Atlas da Mentira · checagem verificável

Governo Biden interferiu na eleição brasileira de 2022 para levar Lula ao poder

É enganosa a afirmação de que o governo Biden interferiu na eleição brasileira de 2022 para levar Lula ao poder.

Houve uma campanha americana coordenada e incomum para pressionar autoridades políticas e militares a respeitar o processo e o resultado eleitoral. Também existiam vínculos federais substanciais em infraestrutura de combate à desinformação: a NSF financiou em US$ 5,75 milhões as duas fases do FACT CHAMP/Co-Insights liderado pela Meedan, organização cujo software Check foi usado no Confirma 2022. Essa sobreposição torna a melhor defesa da acusação mais forte. Ainda assim, a própria Meedan identifica o WhatsApp/Meta como financiador do Confirma, não foi localizada uma trilha financeira que leve o grant da NSF ao projeto brasileiro, e a reconstrução independente do Financial Times, baseada em participantes da campanha diplomática, relata que a estratégia americana foi desenhada para ser neutra entre candidatos e proteger o processo, não para eleger Lula.

Qualificações importantes

Os Estados Unidos de fato exerceram pressão pública e privada incomum sobre autoridades brasileiras para que o sistema eleitoral e o resultado fossem respeitados. O Financial Times reconstruiu uma campanha coordenada ao longo de aproximadamente um ano entre Casa Branca, CIA, Departamento de Estado, Pentágono e Forças Armadas. Segundo as fontes ouvidas, a orientação interna era ser neutra quanto ao resultado e não apoiar um candidato ou outro. Isso sustenta a existência de interferência em sentido político amplo, mas pesa contra a finalidade específica de eleger Lula.

Há um vínculo institucional e programático real entre a USAID e o CEPPS: registros federais americanos mostram o CEPPS como contratado do programa global de eleições e processos políticos da agência, e o TSE registra que participou, em dezembro de 2021, de um evento promovido pelo CEPPS e pela USAID. Essas fontes comprovam cooperação e um mecanismo de financiamento americano para o consórcio, mas não mostram repasse à campanha de Lula, ordem para favorecer um candidato ou valor de recursos aplicado especificamente para alterar a disputa brasileira.

O financiamento federal à Meedan foi materialmente maior do que o grant inicial: a fase I do FACT CHAMP recebeu cerca de US$ 750 mil da NSF e a fase II do Co-Insights recebeu mais US$ 5 milhões; relatório do Comitê Judiciário da Câmara registra US$ 5,75 milhões no total. A fase II foi anunciada em 17 de outubro de 2022 e tinha escopo declarado de trabalho com comunidades AAPI nos EUA e desenvolvimento de ferramentas contra desinformação. O Confirma 2022, por sua vez, usou o software Check da Meedan no Brasil e declara financiamento específico do WhatsApp/Meta. Essa coincidência de organização e tecnologia fortalece a defesa de que havia uma infraestrutura americana relevante, mas as fontes consultadas não rastreiam os recursos da NSF até o Confirma nem demonstram orientação partidária pró-Lula.

  • FACT CHAMP: New project to increase collaboration between fact-checkers, academics, and community leaders to counter misinformation online Grant da National Science Foundation: Meedan declara que uma equipe liderada pela organização recebeu grant de 12 meses e US$ 750 mil do NSF Convergence Accelerator para FACT CHAMP/Co-Insights; o foco inicial era desinformação em comunidades Asian American and Pacific Islander e a construção/adaptação de ferramentas e infraestrutura de colaboração
  • Co·Insights wins $5m from the National Science Foundation Fase II do NSF Convergence Accelerator: Em 17 de outubro de 2022, a Meedan anunciou que o Co-Insights recebeu US$ 5 milhões da NSF para a fase II; o texto descreve parceria com comunidades Asian American and Pacific Islander nos EUA e desenvolvimento de conhecimento, colaborações e software para identificar e combater desinformação.
  • The Weaponization of the National Science Foundation Página 16 — Meedan: Co-Insights: O relatório afirma, com base em documentos da NSF e da Meedan, que a NSF destinou US$ 5,75 milhões ao projeto da Meedan no Track F; registra as mudanças de nome de FACT CHAMP para Co-Insights e descreve uso de dados e aprendizado de máquina para identificar, antecipar e responder a desinformação.
  • Brazil Election 2022 Funded by: WhatsApp
  • Brazil Election 2022 Confirma 2022: coalizão de cinco redações de checagem, uso do software Check da Meedan e integração de feed com chatbot do TSE; a página declara que o projeto foi apoiado por recursos do WhatsApp at Meta

