Atlas da Mentira · checagem verificável

Escritório de Flávio Bolsonaro emitiu 62 notas fiscais que somam R$ 13,7 milhões; duas de R$ 2 milhões para Nilo & Almeida

A reportagem do UOL afirma ter examinado 62 notas fiscais emitidas pelo escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro entre janeiro de 2023 e julho de 2026, somando R$ 13,7 milhões, inclusive duas notas de R$ 2 milhões para a banca Nilo & Almeida. O vínculo profissional e a passagem de Edvaldo Nilo pela Comissão de Ética Pública são corroborados por registros externos; o conjunto integral das notas não foi auditado independentemente pelo PernaCurta.

Os jornalistas do UOL declararam ter acessado os comprovantes e identificaram as notas de 6 de agosto e 17 de outubro de 2025, ambas descritas como assessoria jurídica. O sócio da banca destinatária informou ao veículo que um contrato fora assinado em abril daquele ano para serviços jurídicos a clientes privados. Fonte governamental registra a posse de Nilo em março de 2022 como conselheiro de ética, e notícia jurídica contemporânea o identifica como sócio da banca. Notas emitidas e somadas pela reportagem não demonstram integral recebimento dos valores nem ilegalidade.

Qualificações importantes

A fonte decisiva para a quantidade de 62 documentos e soma de R$ 13,7 milhões é investigação própria do UOL, que afirma ter consultado as notas fiscais e publicou exemplos. A coleção completa, protocolos e documentação de pagamentos não foram obtidos nesta checagem. O veredito 'sustentado' reflete essa evidência jornalística de primeira mão, não uma auditoria contábil independente das 62 notas.

Emissão fiscal não equivale automaticamente a recebimento bancário. A matéria menciona duas notas canceladas de R$ 500 mil ligadas a outra empresa e emissão posterior de nota válida para terceiro, mostrando a necessidade de separar documentos emitidos, válidos, cancelados e quitados. Não foi possível reconstituir o tratamento contábil de cada cancelamento nos R$ 13,7 milhões.

As notas de R$ 2 milhões cada para Nilo & Almeida são datadas de 6 de agosto e 17 de outubro de 2025, segundo UOL. O sócio Edvaldo Nilo confirmou contrato de prestação conjunta de serviços privados, mas esta verificação não teve acesso ao contrato, aos respectivos casos e aos comprovantes de transferência dos valores.

Edvaldo Nilo era sócio da banca e foi empossado conselheiro da Comissão de Ética Pública no governo Jair Bolsonaro, segundo fontes externas. Nomeação, contratação entre bancas e valores das notas não implicam, isoladamente, troca de favores, uso de verba pública ou influência indevida; a banca afirmou que atuou em casos privados.

A campanha de Flávio não respondeu à consulta jornalística até a publicação; Nilo e outros contratantes ofereceram explicações registradas pelo UOL. A ausência de manifestação de um citado não pode ser interpretada como confissão ou prova autônoma.

O que foi checado

O escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro emitiu 62 notas fiscais que somaram R$ 13,7 milhões entre janeiro de 2023 e julho de 2026, incluindo duas notas de R$ 2 milhões para a banca Nilo & Almeida Advogados Associados.

Forma
Paráfrase
Atribuição
UOL · Atribuição verificada
Função na época
Reportagem de investigação de Artur Rodrigues e Fabio Serapião
Data da declaração
20/10/2026
Contexto
Investigação jornalística publicada pelo UOL TAB durante o segundo turno presidencial, após análise de 62 notas fiscais e entrevistas sobre a atuação privada de escritório do candidato Flávio Bolsonaro.

Como a proposição foi normalizada: A apuração do UOL atribui os valores a notas fiscais emitidas (não necessariamente a dinheiro efetivamente recebido) e identifica a banca contratante como tendo entre seus sócios Edvaldo Nilo de Almeida, nomeado por Jair Bolsonaro à Comissão de Ética Pública. A existência de notas e vínculos não demonstra, por si só, ilegalidade, favorecimento ou influência em atos públicos. A alegação não presume que o senador tenha atuado em processos envolvendo órgãos públicos.

