Atlas da Mentira · checagem verificável

Pé-de-Meia reduziu o abandono no ensino médio em 43%

Enganoso.

A queda de 6,4% para 3,6% é a base do percentual de 43% divulgado pelo governo. Mas essa comparação entre 2022 e 2024 não isola o efeito causal do Pé-de-Meia, criado em 2024. Antes da fala de Lula, estudo do Insper dizia que, pela implementação recente, ainda não era possível realizar uma avaliação ex-post completa do programa e recorria a uma avaliação ex-ante.

Qualificações importantes

Os 43% divulgados pelo governo representam a redução relativa da taxa de abandono de 6,4% para 3,6%, não uma queda de 43 pontos percentuais.

O dado usado para os 43% é taxa de abandono do Censo Escolar. O Inep trata abandono como parte das informações de movimento e rendimento ligadas ao estudante que deixa de frequentar durante o ano letivo; isso não é automaticamente equivalente a toda medida longitudinal de evasão.

  • Censo Escolar — perguntas frequentes Situação do Aluno: Explica que a segunda etapa coleta rendimento e movimento, incluindo se o aluno deixou de frequentar, e que esses dados compõem as taxas de aprovação, reprovação e abandono.

A redução observada entre 2022 e 2024 não mede, sozinha, quanto dela foi causado pelo Pé-de-Meia. O próprio estudo de impacto do Insper disponível antes da fala era ex-ante e registrava que avaliações ex-post completas ainda não podiam ser realizadas para programas recentes como o Pé-de-Meia.

Dados do Inep organizados pela Fapespa mostram que a taxa nacional de abandono do ensino médio, considerando todas as redes, já havia caído de 5,7% em 2022 para 3,4% em 2023, antes do início do Pé-de-Meia. Esse indicador tem escopo diferente do recorte de rede pública usado no 43%, mas reforça que uma comparação simples não separa o programa de outras mudanças no período.

O que foi checado

O programa Pé-de-Meia reduziu em 43% o abandono escolar no ensino médio.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Luiz Inácio Lula da Silva · Atribuição verificada
Função na época
presidente da República
Data da declaração
02/02/2026
Contexto
Mensagem Presidencial ao Congresso Nacional de 2026, entregue na abertura dos trabalhos legislativos.

Como a proposição foi normalizada: A fala original usa “evasão”, mas o percentual de 43% divulgado pelo governo deriva da taxa de abandono do Censo Escolar. A checagem mantém o núcleo causal atribuído ao Pé-de-Meia e explicita no escopo que os números usados pelo governo se referem ao ensino médio público.

Limite de atribuição: A afirmação foi preservada pela Agência Brasil na cobertura da Mensagem Presidencial ao Congresso. A abertura direta da página estava indisponível nesta sessão, mas o conteúdo indexado da própria URL preserva o trecho.

o programa Pé-de-Meia ultrapassou a marca de 4 milhões de estudantes beneficiados e reduziu em 43% a evasão no ensino médio

Explicação

O que os 43% medem

A origem do percentual é uma comparação de taxas de abandono no ensino médio público divulgada pelo MEC: 6,4% em 2022 e 3,6% em 2024. O próprio comunicado apresenta essa mudança como uma diminuição de 43%.

Esse dado descreve a mudança observada no indicador, mas não identifica sozinho a causa da mudança. O Pé-de-Meia foi instituído em 2024, enquanto a comparação parte de 2022. Para dizer que o programa “reduziu em 43%” o abandono como efeito causal, seria necessário isolar o que teria acontecido sem a política e separar seu efeito de outras mudanças econômicas, escolares e de políticas públicas.

Por isso, a afirmação é enganosa: o percentual de queda é compatível com os números divulgados, mas apresentá-lo como efeito medido do Pé-de-Meia transforma uma variação antes/depois em uma conclusão causal que esses dados não demonstram.

Contexto original

O que Lula disse

o programa Pé-de-Meia ultrapassou a marca de 4 milhões de estudantes beneficiados e reduziu em 43% a evasão no ensino médio

Método

O que a evidência de impacto disponível permitia afirmar

Em estudo publicado em novembro de 2025, pesquisadores do Insper classificaram sua avaliação do Pé-de-Meia como ex-ante. O trabalho explica que avaliações ex-post são realizadas depois de tempo suficiente para o impacto se manifestar e afirma que, por serem recentes, programas como o Pé-de-Meia ainda não permitiam uma avaliação ex-post completa. Assim, o estudo estimava impacto esperado por modelo, em vez de medir diretamente um efeito já observado do programa.

Também havia sinais de melhora anteriores à implementação. Na série nacional de abandono do ensino médio reunida pela Fapespa com fonte no Inep, a taxa de todas as redes caiu de 5,7% em 2022 para 3,4% em 2023. Esse recorte não é diretamente comparável ao indicador de rede pública usado pelo governo, mas mostra por que atribuir toda a redução de 2022 a 2024 a uma política iniciada em 2024 exige uma estratégia causal, e não apenas a comparação dos extremos.

Contexto e limites

A evidência favorável ao programa

A conclusão não significa que o Pé-de-Meia não tenha reduzido o abandono. O estudo ex-ante do Insper estimava efeitos positivos de programas de bolsa, e uma análise posterior, divulgada em julho de 2026, comparou jovens elegíveis com um grupo de renda imediatamente superior e encontrou melhora de 4,3 pontos percentuais na faixa de 15 a 24 anos. Os próprios pesquisadores, porém, disseram que faltavam dados para cravar o tamanho real do efeito. Essa evidência reforça uma contribuição plausível do programa, mas não demonstra que toda a queda de 43% no indicador nacional tenha sido causada por ele.

