Atlas da Mentira · checagem verificável

17,4 milhões de brasileiros ascenderam de classe econômica em dois anos

Sustentado.

A FGV Social estimou que a parcela da população nas classes econômicas A, B e C cresceu 8,44 pontos percentuais entre 2022 e 2024, variação que corresponde a cerca de 17,4 milhões de pessoas. É esse o número citado por Lula.

Qualificações importantes

A FGV fala de classes econômicas definidas por renda domiciliar per capita e afirma expressamente que não se trata de classes sociais em sentido sociológico. Por isso, a proposição foi normalizada como ascensão de classe econômica.

Os 17,4 milhões são uma estimativa derivada do aumento de 8,44 pontos percentuais da participação da população nas classes ABC entre 2022 e 2024. O cálculo não equivale a uma contagem nominal de 17,4 milhões de indivíduos acompanhados um a um ao longo do período.

O período do dado é 2022 a 2024. A fala ocorreu em janeiro de 2026, de modo que “em dois anos” deve ser lido como referência ao intervalo do estudo, e não como uma medição de 2024 a 2026.

O que foi checado

Em dois anos, 17,4 milhões de pessoas ascenderam de classe econômica no Brasil.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Luiz Inácio Lula da Silva · Atribuição verificada
Função na época
presidente da República
Data da declaração
28/01/2026
Contexto
Pronunciamento na abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026.

Como a proposição foi normalizada: Lula disse apenas “ascenderam de classe”. A checagem explicita “classe econômica” porque o número de 17,4 milhões vem de estudo da FGV Social que classifica a população por faixas de renda e ressalta que não mede classes sociais em sentido sociológico.

Em dois anos, a pobreza deu lugar à inclusão social e 17,4 milhões de pessoas ascenderam de classe no Brasil.

Explicação

O que mostra o estudo

A nota da FGV Social que dá origem ao número compara a distribuição da população por classes econômicas em 2022 e 2024. Em 2024, as classes A, B e C reuniam 78,18% da população. Segundo a FGV, essa participação aumentou 8,44 pontos percentuais em relação a 2022; convertida em população, a diferença corresponde a cerca de 17,4 milhões de pessoas que passaram a integrar o conjunto ABC.

O número citado por Lula reproduz, portanto, a estimativa publicada pela FGV para a mudança observada entre 2022 e 2024. Nesse sentido econômico e com esse recorte temporal, a afirmação é sustentada pela fonte primária que produziu a estimativa.

Contexto original

O que Lula disse

Em dois anos, a pobreza deu lugar à inclusão social e 17,4 milhões de pessoas ascenderam de classe no Brasil.

A frase apareceu no pronunciamento de abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026, em 28 de janeiro. O trecho apresentava indicadores de renda e inclusão no Brasil antes de citar os 17,4 milhões.

Método

O que significa “classe” neste cálculo

A FGV deixa claro que sua classificação é econômica, baseada em renda domiciliar per capita, e não uma definição sociológica de classe social. A nota divide a população em faixas E, D, C, B e A e usa essas faixas para medir a mudança da distribuição de renda.

Também é importante ler os 17,4 milhões como estimativa agregada. O valor decorre da mudança da participação populacional das classes ABC entre dois retratos estatísticos. Isso sustenta a afirmação de que houve uma mudança dessa magnitude na distribuição econômica, mas não significa que o estudo tenha identificado e acompanhado nominalmente cada uma dessas 17,4 milhões de pessoas.

Contexto e limites

Limites do enunciado

A referência a “dois anos” pode ser ambígua fora do contexto. O cálculo da FGV cobre 2022 a 2024. Como o discurso ocorreu em janeiro de 2026, o dado não descreve os dois anos imediatamente anteriores à fala. Essa precisão temporal é necessária, mas não altera o fato de que o número de 17,4 milhões corresponde ao resultado publicado pela FGV.

A interpretação mais favorável ao enunciado é a que liga “classe” ao conceito econômico usado na fonte do número e “dois anos” ao intervalo 2022–2024. Uma leitura de “classe social” em sentido sociológico ou de 2024–2026 iria além do que o estudo mede. Com a formulação fiel ao indicador que gerou a cifra, a evidência sustenta a afirmação.

Fontes

  1. Pronunciamento do presidente Lula na abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026 Documento

    Fundação Perseu Abramo · 28/01/2026

    Alegação original

    Contribuição: Preserva a formulação atribuída a Lula, a data e o contexto do pronunciamento.

    • Trecho sobre inclusão social: Parágrafo do pronunciamento que contém a referência a 17,4 milhões de pessoas que “ascenderam de classe”.

    Limites: A página é uma reprodução textual do pronunciamento presidencial, não o registro audiovisual original.

    Disponível

    Abrir fonte

  2. Classes Econômicas, Desigualdade e Mobilidade: 1976 a 2024 Documento

    FGV Social — Centro de Políticas Sociais · 13/01/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: É a fonte primária da estimativa de 17,4 milhões e define o conceito de classe econômica usado no cálculo.

    • p. 1: A participação nas classes ABC chega a 78,18% em 2024 e aumenta 8,44 pontos percentuais desde 2022; a FGV afirma que isso significa cerca de 17,4 milhões de pessoas em ascensão para ABC.
    • p. 3: A nota ressalta que trata de classes econômicas, e não de classes sociais, com base em renda domiciliar per capita.
    • p. 4: Tabela com os limites de renda domiciliar per capita usados para as classes E, D, C, B e A.

    Limites: O número de 17,4 milhões é derivado da mudança agregada de participação nas classes ABC entre 2022 e 2024, não de uma contagem nominal dos mesmos indivíduos acompanhados no período.; A classificação é econômica e baseada em renda; a própria nota diz que não mede classes sociais em sentido sociológico.

    Disponível

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Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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