Registros públicos e entrevistas retrospectivas não permitem excluir categoricamente uma atividade sigilosa ou motivação não revelada. A conclusão se limita ao que as melhores fontes acessíveis demonstram: elas confirmam uma atuação americana coordenada em defesa do processo eleitoral, vínculos de financiamento institucional em programas de democracia e US$ 5,75 milhões da NSF ao Co-Insights da Meedan, mas a evidência independente disponível descreve a estratégia eleitoral como neutra entre candidatos e não documenta uma operação destinada a eleger Lula.

O que foi checado

O governo de Joe Biden interferiu nas eleições brasileiras de 2022 para levar Lula ao poder.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Flávio Bolsonaro · Atribuição verificada
Função na época
senador e pré-candidato à Presidência
Data da declaração
28/03/2026
Contexto
Discurso de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos.

Como a proposição foi normalizada: A fala associa uma 'interferência massiva' do governo Biden e uma suposta 'enxurrada de dinheiro da USAID' à ideia de que os Estados Unidos atuaram para 'trazer Lula ao poder'. A checagem avalia esse propósito eleitoral específico sem negar, de antemão, a existência de pressão diplomática americana sobre o processo eleitoral.

interferência massiva do governo Biden... o governo Biden fez para trazer Lula ao poder

Contexto original

O que Flávio Bolsonaro afirmou

Em discurso nos Estados Unidos em 28 de março de 2026, Flávio Bolsonaro acusou o governo de Joe Biden de ter promovido uma “interferência massiva” no Brasil e disse que Biden teria agido para “trazer Lula ao poder”. No mesmo contexto, associou a acusação a uma suposta “enxurrada de dinheiro da USAID”. A proposição checada é a parte factual mais forte dessa fala: a ideia de que o governo Biden atuou na eleição de 2022 com o propósito específico de levar Lula à Presidência.

Explicação

Houve uma campanha americana para proteger o processo eleitoral

Há evidência de pressão diplomática real. Em maio de 2022, a Reuters informou, com base em três fontes, que o diretor da CIA, William Burns, havia transmitido em julho de 2021 a integrantes do governo brasileiro a mensagem de que Jair Bolsonaro deveria parar de questionar a integridade do sistema eleitoral. A CIA não comentou o relato, e Bolsonaro e o general Augusto Heleno negaram que eleições tivessem sido discutidas nessa visita. O episódio documenta uma reportagem consistente sobre pressão privada, embora não resolva sozinho a finalidade partidária da atuação.

A evidência independente mais próxima da questão de intenção veio depois da eleição. Em 2023, o Financial Times entrevistou seis atuais ou ex-funcionários dos Estados Unidos envolvidos no esforço e figuras institucionais brasileiras para reconstruir uma campanha coordenada e não publicizada que atravessou Casa Branca, CIA, Departamento de Estado, Pentágono e Forças Armadas por aproximadamente um ano. Segundo a reportagem, a estratégia tinha duas mensagens: Washington seria neutra quanto ao resultado e não apoiaria um candidato brasileiro ou outro, mas não aceitaria uma ruptura do processo ou do resultado eleitoral.

Essa campanha foi além de declarações públicas. O Financial Times relata avisos privados sobre consequências para relações militares caso houvesse apoio a uma ruptura e também ajuda prática para contornar dificuldades de fornecimento de semicondutores necessários às urnas. O fato de a atuação ter sido coordenada e incomum reforça o núcleo factual de que os Estados Unidos interferiram em sentido político amplo; ao mesmo tempo, a reconstrução relata um desenho deliberadamente voltado ao processo, não à vitória de Lula.