Contexto original

O que a reportagem divulgou

Em reportagem publicada no dia 20 de outubro de 2026, os jornalistas Artur Rodrigues e Fabio Serapião, do UOL TAB, afirmaram ter examinado 62 notas fiscais da sociedade individual de advocacia de Flávio Bolsonaro. Conforme os documentos descritos pela apuração, as notas emitidas entre janeiro de 2023 e julho de 2026 totalizam R$ 13,7 milhões. A reportagem explica que a descrição mais frequente é 'assessoria jurídica' e que não localizou processos correspondentes à maior parte dos pagamentos informados.

A checagem verifica a precisão do que foi documentado e declarado nessa investigação, e não presume que Flávio Bolsonaro recebeu na conta bancária cada valor nominal inscrito em todas as notas. Tampouco infere que a emissão de faturas, por si, indique crime ou irregularidade profissional.

Explicação

As duas notas de R$ 2 milhões para Nilo & Almeida

Segundo UOL, a banca Nilo & Almeida Advogados Associados figura como tomadora em duas notas de R$ 2 milhões emitidas em 6 de agosto e 17 de outubro de 2025 pelo escritório de Flávio Bolsonaro. Ambas trazem a descrição genérica de 'assessoria jurídica' e indicam conta bancária do escritório emissor no BRB. Isso resulta em R$ 4 milhões de valores nominais em documentos fiscais, mas a reportagem não disponibiliza comprovantes de quitação integral de cada nota para auditoria externa.

Ouvido pelo UOL, Edvaldo Nilo afirmou que havia contrato entre os escritórios desde abril de 2025 e que os serviços foram prestados conjuntamente para clientes privados, em assuntos sem verbas públicas nem participação de entes federativos. A reportagem informa que ele não identificou quais seriam os processos ou clientes. Essa explicação é relevante para não equiparar automaticamente relacionamento comercial e exercício indevido de influência, mas não permite conferir cada documento fiscal.

Explicação

O vínculo institucional de Edvaldo Nilo

O vínculo de Edvaldo Nilo de Almeida com a administração federal é verificável em registros externos à investigação. Uma notícia jurídica de março de 2022 já o identificava como sócio da Nilo & Almeida Advogados Associados e noticiava sua nomeação para a Comissão de Ética Pública pelo então presidente Jair Bolsonaro. Agenda oficial da Secretaria-Geral da Presidência marca sua posse como conselheiro para 15 de março de 2022.

Já em 12 de novembro de 2025, o Senado registrou a aprovação de indicação de Edvaldo Nilo ao Conselho Nacional do Ministério Público em sabatina na Comissão de Constituição e Justiça. Esses registros confirmam a trajetória pública noticiada, mas não revelam a natureza econômica dos contratos privados nem indicam que suas funções públicas tenham participado da contratação.

Contexto e limites

O que as notas não provam

A própria reportagem mostra que nem toda nota emitida se mantém válida: duas notas de R$ 500 mil para uma empresa chamada Copenhagen Assessoria e Consultoria foram canceladas e uma nova nota desse valor foi emitida para outra firma. Esse exemplo não envolve as duas notas de R$ 2 milhões para Nilo & Almeida, mas demonstra por que uma listagem de emissões não deve ser apresentada indistintamente como depósitos confirmados ou renda líquida. Não foi possível rever os 62 documentos para apurar cada eventual cancelamento.

Os jornalistas declararam que a campanha de Flávio Bolsonaro não respondeu às perguntas até a publicação. Por outro lado, Edvaldo Nilo e outros clientes ou escritórios citados apresentaram justificativas de contratação privada e serviços advocatícios. O simples fato de parte dos processos não ser identificada publicamente nas descrições fiscais não constitui demonstração de falsidade documental nem de prática criminal.

A existência de uma investigação jornalística que consultou notas fiscais, com duas notas específicas identificadas e respostas de partes, oferece fundamento para sustentar a atribuição do relato ao UOL. Porém, sem acesso independente ao lote completo, ao extrato contábil e ao comprovante de cada pagamento, esta checagem não atesta como fato auditado o efetivo recebimento de R$ 13,7 milhões, nem avalia a legalidade de honorários ou a eventual influência decorrente de relações políticas.

