Atlas da Mentira · checagem verificável

Judiciário brasileiro é o mais caro do mundo e custa cerca de 1,5% do PIB

Enganoso.

O Tesouro Nacional registrou 1,55% do PIB em 2024 na subfunção 'Tribunais de justiça', uma categoria que inclui também Ministério Público e outros órgãos. Porém, no último ano com comparação internacional disponível, 2023, o Brasil ficou em segundo entre 50 países analisados: 1,43% do PIB, atrás de El Salvador, com 1,45%. Não havia base comparável de 2024 para afirmar que o país era o mais caro do mundo.

Qualificações importantes

O indicador de 1,55% do PIB não corresponde apenas ao Poder Judiciário. Na metodologia COFOG usada pelo Tesouro, a subfunção 'Tribunais de justiça' inclui tribunais federais e estaduais, Ministério Público e outros órgãos. Por isso, o percentual não deve ser apresentado sem ressalva como custo estrito do Judiciário.

  • Despesa por Função do Governo Geral 2024 Definição da subfunção Tribunais de justiça: p. 39: o Tesouro informa que a subfunção inclui tribunais de justiça federais e estaduais, Ministério Público, entre outros.

No recorte internacional de 2023, o Brasil tinha gasto muito acima da média dos países analisados, mas ocupava a segunda posição: 1,43% do PIB contra 1,45% de El Salvador. O Brasil havia liderado a comparação em 2021, mas ficou em segundo em 2022 e 2023.

Em uma métrica diferente, restrita às despesas totais do Poder Judiciário, o CNJ informou R$ 164,6 bilhões em 2025, equivalentes a cerca de 1,3% do PIB. Esse dado não é diretamente intercambiável com a subfunção COFOG do Tesouro.

O que foi checado

O Judiciário brasileiro é o mais caro do mundo e custa cerca de 1,5% do PIB.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Romeu Zema · Atribuição verificada
Função na época
candidato à Presidência
Data da declaração
03/09/2026
Contexto
Sabatina no Jornal da Manhã, da Jovem Pan.

Como a proposição foi normalizada: A afirmação combina um ranking internacional com uma proporção do PIB. A checagem distingue o Poder Judiciário estrito da subfunção internacional 'Tribunais de justiça' da metodologia COFOG, que no Brasil inclui também Ministério Público e outros órgãos.

Nós temos aqui um Judiciário robusto, que inclusive é o mais caro do mundo, 1,5% do PIB.

Contexto original

O que Zema disse

Em sabatina da Jovem Pan em 3 de setembro, Romeu Zema afirmou que o Judiciário brasileiro era 'o mais caro do mundo' e custava 1,5% do PIB. O apresentador corrigiu o ranking ainda durante a entrevista, e Zema agradeceu a informação.

Explicação

De onde vem o 1,5% do PIB

O número tem base em uma estatística oficial. No relatório COFOG do Tesouro Nacional, a subfunção 'Tribunais de justiça' somou R$ 181,5 bilhões em 2024, equivalentes a 1,55% do PIB. Em 2023, essa proporção havia sido de 1,43%.

Mas essa classificação é mais ampla do que a expressão 'Judiciário' sugere. O próprio Tesouro explica que a subfunção inclui tribunais de justiça federais e estaduais, Ministério Público e outros órgãos. Já o relatório Justiça em Números do CNJ, voltado ao Poder Judiciário, registrou despesas totais de R$ 164,6 bilhões em 2025, cerca de 1,3% do PIB.

Explicação

O Brasil não era o primeiro no ranking mais recente

A comparação internacional mais recente disponível no relatório do Tesouro usa dados de 2023. Entre 50 países analisados, o Brasil teve a segunda maior despesa com 'Tribunais de justiça' em proporção do PIB: 1,43%, abaixo apenas de El Salvador, com 1,45%. A média dos países selecionados foi de 0,37%.

  • Despesa por Função do Governo Geral 2024 Comparação internacional: p. 43: entre 50 países analisados em 2023, Brasil foi o segundo em gasto com Tribunais de justiça como proporção do PIB, 1,43%, atrás de El Salvador, 1,45%; média dos países selecionados foi 0,37%.