A posição pública foi coerente com esse desenho. Em julho de 2022, o Departamento de Estado disse ter conversado privada e publicamente com autoridades brasileiras e declarou esperar uma eleição livre, justa e confiável. Dois dias antes do segundo turno, afirmou apoiar o direito democrático do povo brasileiro de escolher seu próximo líder e expressou confiança na condução profissional e pacífica da votação.

O Senado dos Estados Unidos também aprovou, em setembro de 2022, uma resolução que pedia o reconhecimento imediato do resultado caso observadores internacionais considerassem a eleição livre e justa e alertava contra uma ruptura antidemocrática. A condição é relevante: o texto não determinava apoio a Lula, mas ao vencedor de um processo considerado legítimo.

Explicação

Os vínculos de financiamento americano precisam ser separados por programa

Há um vínculo concreto entre a USAID, o CEPPS e atividades de integridade eleitoral. Em dezembro de 2021, o presidente do TSE participou de um evento sobre eleições e transformação digital promovido pelo CEPPS e pela USAID. Em um registro federal americano sobre o orçamento da agência, a própria USAID explica que seu programa global Democratic Elections and Political Processes de 2021 teve o CEPPS como contratado, consórcio formado por organizações como IFES, IRI e NDI. Isso comprova uma relação programática e financeira da USAID com o consórcio e uma interação institucional com o TSE, mas não mostra repasse à campanha de Lula nem orientação para favorecer um candidato.

A versão mais forte em favor da tese foi apresentada publicamente em 2025 por Michael Benz, ex-funcionário do Departamento de Estado e crítico das políticas americanas de combate à desinformação. Em audiência na Câmara dos Deputados, ele afirmou que USAID, CEPPS e organizações de tecnologia e checagem teriam formado uma infraestrutura que prejudicou Bolsonaro e favoreceu Lula. Uma parte factual importante dessa defesa é verificável: a Meedan, organização cujo software Check foi usado no Confirma 2022, recebeu financiamento multimilionário da NSF para um projeto separado de combate à desinformação. Isso torna a coincidência institucional mais relevante do que sugeria a versão anterior desta checagem, mas o depoimento de Benz ainda não demonstra por si só que esses recursos financiaram o projeto eleitoral brasileiro ou que houve orientação para eleger Lula.

O financiamento federal americano à Meedan foi maior do que o grant inicial de US$ 750 mil. Na fase I do NSF Convergence Accelerator, o FACT CHAMP recebeu cerca de US$ 750 mil por 12 meses. Em 17 de outubro de 2022, entre os dois turnos da eleição brasileira, a própria Meedan anunciou mais US$ 5 milhões para a fase II do projeto, já chamado Co-Insights. O total documentado pela investigação do Comitê Judiciário da Câmara dos EUA é de US$ 5,75 milhões. O anúncio da fase II descreve trabalho com comunidades Asian American and Pacific Islander nos Estados Unidos e desenvolvimento de conhecimento, colaborações e software para identificar e combater desinformação; o relatório da Câmara descreve ainda propostas de mineração de dados, aprendizado de máquina, tiplines e intervenções contra desinformação.

