Atlas da Mentira · checagem verificável

R$ 100 mil de sua campanha e R$ 55 milhões de Flávio e R$ 65 milhões de Lula seriam gastos comparáveis de promoção digital

É enganosa a comparação feita por Augusto Cury entre cerca de R$ 100 mil de sua campanha e R$ 55 milhões de Flávio Bolsonaro e R$ 65 milhões de Lula no contexto de promoção digital.

Os valores de aproximadamente R$ 55 milhões e R$ 65 milhões correspondiam ao gasto total declarado pelas campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula, não à rubrica de impulsionamento. Nas capturas do DivulgaCandContas feitas em 16 de setembro, Lula tinha cerca de R$ 65,7 milhões em despesas totais e R$ 2,69 milhões em impulsionamento; Flávio, cerca de R$ 55,7 milhões no total e R$ 900 mil em impulsionamento. A campanha de Cury declarava cerca de R$ 265 mil no total e R$ 120 mil em impulsionamento. Assim, a fala põe lado a lado o gasto digital de Cury e o gasto total dos rivais. Se a intenção era mencionar apenas o custo total das campanhas adversárias, os dois números estavam aproximadamente corretos, mas essa leitura não torna válida a comparação feita na resposta sobre promoção paga.

Qualificações importantes

A transcrição consultada do episódio não registra Cury dizendo literalmente que os R$ 55 milhões e R$ 65 milhões eram gastos de “impulsionamento”. O problema factual está na comparação contextual: ele apresentou esses montantes ao responder sobre promoção paga de sua própria candidatura. Por isso, a checagem classifica a impressão criada pela comparação, e não atribui ao candidato uma frase literal inexistente.

As prestações de campanha são atualizadas ao longo do período eleitoral. Os valores centrais desta checagem são os que estavam preservados em capturas do DivulgaCandContas no próprio dia 16 de setembro. Atualizações posteriores alteram os totais, mas não transformam gasto total de campanha em gasto de impulsionamento.

A biblioteca de anúncios da Meta e a rubrica eleitoral “impulsionamento de conteúdos” do TSE não têm exatamente o mesmo escopo. A Meta mede anúncios em suas próprias plataformas; a regra eleitoral também abrange impulsionamento contratado com provedores de aplicação e priorização paga em buscas. Por isso, os números dessas duas fontes servem para corroborar a ordem de grandeza, mas não devem ser somados ou tratados como equivalentes.

O que foi checado

Ao responder sobre possível pagamento para promover sua candidatura nas redes, Augusto Cury comparou os cerca de R$ 100 mil que disse ter investido com aproximadamente R$ 55 milhões de Flávio Bolsonaro e R$ 65 milhões de Lula, dando a entender que os valores mediam gastos comparáveis de promoção ou impulsionamento.

Forma
Implícita
Atribuição
Augusto Cury · Atribuição verificada
Função na época
candidato à Presidência da República pelo Avante
Data da declaração
16/09/2026
Contexto
Entrevista de Augusto Cury ao Flow News, após pergunta sobre suspeitas de crescimento artificial nas redes e eventual pagamento a influenciadores.

Como a proposição foi normalizada: Na entrevista, Cury não diz literalmente que Lula e Flávio Bolsonaro gastaram R$ 65 milhões e R$ 55 milhões “em impulsionamento”. Ele cita os valores logo após ser questionado sobre pagamento a influenciadores, contrapõe-os aos cerca de R$ 100 mil que atribui à própria campanha e em seguida chama as campanhas adversárias de “multimilionárias”. A checagem testa a impressão de comparabilidade criada por essa justaposição. A leitura favorável — de que ele queria apenas citar o gasto total dos rivais — é examinada separadamente.

nós investimos cerca... em torno de R$100 mil... Flávio Bolsonaro... R$55 milhões... Lula... R$60, R$65 milhões

Contexto original

A comparação surgiu numa resposta sobre promoção paga

Perto do fim da entrevista ao Flow, Igor 3K leu uma pergunta sobre suspeitas de que o crescimento de Cury nas redes teria sido artificial e sobre eventual pagamento a influenciadores. Cury respondeu que sua campanha havia investido em torno de R$ 100 mil, citou em seguida cerca de R$ 55 milhões para Flávio Bolsonaro e R$ 60 milhões a R$ 65 milhões para Lula, e afirmou que as campanhas dos rivais eram multimilionárias. Na sequência, atribuiu seu próprio alcance a milhares de pessoas que publicavam e impulsionavam conteúdo espontaneamente.