Embora o gasto brasileiro tenha subido para 1,55% do PIB em 2024, os dados internacionais equivalentes daquele ano ainda não estavam consolidados. Assim, esse aumento não permite atualizar o ranking e afirmar que o Brasil passou a ocupar a primeira posição.

Contexto e limites

O que há de correto na comparação

A fala acerta ao destacar que o gasto brasileiro é excepcionalmente alto em comparação internacional. Em 2023, a proporção brasileira era quase quatro vezes a média do grupo analisado, e o Brasil chegou a liderar a série em 2021. Isso, porém, não sustenta a formulação presente e categórica de que o país 'é o mais caro do mundo' em setembro de 2026.

Fontes

  1. Em sabatina da Jovem Pan, Zema acerta dados de Minas, mas erra ao citar Judiciário e segurança Documento

    Jovem Pan · 03/09/2026

    Alegação original, Contexto

    Contribuição: Preserva a fala original, seu contexto e a correção feita ainda durante a entrevista.

    • Fala de Romeu Zema: Zema afirma que o Judiciário brasileiro é o mais caro do mundo e custa 1,5% do PIB.
    • Correção durante a sabatina: A Jovem Pan registra que o apresentador corrigiu o ranking, informando que o Brasil estava em segundo lugar, e Zema respondeu 'Obrigado pela informação'.

    Limites: A verificação da Jovem Pan é fonte secundária para o ranking; a checagem usa o relatório oficial do Tesouro como evidência decisiva.

    Disponível

    Abrir fonte

  2. Despesa por Função do Governo Geral 2024 Documento

    Secretaria do Tesouro Nacional · 12/2025

    Evidência

    Contribuição: Fornece a série brasileira, o escopo metodológico da categoria e o ranking internacional comparável que diretamente testa os dois componentes da alegação.

    • Tabela 16 e seção Ordem pública e segurança: p. 38-39: a subfunção 7033 - Tribunais de justiça somou R$ 181,5 bilhões em 2024, 1,55% do PIB; em 2023, 1,43%.
    • Definição da subfunção Tribunais de justiça: p. 39: o Tesouro informa que a subfunção inclui tribunais de justiça federais e estaduais, Ministério Público, entre outros.
    • Comparação internacional: p. 43: entre 50 países analisados em 2023, Brasil foi o segundo em gasto com Tribunais de justiça como proporção do PIB, 1,43%, atrás de El Salvador, 1,45%; média dos países selecionados foi 0,37%.

    Limites: A comparação internacional disponível no relatório é de 2023, enquanto o valor brasileiro mais recente é de 2024.; A categoria COFOG 7033 é mais ampla que o Poder Judiciário em sentido institucional estrito.

    Disponível

    Abrir fonte

  3. Justiça custou 1,5% do PIB em 2024; estados driblam orçamento para custear folhas de pagamento Documento

    Folha de S.Paulo · 05/04/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Corrobora a leitura temporal do ranking e evita transformar o valor brasileiro de 2024 em uma posição internacional sem base comparável.

    • Série internacional recente: A reportagem registra que o Brasil liderou a comparação em 2021 e ficou em segundo, atrás de El Salvador, em 2022 e 2023.
    • Defasagem da comparação internacional: A reportagem explica que o Tesouro tinha dados brasileiros de 2024, mas a comparação internacional usava 2023 por causa da disponibilidade de dados dos demais países.

    Limites: É fonte secundária e parcialmente paywalled; a posição de 2023 é confirmada diretamente pelo relatório do Tesouro.

    Acesso restrito — A página está acessível parcialmente; o trecho relevante do ranking e da defasagem temporal é visível.

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  4. Livro mostra a virada do CNJ rumo à inovação e à gestão moderna no Judiciário Documento

    Conselho Nacional de Justiça · 08/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Mostra, em fonte institucional, que uma métrica restrita ao Poder Judiciário produz percentual diferente da categoria COFOG mais ampla usada no argumento.

    • Despesas do Poder Judiciário em 2025: O CNJ informa custo total de R$ 164,6 bilhões em 2025, equivalente a 1,3% do PIB nacional.

    Limites: O ano-base é 2025, não 2024, e a metodologia do CNJ não é diretamente comparável ao COFOG internacional; é usada apenas para esclarecer a diferença de escopo.

    Disponível

    Abrir fonte

Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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