Atlas da Mentira · checagem verificável

Investimentos da Cemig em Renova, Light, Santo Antônio e Belo Monte geraram mais de R$ 12 bi de prejuízo contábil

Enganoso.

Há base real para uma perda econômica bilionária: em 2021, o então presidente da Cemig estimou em R$ 12 bilhões a “destruição de valor econômico” das participações minoritárias e citou Renova, Light, Santo Antônio e Belo Monte como investimentos de geração negativa de valor. Mas a própria Cemig calcula essa perda com atualização financeira e elementos como dividendos, alienações e valuation; não a apresenta como um prejuízo contábil acumulado de mais de R$ 12 bilhões reconhecido nos balanços desses quatro ativos.

Qualificações importantes

A cifra não surgiu do nada. Em artigo de 2021, Reynaldo Passanezi Filho, então diretor-presidente da Cemig, citou Renova, Light, Santo Antônio e Belo Monte como exemplos de investimentos com geração negativa de valor e estimou em R$ 12 bilhões a destruição de valor econômico das participações minoritárias no período 2009–2018.

  • Planejamento da Cemig foca investimentos de R$ 22 bi em MG Parágrafos sobre investimentos de 2009 a 2018: O texto, assinado por Reynaldo Passanezi Filho, então diretor-presidente da Cemig, cita Renova, Light, Santo Antônio e Belo Monte como investimentos de geração negativa de valor e estima em R$ 12 bilhões a “destruição de valor econômico dos investimentos em participações minoritárias”.

A metodologia usada pela Cemig para avaliar os investimentos fora de Minas não é uma simples soma de perdas contábeis. Em apresentação de 2023, a companhia informou que os valores eram atualizados por IPCA+6% e incorporavam recebimento de dividendos, alienações e valuation.

  • 28º Encontro de Investidores Cemig — 2023 slide 5: Apresenta R$ 34,1 bilhões em investimentos fora de Minas em participações minoritárias, sem controle e sem retorno adequado; nota: valores atualizados por IPCA+6% até dez/2022, considerando recebimento de dividendos, alienações e valuation.

Em material oficial de 2024, a Cemig passou a falar em investimento superior a R$ 39 bilhões em participações minoritárias e destruição de valor superior a R$ 14 bilhões, novamente com valores corrigidos por IPCA+6%. A terminologia continuou sendo “destruição de valor”, não “prejuízo contábil”.

  • Cemig — Foco em eficiência e no core business slide 4: A apresentação informa investimento em participações minoritárias superior a R$ 39 bilhões, com destruição de valor superior a R$ 14 bilhões, e registra que os valores foram corrigidos a IPCA+6%.

Isso não significa que não tenham existido perdas contábeis nesses investimentos. A Cemig, por exemplo, zerou o valor contábil de sua participação na Renova e reconheceu impairment de R$ 688 milhões em créditos com a investida. O ponto é que essas perdas reconhecidas contabilmente não são a mesma métrica usada para gerar a cifra gerencial de R$ 12 bilhões.

  • Cemig Form 20-F — exercício de 2020 Renova Energia — impairment: A Cemig informa que reduziu a zero o valor contábil de sua participação na Renova e reconheceu impairment integral de R$ 688 milhões em créditos com a investida.

O texto de 2021 associa os R$ 12 bilhões ao conjunto das participações minoritárias e apresenta os quatro ativos como exemplos de geração negativa de valor; ele não traz uma decomposição auditada que demonstre que exatamente Renova, Light, Santo Antônio e Belo Monte, isoladamente, somaram R$ 12 bilhões de prejuízo contábil.

  • Planejamento da Cemig foca investimentos de R$ 22 bi em MG Parágrafos sobre investimentos de 2009 a 2018: O texto, assinado por Reynaldo Passanezi Filho, então diretor-presidente da Cemig, cita Renova, Light, Santo Antônio e Belo Monte como investimentos de geração negativa de valor e estima em R$ 12 bilhões a “destruição de valor econômico dos investimentos em participações minoritárias”.
O que foi checado

Quatro investimentos da Cemig — Renova, Light, Santo Antônio e Belo Monte — geraram conjuntamente mais de R$ 12 bilhões de prejuízo contábil para a estatal.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Romeu Zema · Atribuição verificada
Função na época
governador de Minas Gerais
Data da declaração
03/02/2026
Contexto
Entrevista de Romeu Zema ao podcast Os Sócios.