Esse encadeamento cria uma comparação entre o investimento que Cury apresenta como resposta à promoção paga e os números dos adversários. Ao mesmo tempo, ele não repete uma categoria contábil ao citar Lula e Flávio e usa a expressão “campanha multimilionária”. A leitura mais favorável, portanto, é que os R$ 55 milhões e R$ 65 milhões seriam apenas o gasto total das campanhas. A checagem preserva essa possibilidade.

Explicação

Os R$ 55 milhões e R$ 65 milhões eram totais de campanha

Uma captura do DivulgaCandContas feita em 16 de setembro mostra Lula com cerca de R$ 65,7 milhões em despesas totais. Na mesma tela, a rubrica “despesa com impulsionamento de conteúdos” somava R$ 2,69 milhões. Ou seja, o número citado por Cury se aproxima do total da campanha, não do gasto de impulsionamento.

A captura equivalente de Flávio Bolsonaro registrava cerca de R$ 55,7 milhões em despesas totais e R$ 900 mil na rubrica de impulsionamento. Também neste caso, os R$ 55 milhões citados na entrevista correspondem aproximadamente ao total gasto pela campanha, não à promoção paga de conteúdo.

Já a campanha de Cury aparecia com cerca de R$ 265,2 mil em despesas totais e R$ 120 mil em impulsionamento. O valor de “R$ 100 mil” mencionado pelo candidato, portanto, estava próximo da sua despesa declarada nessa rubrica específica, mas não do custo total da própria campanha.

Explicação

Impulsionamento é uma categoria específica de gasto eleitoral

A regulamentação do TSE trata o impulsionamento como uma categoria específica de gasto eleitoral: inclui custos de conteúdos contratados diretamente com provedores de aplicação de internet e também a priorização paga em resultados de busca. Ela não se confunde com despesas gerais de marketing, eventos, serviços de terceiros, viagens ou outras rubricas que entram no total de uma campanha.

Um levantamento independente da CNN publicado quatro dias depois reforça a diferença de escala. Com dados do TSE, a reportagem registrou aproximadamente R$ 65,7 milhões em gastos totais de Lula e R$ 56,2 milhões de Flávio; ao olhar apenas anúncios nas plataformas da Meta entre 16 de agosto e 16 de setembro, encontrou cerca de R$ 3 milhões para Lula e R$ 620 mil para Flávio. O recorte da Meta não é idêntico ao do TSE, mas também fica muito distante de R$ 65 milhões e R$ 55 milhões em impulsionamento.

Contexto e limites

Por que a comparação é enganosa

A melhor defesa de Cury é que ele apenas citou os custos totais das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro. Nessa leitura, os dois valores estavam aproximadamente corretos. O problema é que a resposta partiu de uma pergunta sobre promoção paga e contrapôs o investimento de cerca de R$ 100 mil de Cury — próximo ao seu gasto de impulsionamento — aos totais gerais dos adversários. Isso cria uma falsa equivalência entre categorias diferentes e exagera em dezenas de vezes a distância entre as campanhas quando o assunto é impulsionamento. Por esse motivo, a comparação é enganosa, e não simplesmente falsa.

Fontes

  1. AUGUSTO CURY - Flow News #070 Gravação

    Flow Podcast · 16/09/2026

    Alegação original

    Contribuição: É a gravação original da entrevista em que Cury fez a comparação.

    • Trecho sobre pagamento a influenciadores e gastos de campanha: 1:26:31–1:29:02; minutagem identificada a partir das transcrições preservadas.

    Limites: A URL original foi identificada, mas o vídeo do YouTube não pôde ser carregado nesta execução por limitação de acesso. O trecho foi conferido em transcrição automatizada do episódio e em preservação jornalística contemporânea.

    Indisponível — A página do vídeo original retornou bloqueio temporário de acesso nesta execução.

    Abrir fonte

  2. AUGUSTO CURY - Flow News #070 — transcrição do episódio Documento

    Castnews Index · 16/09/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Preserva o encadeamento completo da pergunta sobre pagamento a influenciadores e da resposta em que Cury cita aproximadamente R$ 100 mil, R$ 55 milhões e R$ 60–65 milhões.

    • Pergunta sobre promoção paga e resposta de Cury: 1:26:31–1:29:02

    Limites: A transcrição é automatizada, identificada pelo site como gerada por AssemblyAI, e não substitui a conferência direta do áudio original, que não ficou acessível nesta execução.

    Disponível

    Abrir fonte

  3. No Flow, Cury erra sobre pesquisas eleitorais, economia e gastos de campanha Documento

    Agência Lupa · 16/09/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Oferece uma preservação contemporânea adicional da fala e disponibiliza as capturas do DivulgaCandContas usadas para conferir as categorias de despesa.