  • FACT CHAMP: New project to increase collaboration between fact-checkers, academics, and community leaders to counter misinformation online Grant da National Science Foundation: Meedan declara que uma equipe liderada pela organização recebeu grant de 12 meses e US$ 750 mil do NSF Convergence Accelerator para FACT CHAMP/Co-Insights; o foco inicial era desinformação em comunidades Asian American and Pacific Islander e a construção/adaptação de ferramentas e infraestrutura de colaboração
  • Co·Insights wins $5m from the National Science Foundation Fase II do NSF Convergence Accelerator: Em 17 de outubro de 2022, a Meedan anunciou que o Co-Insights recebeu US$ 5 milhões da NSF para a fase II; o texto descreve parceria com comunidades Asian American and Pacific Islander nos EUA e desenvolvimento de conhecimento, colaborações e software para identificar e combater desinformação.
  • The Weaponization of the National Science Foundation Página 16 — Meedan: Co-Insights: O relatório afirma, com base em documentos da NSF e da Meedan, que a NSF destinou US$ 5,75 milhões ao projeto da Meedan no Track F; registra as mudanças de nome de FACT CHAMP para Co-Insights e descreve uso de dados e aprendizado de máquina para identificar, antecipar e responder a desinformação.
  • The Weaponization of the National Science Foundation Página 17 — proposta da fase II: O relatório reproduz apresentação da equipe do Co-Insights para a fase II adicional de US$ 5 milhões, com ferramentas de machine learning, tiplines, mineração e compartilhamento de dados e intervenções contra desinformação.

O Confirma 2022 precisa ser tratado separadamente do Co-Insights. A página da Meedan sobre a iniciativa brasileira diz que o projeto reuniu cinco redações de checagem, usou o software Check da própria Meedan e integrou um feed de verificações a um chatbot do TSE. Para esse projeto específico, a Meedan identifica o WhatsApp, da Meta, como financiador. O fato de a mesma organização ter recebido US$ 5,75 milhões da NSF para desenvolver pesquisa e tecnologia contra desinformação torna a sobreposição organizacional e tecnológica uma evidência circunstancial relevante. Mas as fontes examinadas não fornecem uma trilha financeira ligando o grant da NSF ao Confirma 2022, nem mostram que os recursos federais foram condicionados a favorecer Lula.

  • Brazil Election 2022 Funded by: WhatsApp
  • Brazil Election 2022 Confirma 2022: coalizão de cinco redações de checagem, uso do software Check da Meedan e integração de feed com chatbot do TSE; a página declara que o projeto foi apoiado por recursos do WhatsApp at Meta
  • FACT CHAMP: New project to increase collaboration between fact-checkers, academics, and community leaders to counter misinformation online Grant da National Science Foundation: Meedan declara que uma equipe liderada pela organização recebeu grant de 12 meses e US$ 750 mil do NSF Convergence Accelerator para FACT CHAMP/Co-Insights; o foco inicial era desinformação em comunidades Asian American and Pacific Islander e a construção/adaptação de ferramentas e infraestrutura de colaboração
  • Co·Insights wins $5m from the National Science Foundation Fase II do NSF Convergence Accelerator: Em 17 de outubro de 2022, a Meedan anunciou que o Co-Insights recebeu US$ 5 milhões da NSF para a fase II; o texto descreve parceria com comunidades Asian American and Pacific Islander nos EUA e desenvolvimento de conhecimento, colaborações e software para identificar e combater desinformação.
  • The Weaponization of the National Science Foundation Página 16 — Meedan: Co-Insights: O relatório afirma, com base em documentos da NSF e da Meedan, que a NSF destinou US$ 5,75 milhões ao projeto da Meedan no Track F; registra as mudanças de nome de FACT CHAMP para Co-Insights e descreve uso de dados e aprendizado de máquina para identificar, antecipar e responder a desinformação.

Uma revisão jornalística dos registros públicos do ForeignAssistance.gov sobre recursos da USAID destinados ao Brasil em 2022 e anos adjacentes não encontrou projetos eleitorais nem financiamento da campanha de Lula. Esse levantamento é útil para testar uma alegação de gasto público rastreável, mas não permite excluir atividade sigilosa, classificada ou eventual despesa fora da base consultada. Por isso, ele é uma limitação adicional, não a prova central sobre a finalidade da campanha diplomática.

Explicação

O que a apuração eleitoral mostra

A auditoria do Tribunal de Contas da União sobre boletins de urna não encontrou divergência entre os dados examinados e os resultados divulgados pela Justiça Eleitoral. O painel do TCU registrou 4.576 boletins processados, sem divergentes. Essa auditoria não mede influência diplomática ou informacional, mas enfraquece qualquer leitura da acusação que pressuponha manipulação da contagem de votos.

A missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos também descreveu o segundo turno como um processo conduzido com profissionalismo e robustez pelo TSE. Essa avaliação externa não investiga eventuais operações políticas secretas ou efeitos de moderação de conteúdo, mas corrobora que o resultado formal da eleição não apresenta, nas fontes examinadas, sinal de manipulação operacional pelos Estados Unidos.

Contexto e limites

Por que a afirmação é enganosa

A afirmação combina dois elementos de pesos diferentes. O primeiro é real: o governo Biden conduziu uma campanha coordenada e incomum para influenciar autoridades brasileiras a respeitar o processo e o resultado da eleição, e existiam programas americanos de apoio institucional a integridade eleitoral e combate à desinformação. A melhor defesa da acusação também inclui um dado financeiro relevante: a NSF destinou US$ 5,75 milhões ao FACT CHAMP/Co-Insights, liderado pela Meedan, organização cujo software Check foi usado no Confirma 2022. O segundo elemento é a finalidade partidária atribuída a tudo isso — “trazer Lula ao poder”. A melhor reconstrução independente localizada, feita pelo Financial Times com seis atuais ou ex-funcionários americanos envolvidos e figuras institucionais brasileiras, relata uma estratégia desenhada para permanecer neutra entre candidatos. E, apesar da sobreposição institucional, as fontes examinadas não rastreiam os recursos da NSF até o Confirma nem documentam ordem ou finalidade de beneficiar Lula.

Por isso, a conclusão permanece “enganosa”, e não “não resolvida”. O propósito interno nunca pode ser observado com certeza absoluta apenas por fontes públicas, mas aqui não há somente ausência de prova de uma intenção pró-Lula: há reportagem independente, baseada em múltiplos participantes da campanha, que descreve uma orientação explícita de neutralidade entre candidatos. Ao mesmo tempo, chamar a afirmação simplesmente de falsa apagaria a intervenção política real, a coordenação entre órgãos americanos e os vínculos institucionais que alimentam a melhor defesa da acusação.

A conclusão é limitada ao registro verificável. Entrevistas retrospectivas, documentos públicos e bases de gastos não podem provar a inexistência absoluta de uma operação sigilosa paralela nem revelar toda motivação subjetiva de autoridades americanas. Uma evidência documental de ordem, financiamento ou operação orientada a beneficiar Lula exigiria reavaliar o resultado.

Fontes

  1. Assista ao discurso de Flávio Bolsonaro nos EUA e leia a íntegra Documento

    Poder360 · 28/03/2026

    Alegação original

    Contribuição: Preserva a íntegra da alegação eleitoral atribuída a Flávio Bolsonaro.

    • Íntegra do discurso: trecho sobre interferência do governo Biden

    Limites: Estabelece o conteúdo e o contexto da fala atribuída a Flávio Bolsonaro, não a veracidade da acusação.

    Disponível

    Abrir fonte

  2. Exclusivo: Diretor da CIA disse em julho ao governo brasileiro que Bolsonaro deveria parar de questionar integridade das eleições Documento

    Reuters · 05/05/2022

    Evidência

    Contribuição: Documenta, por meio de três fontes, a alegação de pressão privada do governo dos EUA sobre autoridades brasileiras a respeito da integridade eleitoral.

    • Relato sobre a visita de William Burns: mensagem atribuída à delegação americana sobre questionamentos ao sistema eleitoral

    Limites: A reportagem se baseia em fontes anônimas; a CIA recusou comentar, e Jair Bolsonaro e Augusto Heleno negaram que eleições tivessem sido discutidas na visita.

    Disponível

    Abrir fonte

  3. Department Press Briefing – July 20, 2022 Documento

    U.S. Department of State · 20/07/2022

    Evidência

    Contribuição: Registra a posição oficial pública do governo Biden antes da eleição e reconhece conversas privadas com autoridades brasileiras.

    • Resposta sobre as eleições no Brasil: declarações sobre conversas privadas e públicas e expectativa de eleição livre, justa e confiável

    Limites: Uma declaração oficial descreve a posição pública do governo e não permite excluir motivações ou ações não divulgadas.