Como a proposição foi normalizada: A proposição preserva o elemento verificável mais específico da fala de Romeu Zema: a atribuição de mais de R$ 12 bilhões a um “prejuízo contábil” conjunto dos quatro investimentos. A checagem distingue esse conceito da estimativa de destruição de valor econômico usada pela administração da Cemig.

Limite de atribuição: A página do vídeo original no YouTube foi localizada, mas não expôs a transcrição no acesso desta sessão. O conteúdo verbal e o timestamp foram preservados por transcrição automatizada do Ceticismo, vinculada ao vídeo original.

Esses quatro investimentos conjuntamente... deram de prejuízo contábil mais de 12 bilhões.

Explicação

De onde vêm os R$ 12 bilhões

A cifra tem uma origem identificável na narrativa da própria administração da Cemig. Em artigo publicado em setembro de 2021, o então diretor-presidente Reynaldo Passanezi Filho afirmou que, entre 2009 e 2018, a companhia investiu em participações minoritárias, em grande parte fora de Minas, e citou Renova, Light, Santo Antônio e Belo Monte como investimentos de geração negativa de valor. No parágrafo seguinte, estimou em R$ 12 bilhões a “destruição de valor econômico dos investimentos em participações minoritárias”.

  • Planejamento da Cemig foca investimentos de R$ 22 bi em MG Parágrafos sobre investimentos de 2009 a 2018: O texto, assinado por Reynaldo Passanezi Filho, então diretor-presidente da Cemig, cita Renova, Light, Santo Antônio e Belo Monte como investimentos de geração negativa de valor e estima em R$ 12 bilhões a “destruição de valor econômico dos investimentos em participações minoritárias”.

O problema da fala de Zema é transformar essa estimativa de destruição de valor econômico em “prejuízo contábil”. A própria Cemig descreve a avaliação de seus antigos investimentos fora de Minas como uma conta atualizada por IPCA+6% que considera recebimento de dividendos, alienações e valuation. Esse tipo de comparação mede retorno e valor econômico do capital alocado; não corresponde, pela metodologia da própria apresentação, a uma simples soma de prejuízos contábeis reconhecidos.

  • 28º Encontro de Investidores Cemig — 2023 slide 5: Apresenta R$ 34,1 bilhões em investimentos fora de Minas em participações minoritárias, sem controle e sem retorno adequado; nota: valores atualizados por IPCA+6% até dez/2022, considerando recebimento de dividendos, alienações e valuation.

Por isso, a afirmação é enganosa. Ela parte de uma avaliação empresarial real de perda de valor e de ativos efetivamente problemáticos, mas muda a natureza do indicador ao apresentá-lo como prejuízo contábil conjunto superior a R$ 12 bilhões. Os documentos examinados sustentam destruição de valor econômico bilionária; não sustentam a equivalência dessa cifra a perdas contábeis registradas nos balanços exatamente dos quatro ativos.

  • Planejamento da Cemig foca investimentos de R$ 22 bi em MG Parágrafos sobre investimentos de 2009 a 2018: O texto, assinado por Reynaldo Passanezi Filho, então diretor-presidente da Cemig, cita Renova, Light, Santo Antônio e Belo Monte como investimentos de geração negativa de valor e estima em R$ 12 bilhões a “destruição de valor econômico dos investimentos em participações minoritárias”.
  • 28º Encontro de Investidores Cemig — 2023 slide 5: Apresenta R$ 34,1 bilhões em investimentos fora de Minas em participações minoritárias, sem controle e sem retorno adequado; nota: valores atualizados por IPCA+6% até dez/2022, considerando recebimento de dividendos, alienações e valuation.
  • Cemig — Foco em eficiência e no core business slide 4: A apresentação informa investimento em participações minoritárias superior a R$ 39 bilhões, com destruição de valor superior a R$ 14 bilhões, e registra que os valores foram corrigidos a IPCA+6%.

Contexto original

O que Zema disse

Esses quatro investimentos conjuntamente... deram de prejuízo contábil mais de 12 bilhões.

