Atlas da Mentira · checagem verificável

Minas tinha 118 estatais; só a Cemig permaneceu após vendas da gestão Zema

É falsa a afirmação de que Minas tinha 118 estatais e que, após as vendas da gestão Zema, só restou a Cemig.

O número 118 mistura empresas com participações societárias e outros desinvestimentos; não corresponde ao número oficial de empresas controladas pelo Estado. No orçamento de 2019, o Estado listava 15 empresas controladas no orçamento de investimento, e a proposta orçamentária para 2026, enviada pelo próprio governo Zema, ainda listava 15. A Copasa foi de fato privatizada em junho de 2026, mas outras estatais continuaram existindo: a Codemig permanecia controlada em 95% pelo Estado e a MGS seguia se apresentando em maio de 2026 como empresa pública do Governo de Minas, além de companhias como Codemge, BDMG, Prodemge e MGI constarem entre as controladas no orçamento de 2026. Em declaração posterior, o próprio Zema reformulou a conta como venda de 'participações e empresa', citando participações minoritárias como Helibras e Companhia Brasileira de Lítio.

Qualificações importantes

A Copasa deixou de ser controlada pelo Estado antes da fala de 8 de julho: a desestatização foi concluída em 16 de junho de 2026. Portanto, ela não deve ser contada entre as estatais remanescentes naquele dia.

Não foi localizado um inventário público que reproduza, item por item, 118 empresas estatais mineiras. Em agosto de 2026, Zema descreveu o universo como 'participações e empresa' e citou ativos em que o Estado tinha participação minoritária, o que mostra que a conta não era composta apenas por estatais controladas.

As tabelas orçamentárias não são um cadastro exaustivo de todas as entidades da administração indireta: elas tratam do orçamento de investimento das empresas controladas e não incluem, por exemplo, todas as estatais dependentes do Tesouro. Ainda assim, são suficientes para mostrar que o universo oficial de empresas controladas era muito diferente de 118 e que várias continuavam sob controle estadual.

O que foi checado

Minas Gerais tinha 118 estatais e, após as desestatizações e vendas realizadas durante a gestão de Romeu Zema, só a Cemig permaneceu estatal.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Romeu Zema · Atribuição verificada
Função na época
ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência
Data da declaração
08/07/2026
Contexto
Evento da Confederação Nacional do Comércio em Brasília.

Como a proposição foi normalizada: A formulação preserva a leitura factual comunicada no contexto da fala: 118 seria o número de estatais mineiras e a Cemig seria a única que teria permanecido sob controle público. A checagem distingue empresas controladas pelo Estado de participações societárias minoritárias e outros ativos desinvestidos.

Lá em Minas eram 118 [estatais]. Sobrou só uma, a Cemig.

Contexto original

O que Zema afirmou

Em evento da Confederação Nacional do Comércio em Brasília, em 8 de julho de 2026, Romeu Zema defendeu privatizações e afirmou: “Lá em Minas eram 118 [estatais]. Sobrou só uma, a Cemig”. A frase apresenta dois pontos verificáveis: o tamanho do universo inicial e a ideia de que apenas a companhia de energia teria permanecido estatal.

Explicação

O orçamento de 2019 não mostra 118 empresas controladas

Na proposta orçamentária para 2019, primeiro ano da gestão Zema, a Assembleia Legislativa relacionou 15 empresas no orçamento de investimento das controladas pelo Estado. Entre elas estavam Cemig e subsidiárias, Copasa, Gasmig, Prodemge, Codemge, BDMG, Cohab, MGI, MGS, Codemig e Metrominas. Esse quadro não inclui todas as estatais dependentes do Tesouro, mas mostra que 118 não era a contagem oficial de empresas controladas usada no orçamento estadual.

Explicação

Várias empresas continuavam controladas pelo Estado

Na proposta do orçamento de 2026, assinada pelo governo Zema em 2025, a lista do orçamento de investimento ainda continha 15 empresas controladas, entre elas Prodemge, Codemge, BDMG, MGI, MGS, Cohab, Codemig e Metrominas, além do grupo Cemig e, naquele momento, Copasa e Copanor. Isso contradiz a ideia de que a gestão havia reduzido todo o conjunto a uma única estatal.

Há confirmações contemporâneas de que outras empresas permaneceram públicas. A Codemig informa que, após reorganização societária de novembro de 2025, o Estado passou a controlar 95% de suas ações. Em maio de 2026, a MGS ainda se identificava como “empresa pública do Governo de Minas Gerais”. Assim, mesmo descontando empresas cuja situação mudou depois da elaboração do orçamento, a Cemig não era a única estatal remanescente.

