Câmara e checagens externas.

    • Entrevista a SantoFlow Podcast: Em 28/9/2026, Flávio voltou a negar que pretendesse tirar o título, no contexto de entrevista católica SantoFlow, referindo não haver projeto em andamento.

    Limites: Declaração de parte interessada deve ser ponderada junto ao histórico legislativo e outras falas; negação não estabelece opinião íntima.; A entrevista foi acessada via cobertura jornalística, não reprodução direta do vídeo completo.

    Disponível

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