Na entrevista ao Os Sócios, Zema discutia a estratégia passada da Cemig e citou Renova, Light, Santo Antônio e Belo Monte antes de atribuir aos quatro, em conjunto, prejuízo contábil superior a R$ 12 bilhões.

Método

Destruição de valor e balanço contábil são medidas diferentes

No 28º Encontro de Investidores, em 2023, a Cemig apresentou R$ 34,1 bilhões em investimentos fora de Minas em participações minoritárias, sem controle e sem retorno adequado. Uma nota de rodapé informa que a conta foi atualizada por IPCA+6% até dezembro de 2022 e considera recebimento de dividendos, alienações e valuation. A apresentação, portanto, trabalha com uma métrica econômica de retorno do investimento, não com uma simples soma de lançamentos de prejuízo contábil.

  • 28º Encontro de Investidores Cemig — 2023 slide 5: Apresenta R$ 34,1 bilhões em investimentos fora de Minas em participações minoritárias, sem controle e sem retorno adequado; nota: valores atualizados por IPCA+6% até dez/2022, considerando recebimento de dividendos, alienações e valuation.

Em 2024, outra apresentação oficial manteve a mesma linguagem: investimento em participações minoritárias superior a R$ 39 bilhões e “destruição de valor” superior a R$ 14 bilhões, com valores corrigidos por IPCA+6%. A atualização da cifra ao longo do tempo é coerente com uma medida de valor econômico corrigida, e não com a afirmação de um montante histórico único de prejuízo contábil.

  • Cemig — Foco em eficiência e no core business slide 4: A apresentação informa investimento em participações minoritárias superior a R$ 39 bilhões, com destruição de valor superior a R$ 14 bilhões, e registra que os valores foram corrigidos a IPCA+6%.

Contexto e limites

A defesa possível da afirmação

Há perdas contábeis reais por trás de parte dessa história. No caso da Renova, a Cemig informou em seu Form 20-F que o valor contábil da participação havia sido reduzido a zero e que R$ 688 milhões em créditos contra a investida tinham sido integralmente objeto de impairment. Isso torna razoável dizer que a estratégia gerou perdas e destruição de valor; o que não se pode fazer é tratar automaticamente a estimativa econômica de R$ 12 bilhões como se fosse o total de prejuízo contábil reconhecido desses quatro ativos.

  • Cemig Form 20-F — exercício de 2020 Renova Energia — impairment: A Cemig informa que reduziu a zero o valor contábil de sua participação na Renova e reconheceu impairment integral de R$ 688 milhões em créditos com a investida.

Contexto e limites

O que os documentos não demonstram

O artigo de 2021 menciona os quatro ativos como exemplos de investimentos de geração negativa de valor, mas atribui a estimativa de R$ 12 bilhões ao conjunto das participações minoritárias. As apresentações posteriores da Cemig tratam igualmente a carteira em conjunto. Sem uma reconciliação auditada por ativo que some perdas contábeis reconhecidas e chegue a mais de R$ 12 bilhões exatamente para Renova, Light, Santo Antônio e Belo Monte, essa formulação específica não é sustentada pela origem documentada da cifra.

  • Planejamento da Cemig foca investimentos de R$ 22 bi em MG Parágrafos sobre investimentos de 2009 a 2018: O texto, assinado por Reynaldo Passanezi Filho, então diretor-presidente da Cemig, cita Renova, Light, Santo Antônio e Belo Monte como investimentos de geração negativa de valor e estima em R$ 12 bilhões a “destruição de valor econômico dos investimentos em participações minoritárias”.
  • 28º Encontro de Investidores Cemig — 2023 slide 5: Apresenta R$ 34,1 bilhões em investimentos fora de Minas em participações minoritárias, sem controle e sem retorno adequado; nota: valores atualizados por IPCA+6% até dez/2022, considerando recebimento de dividendos, alienações e valuation.

Fontes

  1. De EMPREENDEDOR a GOVERNADOR de Minas Gerais | Zema conta sua trajetória no Os Sócios Gravação

    Os Sócios · 03/02/2026

    Alegação original

    Contribuição: É a gravação original da entrevista à qual a transcrição usada para preservar a fala está vinculada.