    Disponível

    Abrir fonte

  4. Department Press Briefing – October 28, 2022 Documento

    U.S. Department of State · 28/10/2022

    Evidência

    Contribuição: Mostra a formulação oficial e pública do governo Biden imediatamente antes do segundo turno, centrada na escolha dos eleitores e na integridade do processo.

    • Mensagem antes do segundo turno brasileiro: apoio ao direito democrático do povo brasileiro de escolher seu próximo líder e confiança em votação profissional e pacífica

    Limites: A fonte registra a posição pública do Executivo dos EUA e não revela eventual atividade não pública.

    Disponível

    Abrir fonte

  5. S. Res. 753 — A resolution reaffirming the United States commitment to supporting a free and fair election in Brazil Documento

    United States Senate · 28/09/2022

    Evidência

    Contribuição: Registra a posição aprovada pelo Senado dos EUA antes da eleição e sua condição de respeito a qualquer resultado considerado livre e justo.

    • Texto aprovado: apoio a eleição livre e justa, reconhecimento do resultado se validado por observadores internacionais e advertência contra ruptura antidemocrática

    Limites: É uma resolução legislativa e não uma ordem operacional do Executivo.

    Disponível

    Abrir fonte

  6. Em evento internacional, presidente do TSE reforça educação digital para combate à desinformação Documento

    Tribunal Superior Eleitoral · 07/12/2021

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Confirma um vínculo institucional concreto entre o TSE e uma iniciativa promovida por CEPPS e USAID antes da eleição.

    • Eleições e a transformação digital: evento de 7 de dezembro de 2021 promovido pelo CEPPS e pela USAID, com participação do presidente do TSE e debate sobre ameaças digitais, integridade eleitoral e processos políticos

    Limites: Fonte institucional do próprio TSE; comprova o evento e os promotores, mas não demonstra financiamento de campanha, direcionamento partidário nem valor de recursos aplicados especificamente no Brasil.

    Disponível

    Abrir fonte

  7. Audiência pública da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional — depoimento de Michael Benz Documento

    Câmara dos Deputados · 06/08/2025

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Registra a defesa pública mais detalhada localizada para a tese de que programas e organizações ligados aos EUA teriam prejudicado Bolsonaro e favorecido Lula.

    • Alegações de Michael Benz sobre USAID, CEPPS e eleição brasileira: trechos do depoimento que atribuem a programas e organizações ligados aos EUA influência em favor de Lula e contra Bolsonaro

    Limites: A transcrição comprova o que Benz alegou, não a veracidade das relações financeiras, da causalidade ou do efeito eleitoral que ele descreveu.

    Disponível

    Abrir fonte

  8. Brazil Election 2022 Documento

    Meedan

    Evidência

    Contribuição: Identifica o financiador declarado do Confirma 2022 e delimita o escopo do projeto; não é usado para negar vínculos federais americanos distintos da Meedan.

    • Funded by: WhatsApp
    • Confirma 2022: coalizão de cinco redações de checagem, uso do software Check da Meedan e integração de feed com chatbot do TSE; a página declara que o projeto foi apoiado por recursos do WhatsApp at Meta

    Limites: É uma autodescrição da organização executora; comprova o financiador declarado do projeto específico, mas não exclui outras relações institucionais ou financiamentos federais da Meedan para projetos distintos.

    Disponível

    Abrir fonte

  9. How Meta Is Preparing for Brazil’s 2022 Elections Documento

    Meta · 12/08/2022

    Contexto

    Contribuição: Contextualiza o papel de uma plataforma privada em iniciativas de integridade eleitoral e checagem.

    • Preparação para as eleições brasileiras de 2022: cooperação com TSE, checadores e ferramentas do WhatsApp

    Limites: Autodescrição corporativa; não é avaliação independente do impacto eleitoral das medidas.

    Disponível

    Abrir fonte

  10. O que a USAID financiou no Brasil durante ano eleitoral de 2022? Entenda Documento

    Estadão Verifica, republicado pelo Terra · 24/02/2025

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Testa a alegação de financiamento eleitoral da USAID contra a base pública de assistência externa dos Estados Unidos.

