Atlas da Mentira · checagem verificável

Dívida de Minas é majoritariamente anterior a Zema; aumento em sua gestão decorre de obrigações herdadas

Enganoso.

A maior parte dos contratos e passivos que formam a dívida mineira é anterior ao governo Zema, e Minas tinha forte restrição a novas operações de crédito. Isso, porém, não torna irrelevante o que ocorreu durante sua gestão. O estoque passou de R$ 113,46 bilhões no fim de 2018 para R$ 205,95 bilhões em dezembro de 2025, alta nominal de cerca de 81,5%. Parte importante desse crescimento decorreu de juros, atualização e da incorporação ao saldo de parcelas antigas que ficaram suspensas ou foram pagas de forma reduzida em renegociações. Dizer apenas que a dívida foi “toda feita no passado” omite essa acumulação ocorrida durante o governo.

Qualificações importantes

Crescimento do estoque não significa contratação equivalente de novos empréstimos. Relatório oficial da Fazenda registrou que, entre 2018 e 2022, o Estado estava impedido de contratar novas operações de crédito e recebeu pouco mais de R$ 23 milhões relativos a um contrato de 2013.

A suspensão de pagamentos da dívida com a União começou em 2018, antes da posse de Zema. Durante sua gestão, porém, parcelas não pagas foram refinanciadas e novas reduções e prorrogações de pagamentos foram obtidas no processo de recuperação fiscal.

  • Nota Técnica nº 6/SEF/STE-SCGOV-DCGD/2024 — Serviço da Dívida Dados históricos: O contrato 283/2022/CAF englobou parcelas administradas pela STN e de contratos garantidos pela União não pagas até 30/6/2022; registros relativos às parcelas não pagas desde 2018 até junho de 2022 foram reorganizados no refinanciamento.
  • Nota Técnica nº 6/SEF/STE-SCGOV-DCGD/2024 — Serviço da Dívida Regime de Recuperação Fiscal: A nota registra redução extraordinária das prestações, prorrogações e retomada progressiva; em abril de 2024, o refinanciamento acumulava R$ 14,36 bilhões entre valores honrados pela União e não pagos ao Estado, atualizados por encargos contratuais.

A alta de 81,5% compara valores nominais em reais correntes. Ela mede a expansão do saldo contabilizado, não o aumento real descontado pela inflação e não deve ser interpretada como R$ 92,49 bilhões de dinheiro novo tomado emprestado.

O que foi checado

A dívida pública de Minas Gerais foi essencialmente contraída antes do governo de Romeu Zema, de modo que o aumento observado em sua gestão decorreria de obrigações herdadas.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Romeu Zema · Atribuição verificada
Função na época
candidato à Presidência
Data da declaração
24/08/2026
Contexto
Entrevista ao Jornal Nacional.

Como a proposição foi normalizada: A fala original usa a formulação absoluta de que a dívida foi “toda feita no passado”. A checagem separa duas questões: a origem dos contratos e passivos, majoritariamente anteriores a Zema, e o crescimento do estoque durante sua gestão, que também refletiu juros, atualização e incorporação de parcelas não pagas ou pagas de forma reduzida.

A dívida de Minas, ela foi toda feita no passado.

Contexto original

O que Zema disse

Na entrevista ao Jornal Nacional de 24 de agosto de 2026, Romeu Zema foi questionado sobre o crescimento da dívida de Minas Gerais durante seu governo. Ao responder, afirmou que o débito teria sido integralmente criado antes de sua gestão e, em seguida, atribuiu sua expansão à dívida herdada e aos encargos cobrados pela União.

A dívida de Minas, ela foi toda feita no passado.

Explicação

O principal tem origem anterior ao governo Zema

Antes de Zema assumir, o Estado já carregava um estoque elevado. O relatório de sustentabilidade da dívida da Secretaria de Fazenda registra R$ 113,46 bilhões no fim de 2018. Outro relatório oficial informa que, de 2018 a 2022, Minas estava impedida de recorrer ao mercado para contratar novas operações de crédito; os pouco mais de R$ 23 milhões que ingressaram nesse período estavam ligados a um contrato firmado em 2013.

