Atlas da Mentira · checagem verificável

Brasil é recordista mundial de homicídios absolutos há décadas

Sustentado.

No contexto da entrevista, Zema falava do número absoluto de homicídios. A série do UNODC disponível antes da declaração colocava o Brasil no topo do quadro mais recente, com 40.698 vítimas, pouco acima da Índia, com 40.130, e da Nigéria, com 35.884. O país figura há décadas entre os maiores totais anuais. Isso não significa liderança ininterrupta em todos os anos nem liderança na taxa por 100 mil habitantes.

Qualificações importantes

A leitura por número absoluto decorre do próprio contexto: logo após dizer que o Brasil é 'recordista mundial', Zema afirmou que no ano anterior ocorreram 'mais de 40.000' homicídios. Essa sequência torna menos plausível interpretar a frase como referência à taxa por habitante.

Por taxa de homicídios, o Brasil não lidera o mundo. No quadro do UNODC exibido com os dados mais recentes disponíveis, o Brasil aparece com 19,3 homicídios por 100 mil habitantes, abaixo de diversos países, como São Cristóvão e Névis, São Vicente e Granadinas, Jamaica, Equador e África do Sul.

  • Homicide rate — UNODC Taxa de homicídios no quadro mais recente: Brasil 19,3 por 100 mil; vários países aparecem acima, entre eles São Cristóvão e Névis 64,2, São Vicente e Granadinas 51,3, Jamaica 49,4, Equador 45,7 e África do Sul 43,7.

A expressão 'há décadas' não deve ser lida como primeiro lugar sem interrupção em cada ano. A série internacional mostra uma permanência do Brasil entre os países com maiores números absolutos e o coloca em primeiro no quadro mais recente; no início da série, outros países, como a Índia, também tiveram totais superiores em alguns anos.

  • Homicides — UNODC Série histórica e fonte: Série anual de homicídios desde 1990; fonte subjacente UNODC (2025), dados recuperados em 12 de junho de 2026.
  • Intentional Homicide Victims by counts and rates per 100,000 population Homicídios intencionais por país, 2000–2023: Tabela histórica baseada nas estatísticas de homicídio do UNODC, usada para verificar que a liderança absoluta não foi necessariamente contínua em todos os anos.

Comparações internacionais de homicídios têm limitações de registro e classificação. O UNODC combina fontes nacionais e faz verificações e ajustes para construir séries comparáveis, mas diferenças de cobertura e qualidade entre países permanecem relevantes.

  • Homicide data: how sources differ and when to use which one How do different sources identify and collect homicides?: Explica que o UNODC combina dados de justiça criminal e registros de saúde, aplica definição padronizada e verificações de consistência, mas rankings podem variar conforme fonte e cobertura.
O que foi checado

O Brasil é, há décadas, o país recordista mundial de homicídios.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Romeu Zema · Atribuição verificada
Função na época
candidato à Presidência
Data da declaração
24/08/2026
Contexto
Entrevista ao Jornal Nacional.

Como a proposição foi normalizada: A frase isolada não distingue número absoluto de taxa por habitante, mas Zema a seguida imediatamente dizendo que houve 'mais de 40.000' homicídios no Brasil no ano anterior. Por isso, a leitura mais fiel ao contexto é a de número absoluto anual de vítimas. 'Há décadas' é tratado como referência a uma posição persistente entre os países com maiores totais, não como afirmação de primeiro lugar ininterrupto em todos os anos.

O Brasil, há décadas, é o recordista mundial de homicídios

Contexto original

Zema falava de quantidade, não de taxa

Na entrevista, Romeu Zema afirmou que o Brasil é 'há décadas' o recordista mundial de homicídios e, na sequência, disse que o país teve 'mais de 40.000' homicídios no ano anterior. A menção a um total de vítimas define a comparação mais natural como número absoluto anual, e não como taxa por habitante.

Explicação

No total de vítimas, o Brasil aparece no topo

A série de homicídios intencionais do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, apresentada pelo Our World in Data e recuperada em junho de 2026, coloca o Brasil com 40.698 vítimas no quadro mais recente. A Índia aparece logo atrás, com 40.130, e a Nigéria, com 35.884. A própria base informa que, quando um valor de 2024 não está disponível, o quadro usa o dado mais próximo entre 2019 e 2023; por isso, esses números servem para comparar a posição mais recente disponível, não para afirmar que todos se referem ao mesmo ano-calendário.

  • Homicides — UNODC Quadro mais recente de homicídios em números absolutos: Brasil 40.698; Índia 40.130; Nigéria 35.884. Quando 2024 está indisponível, o gráfico exibe o valor mais próximo entre 2019 e 2023.

A base reúne uma série comparável desde 1990. Ela sustenta a parte temporal da fala no sentido de que o Brasil permanece há décadas entre os países com maiores números absolutos de homicídios e lidera o quadro mais recente. A formulação não deve, porém, ser entendida como primeiro lugar contínuo em cada ano da série: no começo dos anos 2000, por exemplo, Brasil e Índia tinham totais próximos e a liderança variou.

  • Homicides — UNODC Série histórica e fonte: Série anual de homicídios desde 1990; fonte subjacente UNODC (2025), dados recuperados em 12 de junho de 2026.
  • Intentional Homicide Victims by counts and rates per 100,000 population Homicídios intencionais por país, 2000–2023: Tabela histórica baseada nas estatísticas de homicídio do UNODC, usada para verificar que a liderança absoluta não foi necessariamente contínua em todos os anos.