    • Levantamento no ForeignAssistance.gov: revisão de recursos da USAID para o Brasil e ausência de projetos eleitorais ou financiamento da campanha de Lula nos registros públicos consultados

    Limites: É uma revisão jornalística de registros públicos; não exclui atividade sigilosa, classificada ou despesa que não apareça na base consultada.

    Disponível

    Abrir fonte

  11. Integridade dos Boletins de Urna nas eleições gerais de 2022 Base de dados

    Tribunal de Contas da União

    Evidência

    Contribuição: Fornece auditoria independente de boletins de urna e não registra divergência nos boletins processados.

    • Resumo da auditoria: 4.576 boletins processados; 0 divergentes

    Limites: A auditoria examina a consistência de boletins de urna e não mede influência diplomática, campanhas de informação ou intenção de governos estrangeiros.

    Disponível

    Abrir fonte

  12. OAS Electoral Observation Mission Presents Preliminary Report on Brazil's Second Round Documento

    Organization of American States · 01/11/2022

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Oferece observação eleitoral externa sobre a administração do segundo turno.

    • Preliminary report on the second round: avaliação sobre profissionalismo e robustez da condução do processo eleitoral

    Limites: A missão observou o processo eleitoral, mas não investigou eventual operação estrangeira sigilosa ou efeitos de moderação de conteúdo.

    Disponível

    Abrir fonte

  13. EUA fizeram campanha para defender Brasil de possível golpe de Bolsonaro Documento

    Financial Times, publicado pela Folha de S.Paulo · 22/06/2023

    Evidência, Contexto

    Contribuição: É a evidência independente mais próxima da finalidade interna da atuação americana: confirma uma campanha coordenada e incomum, mas relata que ela foi concebida para ser neutra entre candidatos e proteger o processo e o resultado.

    • Reconstrução da campanha diplomática: Financial Times entrevistou seis atuais ou antigos funcionários dos EUA envolvidos e figuras institucionais brasileiras; descreve campanha coordenada e não publicizada entre Casa Branca, CIA, Departamento de Estado, Pentágono e Forças Armadas ao longo de aproximadamente um ano
    • Finalidade declarada internamente: fontes descrevem orientação de neutralidade quanto ao resultado e foco em garantir que o processo eleitoral funcionasse; Michael McKinley diz que o objetivo não era apoiar um candidato brasileiro ou outro
    • Medidas práticas e pressão: relato inclui avisos privados a militares, apoio a declarações públicas sobre integridade eleitoral e ajuda para priorizar componentes semicondutores necessários à fabricação de urnas

    Limites: É uma reconstrução retrospectiva baseada em múltiplas fontes, incluindo autoridades atuais e antigas e participantes brasileiros; descreve o desenho e as motivações relatadas da campanha, mas não pode excluir por si só uma eventual atividade sigilosa paralela com finalidade distinta.

    Disponível

    Abrir fonte

  14. Review of the Fiscal Year 2024 United States Agency for International Development Budget Documento

    United States Senate / GovInfo

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Demonstra que a relação USAID-CEPPS é programática e financeira em nível global, permitindo distinguir esse vínculo de um suposto financiamento partidário no Brasil.

    • USAID Democratic Elections and Political Processes award: em resposta ao Senado, a USAID afirma que a solicitação global do programa Democratic Elections and Political Processes de 2021 resultou no CEPPS como único candidato qualificado e contratado; o consórcio inclui IFES, IRI e NDI, além de parceiros técnicos

    Limites: O registro descreve o mecanismo global de financiamento e a relação formal entre USAID e CEPPS; não identifica, nesse trecho, uma transferência específica para o TSE, para a campanha brasileira de 2022 ou para um candidato.

    Disponível

    Abrir fonte

  15. FACT CHAMP: New project to increase collaboration between fact-checkers, academics, and community leaders to counter misinformation online Documento

    Meedan · 20/04/2022

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Confirma que a Meedan recebeu financiamento federal americano separado para pesquisa e ferramentas contra desinformação antes da eleição brasileira, sem estabelecer que esse dinheiro financiou o Confirma 2022.