Contexto e limites

Abandono e evasão não são sinônimos perfeitos

O Censo Escolar registra, na etapa Situação do Aluno, se o estudante foi aprovado, reprovado, transferido ou deixou de frequentar. Essas informações entram no cálculo das taxas de rendimento, incluindo abandono. A fala usa “evasão”, mas a cifra de 43% divulgada pelo governo está associada à taxa de abandono; por isso, a checagem não amplia esse dado para outras medidas de evasão escolar.

  • Censo Escolar — perguntas frequentes Situação do Aluno: Explica que a segunda etapa coleta rendimento e movimento, incluindo se o aluno deixou de frequentar, e que esses dados compõem as taxas de aprovação, reprovação e abandono.

Fontes

  1. Em mensagem ao Congresso, Lula defende fim da escala 6x1 Documento

    Agência Brasil · 02/02/2026

    Alegação original

    Contribuição: Preserva a atribuição, a data e a formulação da alegação apresentada na Mensagem ao Congresso.

    • Trecho sobre Pé-de-Meia: Registra que o programa teria ultrapassado 4 milhões de estudantes beneficiados e “reduziu em 43% a evasão no ensino médio”.

    Limites: A página não pôde ser aberta diretamente nesta sessão; o trecho foi preservado pelo índice da própria URL.

    Disponibilidade parcial — A abertura direta falhou nesta sessão; o conteúdo indexado da própria URL preserva a alegação sobre redução de 43%.

    Abrir fonte

  2. ENSINO MÉDIO - Após dois anos de Pé-de-Meia, abandono escolar cai 43% Documento

    APEOESP · 02/04/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Documenta, em reprodução identificada de conteúdo do MEC, a origem e o recorte dos números usados pelo governo para a cifra de 43% e a data de criação do programa.

    • Parágrafo inicial: Conteúdo atribuído à Assessoria de Comunicação Social do MEC informa taxa de abandono de 6,4% em 2022 e 3,6% em 2024, apresentada como diminuição de 43%.
    • Pé-de-Meia: Informa que o Pé-de-Meia foi instituído pela Lei nº 14.818/2024 e é destinado a estudantes do ensino médio público.

    Limites: É uma republicação de conteúdo da assessoria do MEC e foi publicada depois da fala de 2 de fevereiro; serve para documentar o cálculo e o recorte oficialmente usados, não como avaliação independente de causalidade.

    Disponível

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  3. Censo Escolar — perguntas frequentes Documento

    Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)

    Contexto, Evidência

    Contribuição: Define o indicador de abandono escolar usado no Censo e ajuda a distingui-lo de usos mais amplos do termo evasão.

    • Situação do Aluno: Explica que a segunda etapa coleta rendimento e movimento, incluindo se o aluno deixou de frequentar, e que esses dados compõem as taxas de aprovação, reprovação e abandono.

    Limites: A página explica a coleta e a natureza do indicador, mas não contém por si só os valores nacionais de 2022 e 2024 usados no cálculo de 43%.

    Disponível

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  4. Bolsas de estudo e evasão: avaliação de impacto ex-ante Documento

    Insper · 11/2025

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Mostra que, antes da fala, a avaliação de impacto disponível não era uma mensuração ex-post do efeito observado e explicitava as limitações impostas pela implementação recente.

    • p. 32: Explica a escolha de avaliação ex-ante e que o estudo busca preencher a lacuna de conhecimento sobre impacto do Pé-de-Meia e similares.
    • p. 33: Afirma que, por serem recentes, programas como o Pé-de-Meia ainda não permitiam avaliações ex-post completas e que a avaliação do estudo é de natureza ex-ante.

    Limites: Trata-se de uma avaliação ex-ante baseada em modelo e hipóteses; ela informa eficácia esperada, não mede diretamente o efeito causal já realizado em 2024.

    Disponível

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  5. Taxa de Abandono no Ensino Médio, segundo Brasil, Grandes Regiões e Unidades da Federação 2019-2023 Base de dados

    Fapespa

    Contexto

    Contribuição: Mostra uma queda nacional do abandono já entre 2022 e 2023, antes da implementação do Pé-de-Meia, reforçando que a dinâmica do indicador não pode ser atribuída integralmente ao programa por comparação simples.

    • Linha Brasil: Taxa nacional de abandono do ensino médio: 5,7% em 2022 e 3,4% em 2023; fonte indicada como Inep.

    Limites: O recorte nacional da tabela não é idêntico ao recorte de ensino médio público usado pelo governo para os 43%; os valores não devem ser comparados diretamente entre si.

    Disponível

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  6. MEC não sabe quantos beneficiados do Pé-de-Meia abandonaram a escola; pesquisa indica melhora Documento

    Folha de S.Paulo · 06/07/2026

    Contexto

    Contribuição: Fornece evidência posterior e independente favorável à existência de efeito do programa, ao mesmo tempo em que explicita que a magnitude real ainda não estava estabelecida.

    • Pesquisa do Insper: Relata melhora de 4,3 pontos percentuais para 15 a 24 anos no grupo elegível em relação ao grupo de renda imediatamente superior; pesquisador afirma que faltam dados para cravar o tamanho real do efeito.

    Limites: É reportagem posterior à declaração e relata pesquisa ainda não apresentada aqui em publicação primária revisada; não é usada para estabelecer o estado da evidência disponível em 2 de fevereiro.

    Disponível

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Responsabilidade e transparência

Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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