Atlas da Mentira · checagem verificável

Prometeu pagar 18,38% de RGA a servidores de Mato Grosso e estabelecer um cronograma

A afirmação é sustentada quanto ao que Natasha prometeu e à existência da reivindicação: entidades do funcionalismo cobravam 18,38%, e a candidata disse que pagaria esse percentual por meio de um cronograma.

O percentual não foi criado no debate. Em maio e setembro de 2026, entidades de servidores já cobravam 18,38% como recomposição. A origem documentada é uma memória sindical que parte de 19,52% de perda indicada na Tabela 1 de uma nota DIEESE/FESSP para 2017-2025 e desconta 1,14 ponto percentual que as entidades consideraram recomposto em 2026. Isso não torna 18,38% uma dívida jurídica incontroversa: o Executivo contesta o passivo e a própria nota de 2025 contém inconsistências internas, inclusive 19,52% na tabela e 25,29% nas considerações finais. Também não há base para atribuir à fala direta de Natasha a afirmação mais estreita de que todo o percentual corresponderia exclusivamente aos anos da pandemia.

Qualificações importantes

A melhor citação direta do debate registra a promessa de pagar “a RGA, os 18,38%” e estabelecer cronograma; ela não afirma que todo o percentual corresponde exclusivamente aos anos da pandemia. Essa associação aparece em paráfrases de algumas coberturas e não é tratada como fala direta da candidata.

A Tabela 1 da nota DIEESE/FESSP indica perda de 19,52% pelo IPCA para 2017-2025. Em maio de 2026, a ADUNEMAT afirmou que 1,14 ponto percentual teria recomposto perdas passadas e passou a apresentar 18,38% como saldo. Assim, 18,38% é uma atualização reivindicada pelas entidades, não um número publicado como tal na nota do DIEESE de 2025.

A própria nota técnica contém uma inconsistência material: a Tabela 1 apresenta 19,52% de perda pelo IPCA, enquanto as considerações finais afirmam 25,29%. O documento não reconcilia esses resultados no trecho examinado.

A nota também diverge sobre um reajuste de 2%: a tabela o coloca em 2020 e o resumo em 2021. O Governo de Mato Grosso informa que os 2% pagos em maio de 2021 correspondiam à RGA de 2018.

Chamar os 18,38% de dívida ou passivo devido é uma posição das entidades e adotada pela candidata como compromisso político, não um fato jurídico incontroverso. O Executivo contesta a exigibilidade do percentual tal como calculado.

O que foi checado

No debate da TV Centro América de 29 de setembro, Natasha Slhessarenko prometeu pagar os 18,38% de RGA reivindicados pelos servidores estaduais e estabelecer um cronograma de pagamento.

Forma
Paráfrase
Atribuição
Natasha Slhessarenko · Atribuição verificada
Função na época
candidata ao Governo de Mato Grosso
Vínculo na época
PSD
Data da declaração
29/09/2026
Contexto
Debate da TV Centro América para o Governo de Mato Grosso, terceiro bloco, em discussão sobre funcionalismo público e Revisão Geral Anual.

Como a proposição foi normalizada: A melhor citação direta localizada do debate registra: 'vamos pagar a RGA, os 18,38%. Vamos ter um cronograma de pagamento'. Uma fala direta anterior da candidata também chama o percentual de 'RGAs atrasados'. Algumas coberturas associaram a discussão à parcela não concedida durante a pandemia, mas essa associação temporal exclusiva não aparece na citação direta preservada e não é incorporada à proposição.

Limite de atribuição: A fala foi conferida em múltiplas coberturas contemporâneas do debate; a gravação integral não foi inspecionada diretamente nesta checagem.

Natasha citou o percentual de 18,38%

Contexto original

O que Natasha prometeu

Durante o debate, ao responder a Wellington Fagundes sobre funcionalismo, Natasha Slhessarenko afirmou que pagaria a RGA de 18,38% e criaria um cronograma de pagamento. A melhor citação direta localizada não limita esse percentual aos anos da pandemia.

A formulação não surgiu naquela noite. Em 18 de setembro, Natasha já havia dito que pretendia pagar os “RGAs atrasados, os 18,38%” e negociar com os servidores a forma de pagamento. Essa fala anterior confirma que a candidata havia adotado o percentual defendido pelas entidades como referência de sua proposta.