Contexto e limites

A Copasa já havia sido privatizada

Uma mudança importante ocorreu pouco antes da fala: o Governo de Minas concluiu a desestatização da Copasa em 16 de junho de 2026. Por isso, a companhia não deve ser usada como exemplo de estatal ainda controlada em 8 de julho. A exclusão da Copasa, porém, não altera o resultado, porque outras empresas continuavam sob controle estadual.

Explicação

O número 118 inclui participações, não apenas estatais

Em entrevista posterior, em 25 de agosto, Zema apresentou uma formulação mais precisa: disse que vendeu “entre participações e a empresa, 118” e citou a Light, a Helibras e a Companhia Brasileira de Lítio como exemplos de ativos nos quais o Estado tinha participação. A fala posterior não prova, por si só, que foram exatamente 118 operações, mas esclarece que o universo citado por ele era mais amplo do que empresas estatais controladas.

Método

Por que a afirmação é falsa

A gestão Zema realizou desinvestimentos relevantes e a Copasa acabou privatizada, mas a frase transforma um conjunto de empresas, participações minoritárias e outros ativos em “118 estatais” e afirma que somente a Cemig permaneceu pública. Os registros oficiais mostram que outras empresas continuaram controladas pelo Estado. Por isso, a formulação categórica é falsa.

Fontes

  1. “Estatal é só para fazer politicagem”, diz Zema ao propor “privatizar tudo” Documento

    CNN Brasil · 08/07/2026

    Alegação original

    Contribuição: Preserva a afirmação original e seu contexto.

    • Declaração de Zema: trecho 'Lá em Minas eram 118... Sobrou só uma, a Cemig'

    Limites: O termo 'estatais' aparece entre colchetes na reprodução da CNN, como explicitação editorial do referente de '118'.

    Disponível

    Abrir fonte

  2. PL 5.406/2018 — parecer sobre a LOA 2019 Documento

    Assembleia Legislativa de Minas Gerais · 2018

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Mostra o conjunto de 15 empresas controladas incluídas no orçamento de investimento de 2019, início da gestão Zema.

    • Tabela 16 — Investimentos das Empresas Controladas por Fonte de Recursos: linhas 426-446 da versão HTML

    Limites: O orçamento de investimento não inclui todas as empresas estatais dependentes do Tesouro e, portanto, não é um cadastro exaustivo de toda a administração indireta.

    Disponível

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  3. PL 4.527/2025 — parecer sobre a LOA 2026 Documento

    Assembleia Legislativa de Minas Gerais · 2025

    Evidência

    Contribuição: Mostra que a proposta orçamentária para 2026 ainda listava 15 empresas controladas, várias sem relação societária com a Cemig.

    • Tabela 15 — Investimentos das Empresas Controladas: linhas 329-350 da versão HTML

    Limites: A tabela retrata a situação considerada na elaboração do orçamento; a Copasa foi privatizada posteriormente, em junho de 2026.

    Disponível

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  4. Governo de Minas conclui processo de desestatização da Copasa e abre novo ciclo para o saneamento Documento

    Agência Minas · 16/06/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Estabelece que a Copasa já havia deixado o controle estatal antes da fala checada.

    • Conclusão da desestatização: parágrafos iniciais sobre a cerimônia na B3 em 16 de junho

    Limites: É comunicação oficial do Governo de Minas sobre operação promovida pelo próprio governo.

    Disponível

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  5. Codemig — Quem somos Documento

    Codemge

    Evidência

    Contribuição: Confirma que a Codemig permaneceu sociedade de economia mista controlada pelo Estado após reorganização de novembro de 2025.

    • Estrutura societária após novembro de 2025: trecho que informa controle de 95% pelo Estado de Minas Gerais

    Limites: Página institucional consultada após a data da fala, mas descreve expressamente uma reorganização societária ocorrida em novembro de 2025.

    Disponível

    Abrir fonte

  6. Empresa apresenta portfólio de serviços e amplia diálogo com municípios mineiros Documento

    Minas Gerais Administração e Serviços S.A. — MGS · 05/05/2026

    Evidência

    Contribuição: Confirma, pouco antes da fala de Zema, a existência de outra empresa pública estadual além da Cemig.

    • Identificação institucional: trecho que define a MGS como empresa pública do Governo de Minas Gerais

    Limites: É publicação institucional da própria empresa.

    Disponível

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  7. O que Romeu Zema disse sobre privatizar empresas estatais Gravação

    Ceticismo · 25/08/2026

    Contexto

    Contribuição: Preserva declaração posterior em que Zema descreve o número 118 como mistura de participações e empresa e cita exemplos de participações minoritárias.

    • Explicação de Zema sobre 118: 8:07

    Limites: A declaração é posterior à fala checada e serve somente para esclarecer o universo que Zema passou a descrever, não para alterar a situação existente em 8 de julho.

    Disponível

    Abrir fonte

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Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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