Contexto e limites

A conclusão muda quando se considera a população

A taxa de homicídios responde a outra pergunta: qual é a frequência de homicídios em relação ao tamanho da população. Nesse indicador, o Brasil não é recordista mundial. No quadro mais recente do UNODC, aparece com 19,3 mortes por 100 mil habitantes, enquanto vários países registram taxas bem superiores. Portanto, a fala é sustentada pela leitura em números absolutos indicada pelo contexto, mas não pode ser usada para dizer que o Brasil tem o maior risco de homicídio do mundo.

  • Homicide rate — UNODC Taxa de homicídios no quadro mais recente: Brasil 19,3 por 100 mil; vários países aparecem acima, entre eles São Cristóvão e Névis 64,2, São Vicente e Granadinas 51,3, Jamaica 49,4, Equador 45,7 e África do Sul 43,7.

Método

Limites da comparação internacional

O UNODC reúne registros de justiça criminal e, em alguns casos, dados de saúde e outras fontes nacionais. O Our World in Data observa que as fontes internacionais convergem nos grandes padrões, mas podem divergir em rankings e valores porque países registram e classificam homicídios de maneiras diferentes. A checagem, por isso, usa uma única série do UNODC para o ranking principal e trata a taxa apenas como dimensão alternativa.

  • Homicide data: how sources differ and when to use which one How do different sources identify and collect homicides?: Explica que o UNODC combina dados de justiça criminal e registros de saúde, aplica definição padronizada e verificações de consistência, mas rankings podem variar conforme fonte e cobertura.

Fontes

  1. No JN, Zema erra ao falar sobre lei penal e feminicídios em Minas Gerais Documento

    Agência Lupa · 24/08/2026

    Alegação original, Contexto

    Contribuição: Preserva a formulação e o contexto imediato que define a leitura da comparação como número absoluto.

    • Fala sobre homicídios: Trecho em que Zema diz: 'O Brasil, há décadas, é o recordista mundial de homicídios'.
    • Continuação da fala: Logo depois, Zema afirma: 'O ano passado, mais de 40.000 [homicídios no Brasil]', indicando comparação em número absoluto.

    Limites: É uma transcrição jornalística da entrevista; não substitui a gravação integral para nuances de entonação.

    Disponível

    Abrir fonte

  2. Homicides — UNODC Base de dados

    Our World in Data

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Fornece o ranking absoluto mais recente e a série de longo prazo usada para avaliar a expressão 'há décadas'.

    • Quadro mais recente de homicídios em números absolutos: Brasil 40.698; Índia 40.130; Nigéria 35.884. Quando 2024 está indisponível, o gráfico exibe o valor mais próximo entre 2019 e 2023.
    • Série histórica e fonte: Série anual de homicídios desde 1990; fonte subjacente UNODC (2025), dados recuperados em 12 de junho de 2026.

    Limites: O quadro mais recente pode combinar anos diferentes quando 2024 não está disponível para um país.; O Our World in Data processa e apresenta os dados; a fonte subjacente é o UNODC.; Diferenças de registro nacional afetam a comparabilidade internacional.

    Disponível

    Abrir fonte

  3. Homicide rate — UNODC Base de dados

    Our World in Data

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Mostra que a afirmação não seria correta se 'recordista' fosse interpretado como maior taxa de homicídios por população.

    • Taxa de homicídios no quadro mais recente: Brasil 19,3 por 100 mil; vários países aparecem acima, entre eles São Cristóvão e Névis 64,2, São Vicente e Granadinas 51,3, Jamaica 49,4, Equador 45,7 e África do Sul 43,7.

    Limites: O quadro mais recente pode usar, para países sem dado de 2024, o valor mais próximo entre 2019 e 2023.; Taxa por 100 mil é uma métrica diferente do número absoluto indicado no contexto da fala.

    Disponível

    Abrir fonte

  4. Intentional Homicide Victims by counts and rates per 100,000 population Base de dados

    United Nations

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Serve de verificação histórica complementar para não transformar 'há décadas' em alegação de primeiro lugar ininterrupto.

    • Homicídios intencionais por país, 2000–2023: Tabela histórica baseada nas estatísticas de homicídio do UNODC, usada para verificar que a liderança absoluta não foi necessariamente contínua em todos os anos.

    Limites: A tabela reúne fontes nacionais e pode conter lacunas e múltiplas séries para um mesmo país.; Não é usada para definir sozinha o ranking mais recente.

    Disponível

    Abrir fonte

  5. Homicide data: how sources differ and when to use which one Documento

    Our World in Data · 26/06/2023

    Contexto

    Contribuição: Explica as limitações de comparabilidade internacional e por que pequenas diferenças de ranking não devem ser superinterpretadas.

    • How do different sources identify and collect homicides?: Explica que o UNODC combina dados de justiça criminal e registros de saúde, aplica definição padronizada e verificações de consistência, mas rankings podem variar conforme fonte e cobertura.

    Limites: É uma explicação metodológica do Our World in Data, não a documentação normativa do UNODC.

    Disponível

    Abrir fonte

Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

Metodologia e significado dos achados · Solicitar correção

Encontrou um erro?

Indique o ponto que precisa ser revisto e, se possível, a evidência que sustenta a solicitação. O envio fica privado até análise.

Aponte o trecho, dado ou conclusão que você acredita estar incorreto ou incompleto.

Se possível, inclua links, documentos ou referências que sustentem a solicitação.

Não será publicado. Podemos usá-lo apenas se precisarmos esclarecer esta solicitação.