Algumas coberturas do debate resumiram a discussão dizendo que Natasha e Wellington queriam pagar RGA não concedida no período da pandemia. Esse enquadramento ajuda a entender o tema do bloco, mas não deve ser transformado em uma afirmação direta de Natasha de que os 18,38% correspondem exclusivamente a 2020 e 2021.

Explicação

De onde vêm os 18,38%

A nota primária do DIEESE/FESSP publicada em 2025 traz uma Tabela 1 para 2017 a 2025. Nela, a inflação acumulada aparece como 58,03% pelo IPCA, os reajustes como 32,22% e a perda total indicada como 19,52%. Esse é o principal ponto de partida documental usado posteriormente pelas entidades.

Em 2026, a revisão anual foi fixada em 5,40%. Em maio, a ADUNEMAT afirmou que 1,14 ponto percentual desse movimento correspondia à recomposição de perdas passadas e passou a apresentar 18,38% como saldo: 19,52 menos 1,14. Essa derivação é uma memória sindical posterior; a nota do DIEESE de 2025 não publica o índice de 18,38%.

Na reta final da campanha, sindicatos continuavam cobrando 18,38% como recomposição. Por isso, o número citado por Natasha correspondia a uma reivindicação efetivamente existente no funcionalismo, e não a um percentual improvisado no debate.

Contexto e limites

A memória de cálculo não é uniforme

A própria nota técnica contém uma divergência material. A Tabela 1 apresenta 19,52% como perda total pelo IPCA; nas considerações finais, o documento afirma que as perdas chegam a 25,29% pelo mesmo índice. O trecho examinado não reconcilia as duas cifras. Por isso, 19,52% é usado aqui para explicar a memória adotada pelas entidades, não como resultado metodológico único e incontroverso.

Há também divergência sobre um reajuste de 2%. A tabela anual o posiciona em 2020, enquanto o resumo da nota o menciona em 2021. A comunicação oficial do governo informa que os 2% foram pagos em maio de 2021, mas correspondiam à RGA de 2018. Ano de pagamento, ano de referência e posição na tabela não aparecem conciliados de forma consistente na nota.

Contexto e limites

Reivindicação sindical não é o mesmo que dívida reconhecida

O Governo de Mato Grosso contesta que o percentual calculado pelas entidades constitua uma dívida jurídica integral. O Executivo sustenta que os exercícios tiveram situações diferentes, com revisões concedidas, limites fiscais e restrições federais. Essa posição não elimina a perda salarial reivindicada pelos sindicatos, mas impede apresentar os 18,38% como obrigação estatal consensualmente reconhecida.

A pandemia integra a controvérsia: a Lei Complementar 173 restringiu reajustes, nas condições do art. 8º, até 31 de dezembro de 2021. Mas a memória sindical usada para chegar ao percentual parte de uma série que abrange 2017 a 2025. Isso é relevante para explicar a origem do número, sem atribuir a Natasha uma afirmação temporal exclusiva que não aparece em sua citação direta.

A checagem, portanto, sustenta que Natasha adotou e prometeu pagar uma reivindicação real de 18,38%. O que permanece controverso é a natureza desse valor: ele é uma memória de recomposição defendida pelas entidades, com inconsistências documentais e contestação do Executivo, e não um passivo oficial incontroverso já reconhecido pelo Estado.

Método

Limites da checagem

A gravação integral do debate não foi inspecionada diretamente. A formulação foi reconstruída a partir de uma citação direta contemporânea do debate e de fala direta anterior da própria candidata, além de coberturas do bloco. A nota primária DIEESE/FESSP foi inspecionada diretamente. Como ela contém divergências entre tabela, resumo e considerações finais, a checagem descreve 18,38% no grau de certeza documentado: uma reivindicação adotada por entidades e pela candidata, separada da controvérsia jurídica sobre sua exigibilidade.

Fontes

  1. Em debate quente, Wellington e Natasha miram Pivetta, que reage: “jogo combinado” Documento

    Folha de Mato Grosso · 30/09/2026

    Alegação original

    Contribuição: Estabelece a formulação que associa o percentual à pandemia.

