Atlas da Mentira · checagem verificável

Campos Neto deixou o Banco Central com Selic em 14,25% ao ano

Falso.

Roberto Campos Neto permaneceu na presidência do Banco Central até 31 de dezembro de 2024. Na última reunião do Copom sob seu comando, em 11 de dezembro, a meta Selic foi elevada para 12,25% ao ano e permaneceu nesse patamar até 29 de janeiro de 2025. A taxa de 14,25% só foi fixada em março de 2025, quando Gabriel Galípolo já presidia o Banco Central.

Qualificações importantes

Há um elemento que pode explicar a confusão: na reunião de dezembro de 2024, o Copom presidido por Campos Neto sinalizou, se o cenário esperado se confirmasse, dois novos aumentos de 1 ponto percentual. Essa trajetória levaria a Selic de 12,25% para 14,25%, mas era uma orientação prospectiva e condicional, não a taxa entregue no fim do mandato.

O que foi checado

Roberto Campos Neto encerrou sua gestão na presidência do Banco Central deixando a taxa Selic em 14,25% ao ano.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Fernando Haddad · Atribuição verificada
Função na época
candidato ao governo de São Paulo
Data da declaração
09/08/2026
Contexto
Primeiro debate entre candidatos ao governo de São Paulo em 2026, promovido pela Band.

Como a proposição foi normalizada: A formulação preserva o sentido de 'entregou no último mês de gestão dele uma taxa de juro de 14,25 para ser administrada pelo seu sucessor': trata-se da taxa efetivamente vigente ao final do mandato, não apenas de uma trajetória futura sinalizada pelo Copom.

Menos de dois anos atrás, um ano e meio atrás, ele entregou... uma taxa de juros de 14,25 para ser administrada pelo seu sucessor.

Explicação

A Selic era de 12,25% quando Campos Neto deixou o cargo

O histórico oficial do Banco Central registra Roberto Campos Neto como presidente até 31 de dezembro de 2024. Gabriel Galípolo assumiu a presidência em 1º de janeiro de 2025.

Em 11 de dezembro de 2024, na última reunião do Copom presidida por Campos Neto, o comitê elevou a meta Selic em 1 ponto percentual, para 12,25% ao ano. O histórico de juros do Banco Central mostra que essa taxa passou a vigorar em 12 de dezembro e permaneceu até a reunião de 29 de janeiro de 2025.

A meta de 14,25% só foi fixada na reunião de 19 de março de 2025, com vigência a partir do dia 20. Nessa data, Galípolo já estava na presidência havia mais de dois meses. Portanto, 14,25% não era a taxa vigente quando Campos Neto encerrou o mandato.

Contexto original

De onde pode ter vindo o número de 14,25%

A última decisão do Copom sob Campos Neto também comunicou que, caso o cenário esperado se confirmasse, o comitê antevia aumentos de 1 ponto percentual nas duas reuniões seguintes. Partindo de 12,25%, dois aumentos desse tamanho levariam a taxa a 14,25%. A sinalização foi de fato seguida nas reuniões de janeiro e março, mas as decisões ocorreram já durante a gestão de Galípolo.

Fontes

  1. Ao vivo: checagem do primeiro debate com candidatos ao governo de SP Documento

    Agência Lupa · 09/08/2026

    Alegação original

    Contribuição: Preserva a alegação feita durante o debate.

    • Fala sobre Roberto Campos Neto e Selic: Reproduz a afirmação de Haddad de que Campos Neto entregou no último mês de gestão uma taxa de 14,25%.

    Limites: É uma checagem jornalística secundária; seu veredito não é usado como evidência do resultado desta apuração.

    Disponível

    Abrir fonte

  2. Debate na Band: Governo de São Paulo — falas analisadas Gravação

    Ceticismo · 10/08/2026

    Alegação original

    Contribuição: Corrobora a formulação e o contexto temporal da fala no debate.

    • 45:28: Transcrição da fala de Haddad: 'ele entregou... uma taxa de juros de 14,25 para ser administrada pelo seu sucessor'.

    Limites: A página apresenta transcrição/classificação de um vídeo público; o áudio original não foi reproduzido diretamente nesta execução.

    Disponível

    Abrir fonte

  3. Composição histórica da diretoria do Banco Central Gravação

    Banco Central do Brasil

    Evidência

    Contribuição: Estabelece com precisão a data de encerramento da gestão de Campos Neto e o início da gestão seguinte.

    • Presidência do Banco Central: Roberto Campos Neto: até 31/12/2024; Gabriel Galípolo: a partir de 01/01/2025.

    Disponível

    Abrir fonte

  4. Taxas de juros básicas — Histórico Base de dados

    Banco Central do Brasil

    Evidência

    Contribuição: Mostra a taxa efetivamente vigente ao fim de dezembro de 2024 e a data em que 14,25% passou a valer.

    • 267ª reunião — 11/12/2024: Meta Selic de 12,25% a.a., com vigência de 12/12/2024 a 29/01/2025.
    • 268ª e 269ª reuniões: Meta de 13,25% após 29/01/2025 e de 14,25% após 19/03/2025.
    • 269ª reunião — 19/03/2025: Meta Selic de 14,25% a.a., com vigência a partir de 20/03/2025.

    Disponível

    Abrir fonte

  5. Ata da 267ª Reunião do Comitê de Política Monetária — 10 e 11 de dezembro de 2024 Documento

    Banco Central do Brasil — Copom · 17/12/2024

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Confirma a taxa decidida no último Copom de Campos Neto e preserva a melhor defesa possível para a origem do número 14,25%.

    • Decisão de política monetária: O Copom elevou a Selic em 1 ponto percentual, para 12,25% ao ano.
    • Sinalização para reuniões seguintes: O Copom antevia, se o cenário esperado se confirmasse, ajustes de mesma magnitude nas próximas duas reuniões.

    Limites: A sinalização futura era condicional e não equivalia a uma taxa já vigente ou juridicamente fixada para as reuniões seguintes.

    Disponível

    Abrir fonte

Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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