Fontes

  1. Firma de Flávio faturou R$ 14 mi; R$ 4 mi foram via nomeado por Bolsonaro Documento

    UOL TAB / Artur Rodrigues e Fabio Serapião · 20/10/2026

    Alegação original, Evidência

    Contribuição: Apuração de primeira mão de 62 documentos fiscais de escritório de Flávio Bolsonaro, total de R$ 13,7 milhões e duas notas de R$ 2 milhões para Nilo & Almeida em 06/08 e 17/10/2025. Traz resposta do sócio Edvaldo Nilo sobre contrato de serviços privados e exemplos de cancelamentos.

    • Abertura — análise das 62 notas fiscais: Resumo: 62 comprovantes de janeiro de 2023 a julho de 2026, R$ 13,7 milhões em notas
    • Maior cliente e duas notas para Nilo & Almeida: Parágrafos a partir de 'Edvaldo Nilo é sócio'; notas de R$2 milhões em 06/08/2025 e 17/10/2025; descrição de assessoria jurídica; conta BRB
    • Resposta de Nilo, outros clientes e ausência de retorno da campanha: Entrevista: Nilo afirma contrato de abril de 2025 e serviços privados, sem participação de entes federativos; campanha não respondeu até publicação; outros clientes confirmam contratação de consultoria
    • Notas canceladas para Copenhagen: Parágrafo: duas notas de R$500 mil para Copenhagen canceladas, e outra substitutiva de R$500 mil para Contábil Correa mantida

    Limites: Não foi disponibilizado integralmente aos leitores o conjunto de 62 notas fiscais, seus protocolos de validação e registros de compensação bancária; apenas reproduções parciais; a contagem e soma são do próprio UOL.; Não é possível confirmar a partir da emissão de notas que a íntegra das faturas tenha sido efetivamente quitada ou que não existam cancelamentos ou retificações adicionais.; Clientes disseram se tratar de serviços privados e advocacia regular; ausência de descrição de ações nas notas não comprova por si só atividade ilícita.; A campanha de Flávio não respondeu até a publicação, o que não constitui admissão das informações.

    Disponível

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  2. Agenda de 15/03/2022 — posse de Edvaldo Nilo na Comissão de Ética Pública Documento

    Secretaria-Geral da Presidência da República · 15/03/2022

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Registro governamental independente da posse de Edvaldo Nilo de Almeida como conselheiro da Comissão de Ética Pública durante governo Jair Bolsonaro.

    • Compromisso 10h30–12h de 15/03/2022: Posse do novo Conselheiro da Comissão de Ética Pública, Edvaldo Nilo de Almeida

    Limites: Comprova posse/cargo, não o número de notas ou valores faturados em 2023–2026.

    Disponível

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  3. Edvaldo Nilo é nomeado Conselheiro da Comissão de Ética Pública Documento

    Migalhas · 11/03/2022

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Notícia contemporânea à nomeação em março de 2022 identifica Edvaldo Nilo como sócio de Nilo & Almeida Advogados Associados.

    • Primeiro parágrafo da notícia, 11/03/2022: Edvaldo Nilo de Almeida é identificado como sócio da banca Nilo & Almeida e nomeado pelo Presidente da República para comissão

    Limites: Fonte de 2022, não confirma se a composição societária permaneceu idêntica ao longo de todo 2025/2026.

    Disponível

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  4. Senado Federal, CCJ — sabatina de Edvaldo Nilo de Almeida para o CNMP Documento

    Senado Federal · 12/11/2025

    Contexto

    Contribuição: Página institucional comprova aprovação de Edvaldo Nilo de Almeida em indicação para o Conselho Nacional do Ministério Público, informação contextual sobre carreira institucional.

    • OFS 15/2025, 40ª reunião extraordinária da CCJ: Aprovação com 26 votos favoráveis e 1 contrário em 12/11/2025

    Limites: Confirma tramitação e aprovação da indicação para o CNMP, não qualquer transação fiscal envolvendo Flávio Bolsonaro.

    Disponível

    Abrir fonte

Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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