    • Terceiro bloco — funcionalismo público: Trecho que relata que Natasha e Wellington falaram em pagar a RGA não concedida no período da pandemia e que Natasha citou 18,38%.

    Limites: Resume a fala e não detalha o cálculo do percentual.; A gravação integral não foi inspecionada.

    Disponível — Cobertura contemporânea indexada por busca; a abertura direta da página apresentou erro em uma tentativa, mas o trecho do debate foi preservado no índice.

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  2. Questionada por Fagundes, Natasha promete pagar 18,38% da RGA e reduzir alíquota de aposentados Documento

    Muvuca Popular · 29/09/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Preserva uma formulação contemporânea mais precisa: 18,38% como passivo reivindicado pelos servidores.

    • Debate na TVCA: Registra que Natasha prometeu cronograma para o 'passivo de 18,38% da RGA reivindicado pelos servidores públicos estaduais'.

    Limites: Não fornece a memória de cálculo do percentual.

    Disponível

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  3. ASSOADE participa de reunião que apresenta estudo sobre perdas salariais dos servidores públicos de MT Documento

    ASSOADE-MT · 13/08/2025

    Contexto

    Contribuição: Registra como entidades participantes divulgaram o resultado de 19,52% pelo IPCA e o período 2017-2025.

    • Estudo Dieese/FESSP apresentado na ALMT: Relata defasagem acumulada de 18,87% pelo INPC e 19,52% pelo IPCA entre 2017 e 2025; inflação acumulada de 57,18%/58,03% e reajustes concedidos de 32,22%.

    Limites: É relato de entidade participante da apresentação. A nota técnica primária do DIEESE/FESSP foi incorporada separadamente e prevalece para a memória de cálculo.

    Disponível

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  4. Diário Oficial Eletrônico da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso — Portaria MD nº 28/2026 Documento

    Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso · 28/09/2026

    Evidência

    Contribuição: Confirma oficialmente o índice de 5,40% aplicado em 2026.

    • Portaria MD nº 28/2026: Registra a Lei nº 13.220, de 21/01/2026, e aplicação de revisão de 5,40% a partir de 01/01/2026.

    Limites: A edição consultada aplica a revisão, mas não explica a negociação que levou ao acréscimo de 1,14 ponto percentual.

    Disponível

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  5. ADUNEMAT participa de reunião na FESSP nesta terça e entidades definem ato no dia 25 de maio em Cuiabá pelo pagamento da RGA Documento

    ADUNEMAT · 06/05/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Documenta como entidades sindicais passaram a expressar o saldo de 18,38% em 2026.

    • O Cenário da RGA: Defasagem e Perda Salarial: A ADUNEMAT afirma que a perda chegou a 19,52% em 2025 e que, em janeiro de 2026, 1,14 ponto percentual teria sido pago para recompor perdas passadas; a entidade apresenta 18,38% como saldo reivindicado.

    Limites: É fonte sindical e caracteriza o saldo como dívida do Estado; essa qualificação jurídica é contestada pelo Executivo.; A derivação 19,52 − 1,14 = 18,38 é a memória apresentada pela entidade em 2026, não uma atualização publicada pelo próprio DIEESE na nota de 2025.

    Disponível

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  6. Lei Complementar nº 173, de 27 de maio de 2020 Documento

    Presidência da República · 27/05/2020

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Delimita o período e a natureza da restrição federal usada no debate sobre a RGA da pandemia.

    • Art. 8º: Estabelece, nas condições do artigo, proibição até 31/12/2021 de conceder vantagem, aumento, reajuste ou adequação de remuneração, com exceções previstas em lei.

    Limites: A lei federal, sozinha, não calcula a perda salarial dos servidores de Mato Grosso nem decide o passivo estadual.

    Disponível

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  7. Servidores estaduais realizam ato contra consignados fraudulentos e perdas salariais Documento

    Sintep-MT · 22/09/2026

    Contexto

    Contribuição: Confirma que 18,38% era uma reivindicação sindical corrente na data da fala.

    • Recomposição salarial: O sindicato afirma, uma semana antes do debate, que servidores cobravam recomposição salarial de 18,38%.

    Limites: É fonte de parte interessada na negociação e não prova, por si, obrigação jurídica do Estado.