Explicação

Mesmo sem novos empréstimos equivalentes, o saldo aumentou durante a gestão

No fechamento de dezembro de 2025, ainda durante o governo Zema, o boletim mensal da Fazenda registrou estoque de R$ 205,95 bilhões. Quase nove décimos estavam ligados à União ou ao indexador usado nos contratos de refinanciamento.

Calcular a variação nominal do estoque da dívida entre o fim de 2018 e o fim de 2025.

EntradaValorCobertura
Estoque da dívida em 2018 113.45973731018 bilhões de reais · Minas Gerais
Estoque da dívida em dezembro de 2025 205.95310 bilhões de reais · Minas Gerais

Operação: Subtrair 113,459737 de 205,95310 para obter a variação absoluta; dividir essa diferença por 113,459737 e multiplicar por 100.

Resultado: 81.52 percentual — Aumento nominal do estoque da dívida entre o fim de 2018 e o fim de 2025; diferença absoluta aproximada de R$ 92,49 bilhões.

Comparabilidade: Os dois valores são estoques nominais da dívida pública estadual em reais correntes, medidos no fechamento dos anos.

A diferença nominal entre o fim de 2018 e o fim de 2025 é de cerca de R$ 92,49 bilhões, ou 81,5%. Esse aumento não equivale a novas captações: o saldo de uma dívida antiga pode crescer por atualização monetária, juros, câmbio, refinanciamentos e incorporação de parcelas não pagas.

Explicação

Parcelas suspensas e pagamentos reduzidos também ampliaram o saldo

A suspensão do serviço da dívida começou em 2018, antes de Zema. Já em sua gestão, a Fazenda registrou que um refinanciamento de 2022 englobou parcelas administradas pelo Tesouro Nacional e dívidas garantidas pela União que não haviam sido pagas até junho daquele ano. O próprio Estado informa que retomou pagamentos à União em julho de 2022.

  • Nota Técnica nº 6/SEF/STE-SCGOV-DCGD/2024 — Serviço da Dívida Dados históricos: O contrato 283/2022/CAF englobou parcelas administradas pela STN e de contratos garantidos pela União não pagas até 30/6/2022; registros relativos às parcelas não pagas desde 2018 até junho de 2022 foram reorganizados no refinanciamento.
  • Boletim Mensal da Dívida Pública Estadual — Dezembro de 2025 Pagamentos efetuados à União: O Estado retomou pagamentos à União em julho de 2022 após refinanciamento e desistência das ACOs que suspenderam, entre 2018 e 2022, parcelas de dívidas administradas pela STN e garantidas pela União; saldos foram posteriormente incorporados ao refinanciamento.

Depois, o Regime de Recuperação Fiscal permitiu reduções extraordinárias nas prestações. Nota técnica da Fazenda registra períodos de suspensão integral e retomada progressiva e informa que, em abril de 2024, o contrato de refinanciamento já acumulava R$ 14,36 bilhões entre valores honrados pela União e não pagos pelo Estado, atualizados pelos encargos contratuais. Esses mecanismos tratavam dívidas antigas, mas fizeram parte da evolução do saldo durante a gestão Zema.

  • Nota Técnica nº 6/SEF/STE-SCGOV-DCGD/2024 — Serviço da Dívida Regime de Recuperação Fiscal: A nota registra redução extraordinária das prestações, prorrogações e retomada progressiva; em abril de 2024, o refinanciamento acumulava R$ 14,36 bilhões entre valores honrados pela União e não pagos ao Estado, atualizados por encargos contratuais.

Contexto e limites

A origem herdada não torna o crescimento irrelevante

A defesa mais forte da fala de Zema é correta em um ponto central: o problema fiscal e os principais contratos da dívida antecedem seu governo, e o crescimento do estoque não significa que sua gestão tenha tomado valor equivalente em novos empréstimos. O exagero está em apresentar a dívida como algo inteiramente do passado ao explicar por que ela cresceu. Durante seu mandato, o saldo continuou acumulando encargos e recebeu parcelas não pagas ou parcialmente pagas por decisões e renegociações que produziram efeitos no próprio período.

Fontes

  1. Jornal Nacional — Edição de 24/08/2026 Gravação

    TV Globo / Globoplay · 24/08/2026

    Alegação original

    Contribuição: Estabelece o programa original e a data da entrevista.