    • Trecho sobre gastos de campanha e impulsionamento: Seção que preserva a comparação feita por Cury e aponta para capturas do DivulgaCandContas.

    Limites: É uma checagem de terceiros. Seu veredito não é tratado como evidência; esta apuração usa apenas a preservação da fala e os registros subjacentes que ela disponibilizou.

    Disponível

    Abrir fonte

  4. Captura do DivulgaCandContas — despesas de Lula em 16 de setembro de 2026 Documento

    Agência Lupa

    Evidência

    Contribuição: Preserva, no próprio dia da fala, a tela do sistema oficial do TSE com o total de despesas da campanha de Lula e a rubrica específica de impulsionamento.

    • Concentração de despesas de Lula: p. 1: total de cerca de R$ 65,7 milhões e R$ 2,69 milhões em despesa com impulsionamento de conteúdos.

    Limites: É uma captura de tela do DivulgaCandContas preservada pela Agência Lupa, não uma exportação direta do banco de dados do TSE.; Os dados eleitorais podem receber atualizações posteriores.

    Disponível

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  5. Captura do DivulgaCandContas — despesas de Flávio Bolsonaro em 16 de setembro de 2026 Imagem

    Agência Lupa

    Evidência

    Contribuição: Preserva, no próprio dia da fala, a tela do sistema oficial do TSE com o total de despesas da campanha de Flávio Bolsonaro e a rubrica específica de impulsionamento.

    • Concentração de despesas de Flávio Bolsonaro: Imagem única: total de cerca de R$ 55,7 milhões e R$ 900 mil em despesa com impulsionamento de conteúdos.

    Limites: É uma captura de tela do DivulgaCandContas preservada pela Agência Lupa, não uma exportação direta do banco de dados do TSE.; Os dados eleitorais podem receber atualizações posteriores.

    Disponível

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  6. Captura do DivulgaCandContas — despesas de Augusto Cury em 16 de setembro de 2026 Documento

    Agência Lupa

    Evidência

    Contribuição: Permite comparar a cifra de aproximadamente R$ 100 mil citada por Cury com sua própria rubrica de impulsionamento e com o total de sua campanha.

    • Concentração de despesas de Augusto Cury: p. 1: cerca de R$ 265,2 mil em despesas totais e R$ 120 mil em despesa com impulsionamento de conteúdos.

    Limites: É uma captura de tela do DivulgaCandContas preservada pela Agência Lupa, não uma exportação direta do banco de dados do TSE.; Os dados eleitorais podem receber atualizações posteriores.

    Disponível

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  7. Resolução TSE nº 23.607/2019, com alterações aplicáveis às Eleições 2026 Documento

    Tribunal Superior Eleitoral

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Define o que a legislação eleitoral trata como gasto de impulsionamento e mostra que essa rubrica é distinta do total de despesas de campanha.

    • Art. 35, XII e §§ 1º e 2º: Definição dos gastos eleitorais com criação ou inclusão de páginas e impulsionamento de conteúdos, incluindo priorização paga em buscas.

    Disponível

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  8. TSE disponibiliza dados da prestação de contas parcial das campanhas eleitorais Documento

    Tribunal Superior Eleitoral · 15/09/2026

    Contexto

    Contribuição: Confirma que o DivulgaCandContas é a ferramenta oficial de consulta pública às despesas declaradas pelas candidaturas.

    • DivulgaCandContas e dados de prestação parcial: Trechos que explicam a divulgação pública de receitas e despesas e a disponibilidade dos dados no DivulgaCandContas.

    Disponível

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  9. Em 1 mês de campanha, presidenciáveis desembolsaram, juntos, R$ 153 milhões Documento

    CNN Brasil · 20/09/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Corrobora independentemente que os valores de R$ 65 milhões e R$ 55 milhões eram da ordem do gasto total das campanhas, enquanto o impulsionamento em redes da Meta estava em escala muito menor.

    • Gastos totais após um mês de campanha: Trechos com os totais declarados ao TSE: cerca de R$ 65,7 milhões para Lula e R$ 56,2 milhões para Flávio Bolsonaro.
    • Impulsionamento nas redes da Meta: Levantamento de 16 de agosto a 16 de setembro: cerca de R$ 2,974 milhões para Lula e R$ 619,9 mil para Flávio Bolsonaro.

    Limites: A reportagem foi publicada quatro dias após a fala e usa dados que já podiam ter sido atualizados.; O levantamento de anúncios cobre plataformas da Meta e não é idêntico à rubrica contábil de impulsionamento do TSE.

    Disponível

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Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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