    Disponível

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  8. Governo de MT cita trava de lei federal e 'equívoco' em passivo de 19,52% da RGA Documento

    RDNews · 15/01/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Registra a principal posição contrária à caracterização do percentual sindical como dívida jurídica incontroversa.

    • Posição do Governo de Mato Grosso: Relata que o Executivo contesta o passivo, dizendo que 2017-2018 tiveram revisão integral, 2019 estava sob limites fiscais, 2020-2021 sob restrições da LC 173 e que desde 2022 a RGA prevista em lei foi concedida.

    Limites: É uma reportagem sobre a posição do Executivo, não uma decisão judicial que resolva a controvérsia.

    Disponível

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  9. Relatório Sintético — Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso (FESSP-MT) Documento

    DIEESE — Escritório Regional de Mato Grosso do Sul · 08/2025

    Evidência

    Contribuição: Fonte primária para a memória de cálculo sindical de 2025 e para as inconsistências internas que limitam a precisão da derivação posterior para 18,38%.

    • Tabela 1 — INPC x IPCA x reajuste dos servidores estaduais — 2017 a 2025: A tabela apresenta inflação acumulada de 57,18% pelo INPC e 58,03% pelo IPCA, reajustes de 32,22% e resultado total indicado de perda de 18,87% pelo INPC e 19,52% pelo IPCA. Na linha anual, o reajuste de 2,00% aparece em 2020 e 2021 aparece com 0,00%.
    • Resumo — Nota de Abril — observações adicionais: O resumo da mesma nota afirma que foram considerados reajustes a título de RGA em 2017 (4,42%), 2021 (2,00%), 2022 (7,00%), 2023 (5,79%) e 2024 (4,62%), divergindo da tabela, que posiciona os 2,00% em 2020.
    • Considerações finais: As considerações finais afirmam que as perdas somam 24,62% pelo INPC e 25,29% pelo IPCA, valores diferentes dos 18,87% e 19,52% apresentados como totais na Tabela 1.
    • Discussão sobre LC 173 e perdas: A nota discute a restrição da LC 173 até 31/12/2021 e, em passagem subsequente, trata perdas de anos que extrapolam o recorte estrito da pandemia, reforçando que o estudo não é uma conta limitada a 2020-2021.

    Limites: A própria nota contém inconsistências internas entre a Tabela 1 e as considerações finais: 19,52% versus 25,29% pelo IPCA.; A nota também diverge internamente sobre o ano do reajuste de 2,00%: a tabela o coloca em 2020, enquanto o resumo o atribui a 2021.; O documento não contém a atualização de 2026 que transforma 19,52% em 18,38%; essa derivação é apresentada posteriormente pelas entidades sindicais.

    Disponível — PDF primário do DIEESE/FESSP-MT publicado no site da ADUNEMAT e inspecionado diretamente, inclusive tabela e considerações finais.

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  10. Governador confirma pagamento da RGA aos servidores ativos e aposentados em maio Documento

    Governo do Estado de Mato Grosso — Secom · 12/05/2021

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Ajuda a esclarecer a divergência temporal da nota do DIEESE: os 2% foram pagos em 2021, mas se referiam à RGA de 2018, e não a uma RGA própria de 2020 ou 2021.

    • Pagamento em maio de 2021: O Governo de Mato Grosso informa que o reajuste de 2% pago em maio de 2021 correspondia à Revisão Geral Anual de 2018.

    Limites: É comunicação do próprio Executivo sobre seu pagamento e enquadramento administrativo.

    Disponível

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  11. Vídeo | Em agenda com empresários, Natasha promete reduzir desconto de aposentados e pagar RGA retroativa Documento

    LeiAgora · 18/09/2026

    Evidência, Contexto

    Contribuição: Confirma em fala direta anterior ao debate que Natasha adotava o percentual de 18,38% como referência para sua promessa de recomposição, sem restringi-lo explicitamente aos anos da pandemia.

    • Declaração de 18 de setembro de 2026: Natasha declara que pretende 'pagar o RGA de todos os funcionários públicos', chama os 18,38% de 'RGAs atrasados' e promete discutir com os servidores como efetuar o pagamento.

    Limites: A fala confirma como a própria candidata caracterizava o percentual, mas não prova que 18,38% constitua obrigação jurídica incontroversa do Estado.

    Disponível

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Publicação responsável: Atlas da Mentira.

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