    • Programa de 24/08/2026: Edição do Jornal Nacional de 24 de agosto de 2026, com 28 minutos e closed caption disponível; a página identifica o programa que contém a entrevista de Romeu Zema.

    Limites: A página do Globoplay identifica a edição, mas o trecho exato da declaração não foi isolado na interface textual consultada; a formulação é preservada por registro contemporâneo da Lupa.

    Disponível

    Abrir fonte

  2. No JN, Zema erra ao falar sobre lei penal e feminicídios em Minas Gerais Documento

    Agência Lupa · 24/08/2026

    Contexto

    Contribuição: Preserva contemporaneamente a formulação exata e o contexto causal da declaração.

    • Dívida de Minas: Preserva a fala “A dívida de Minas, ela foi toda feita no passado” e a sequência em que Zema diz que a dívida foi herdada dos anos 1990 e cresceu com juros do governo federal.

    Limites: É uma fonte secundária de checagem; os valores e mecanismos da dívida usados na conclusão foram rechecados em documentos oficiais da Fazenda mineira.

    Disponível

    Abrir fonte

  3. Relatório de Sustentabilidade do Endividamento — 2019 Base de dados

    Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais

    Evidência

    Contribuição: Fornece a linha de base do estoque da dívida imediatamente anterior à posse de Zema.

    • Evolução do estoque da dívida: Estoque da dívida a preços correntes: R$ 113.459.737.310,18 em 2018 e R$ 123.365.577.467,97 em 2019.

    Limites: Os valores são nominais e não descontam inflação.

    Disponível

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  4. Relatório Anual de Sustentabilidade do Endividamento — 2022 Documento

    Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais

    Evidência

    Contribuição: Sustenta que o crescimento inicial do estoque na gestão Zema não decorreu de volume equivalente de novos empréstimos.

    • Receita de Operações de Crédito: O relatório registra que o Estado esteve impedido de contratar novas operações de crédito e que, desde 2018, ingressaram pouco mais de R$ 23 milhões vinculados a contrato de 2013 para obras em Contagem.

    Limites: A afirmação cobre 2018 a 2022; não é, sozinha, uma demonstração de ausência absoluta de qualquer operação de crédito em todos os anos posteriores.

    Disponível

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  5. Nota Técnica nº 6/SEF/STE-SCGOV-DCGD/2024 — Serviço da Dívida Documento

    Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais

    Evidência

    Contribuição: Explica como parcelas suspensas ou reduzidas permaneceram como obrigações e foram incorporadas a refinanciamentos durante a gestão.

    • Dados históricos: O contrato 283/2022/CAF englobou parcelas administradas pela STN e de contratos garantidos pela União não pagas até 30/6/2022; registros relativos às parcelas não pagas desde 2018 até junho de 2022 foram reorganizados no refinanciamento.
    • Regime de Recuperação Fiscal: A nota registra redução extraordinária das prestações, prorrogações e retomada progressiva; em abril de 2024, o refinanciamento acumulava R$ 14,36 bilhões entre valores honrados pela União e não pagos ao Estado, atualizados por encargos contratuais.

    Limites: Parte da suspensão dos pagamentos começou em 2018, antes de Zema; a nota é usada para descrever a mecânica de acumulação e refinanciamento, não para atribuir toda a origem do passivo a decisões de sua gestão.

    Disponível

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  6. Boletim Mensal da Dívida Pública Estadual — Dezembro de 2025 Base de dados

    Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais · 12/2025

    Evidência

    Contribuição: Fornece o estoque de fim de 2025 e resume o histórico de retomada e incorporação de saldos de parcelas suspensas.

    • Estoque da dívida — dezembro de 2025: Estoque total de R$ 205.953,10 milhões em dezembro de 2025; 88,44% do estoque era vinculado à União no gráfico por credor.
    • Pagamentos efetuados à União: O Estado retomou pagamentos à União em julho de 2022 após refinanciamento e desistência das ACOs que suspenderam, entre 2018 e 2022, parcelas de dívidas administradas pela STN e garantidas pela União; saldos foram posteriormente incorporados ao refinanciamento.

    Limites: Os valores são nominais e o boletim retrata o estoque, não uma medida de causalidade sobre decisões de governo.

    Disponível

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Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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