    • cerca de 18:43: Trecho da entrevista em que Zema discute Renova, Light, Santo Antônio e Belo Monte e atribui prejuízo contábil superior a R$ 12 bilhões; timestamp preservado pela transcrição vinculada.

    Limites: A página do YouTube não expôs a transcrição ou o áudio em formato diretamente inspecionável pelas ferramentas desta sessão; a redação exata e o timestamp foram preservados pela transcrição automatizada do Ceticismo.

    Disponível

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  2. De EMPREENDEDOR a GOVERNADOR de Minas Gerais | Zema conta sua trajetória no Os Sócios — Transcrição do vídeo Documento

    Ceticismo · 03/02/2026

    Alegação original, Contexto

    Contribuição: Preserva a formulação verbal, a atribuição, a data e o ponto aproximado da gravação em que a alegação é feita.

    • cerca de 18:43: Transcrição do trecho que lista os quatro investimentos e registra a afirmação de prejuízo contábil superior a R$ 12 bilhões.

    Limites: A transcrição e a classificação são automatizadas; por isso, foi vinculada à gravação original e não tratada como substituta perfeita da escuta direta.

    Disponível

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  3. Planejamento da Cemig foca investimentos de R$ 22 bi em MG Documento

    Diário do Comércio · 28/09/2021

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Documenta a origem aproximada da cifra de R$ 12 bilhões e, sobretudo, a natureza que a própria administração da Cemig atribuía ao número: destruição de valor econômico.

    • Parágrafos sobre investimentos de 2009 a 2018: O texto, assinado por Reynaldo Passanezi Filho, então diretor-presidente da Cemig, cita Renova, Light, Santo Antônio e Belo Monte como investimentos de geração negativa de valor e estima em R$ 12 bilhões a “destruição de valor econômico dos investimentos em participações minoritárias”.

    Limites: O artigo apresenta os quatro ativos como exemplos de investimentos de geração negativa de valor, mas não fornece uma decomposição que atribua exatamente os R$ 12 bilhões apenas a esses quatro nem uma reconciliação com perdas contábeis auditadas.

    Disponível

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  4. 28º Encontro de Investidores Cemig — 2023 Documento

    Cemig Relações com Investidores · 27/03/2023

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Explicita a metodologia econômica usada pela Cemig para comparar os antigos investimentos minoritários, distinguindo-a de uma mera soma de prejuízos contábeis.

    • slide 5: Apresenta R$ 34,1 bilhões em investimentos fora de Minas em participações minoritárias, sem controle e sem retorno adequado; nota: valores atualizados por IPCA+6% até dez/2022, considerando recebimento de dividendos, alienações e valuation.

    Limites: A apresentação é material gerencial para investidores e não uma reconciliação auditada, ativo por ativo, das perdas contábeis reconhecidas.

    Disponível

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  5. Cemig — Foco em eficiência e no core business Documento

    Cemig Relações com Investidores · 20/08/2024

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Mostra que a própria Cemig continuou tratando a cifra como destruição de valor econômico corrigida financeiramente, não como um total declarado de prejuízo contábil.

    • slide 4: A apresentação informa investimento em participações minoritárias superior a R$ 39 bilhões, com destruição de valor superior a R$ 14 bilhões, e registra que os valores foram corrigidos a IPCA+6%.

    Limites: A cifra de R$ 14 bilhões é posterior e atualizada; serve para caracterizar a métrica e sua evolução, não para substituir o valor histórico de R$ 12 bilhões citado em 2021.

    Disponível

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  6. Cemig Form 20-F — exercício de 2020 Documento

    Cemig / U.S. Securities and Exchange Commission

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Confirma que houve perdas e impairments contábeis reais em ao menos um dos ativos, sem confundir esses lançamentos com a estimativa agregada de destruição de valor de R$ 12 bilhões.

    • Renova Energia — impairment: A Cemig informa que reduziu a zero o valor contábil de sua participação na Renova e reconheceu impairment integral de R$ 688 milhões em créditos com a investida.

    Limites: O trecho documenta a Renova, não fornece uma reconciliação cumulativa das quatro participações citadas por Zema.

    Disponível

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Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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