    • Grant da National Science Foundation: Meedan declara que uma equipe liderada pela organização recebeu grant de 12 meses e US$ 750 mil do NSF Convergence Accelerator para FACT CHAMP/Co-Insights; o foco inicial era desinformação em comunidades Asian American and Pacific Islander e a construção/adaptação de ferramentas e infraestrutura de colaboração

    Limites: É uma divulgação da beneficiária e descreve um projeto federal distinto do Confirma 2022; não afirma que recursos da NSF financiaram o Confirma, o TSE ou ações eleitorais no Brasil.

    Disponível

    Abrir fonte

  16. NSF invests $21 million to tackle 2 complex societal challenges: the networked blue economy, and trust and authenticity in communication systems Documento

    U.S. National Science Foundation · 22/09/2021

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Corrobora em fonte federal americana a existência do financiamento da NSF à iniciativa liderada pela Meedan.

    • 2021 Convergence Accelerator cohort: NSF lista FACT-CHAMP, liderado pela Meedan, entre os projetos selecionados para a primeira fase do eixo Trust & Authenticity in Communication Systems

    Limites: A página oficial confirma a seleção federal do projeto, mas não liga o grant a iniciativas eleitorais brasileiras nem ao Confirma 2022.

    Disponível

    Abrir fonte

  17. Co·Insights wins $5m from the National Science Foundation Documento

    Meedan · 17/10/2022

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Documenta os US$ 5 milhões adicionais da fase II e o escopo declarado do Co-Insights.

    • Fase II do NSF Convergence Accelerator: Em 17 de outubro de 2022, a Meedan anunciou que o Co-Insights recebeu US$ 5 milhões da NSF para a fase II; o texto descreve parceria com comunidades Asian American and Pacific Islander nos EUA e desenvolvimento de conhecimento, colaborações e software para identificar e combater desinformação.

    Limites: É uma divulgação da organização beneficiária; comprova o valor anunciado e o escopo declarado do projeto, mas não estabelece como cada dólar foi gasto.; A página não liga a fase II ao Confirma 2022, ao TSE ou a uma finalidade partidária na eleição brasileira.

    Disponível

    Abrir fonte

  18. The Weaponization of the National Science Foundation Documento

    U.S. House Committee on the Judiciary · 05/02/2024

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Corrobora o total de US$ 5,75 milhões e documenta a escala e as ferramentas propostas no Co-Insights.

    • Página 16 — Meedan: Co-Insights: O relatório afirma, com base em documentos da NSF e da Meedan, que a NSF destinou US$ 5,75 milhões ao projeto da Meedan no Track F; registra as mudanças de nome de FACT CHAMP para Co-Insights e descreve uso de dados e aprendizado de máquina para identificar, antecipar e responder a desinformação.
    • Página 17 — proposta da fase II: O relatório reproduz apresentação da equipe do Co-Insights para a fase II adicional de US$ 5 milhões, com ferramentas de machine learning, tiplines, mineração e compartilhamento de dados e intervenções contra desinformação.

    Limites: É um relatório de staff da maioria republicana do Comitê Judiciário, com enquadramento político explícito sobre 'censura'; a checagem usa o documento para fatos sobre valor, cronologia e materiais obtidos, não adota suas conclusões normativas.; Os trechos usados não demonstram destinação à eleição brasileira ou orientação pró-Lula.

    Disponível

    Abrir fonte

Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

Metodologia e significado dos achados · Solicitar correção

Encontrou um erro?

Indique o ponto que precisa ser revisto e, se possível, a evidência que sustenta a solicitação. O envio fica privado até análise.

Aponte o trecho, dado ou conclusão que você acredita estar incorreto ou incompleto.

Se possível, inclua links, documentos ou referências que sustentem a solicitação.

Não será publicado. Podemos usá-lo apenas se precisarmos esclarecer esta solicitação.